Avançar para o conteúdo principal

Investigadores ‘imprimem’ algoritmo de Inteligência Artificial em nano-ímanes



Cientistas do Los Alamos National Laboratory abrem caminho para uma nova espécie de Inteligência Artificial que pode assumir uma forma física

Investigadores do LANL (Los Alamos National Laboratory) anunciam ter conseguido produzir um ‘spin glass’ que consiste em nano-ímanes dispostos de forma a replicar uma rede neural. O ‘spin glass’ é uma rara forma de matéria e o conceito já foi aplicado anteriormente em modelos teóricos que descrevem o funcionamento do cérebro. Esta é a primeira vez que esta forma de matéria surge fisicamente e a replicar um algoritmo de IA.


O sistema do LANL envolve ímanes que ‘descobrem’ uma complexa configuração de alinhamento e desalinhamento entre si, com um mínimo de energia dispendida. Os ímanes são constituídos por finas camadas de ferro e níquel que atuam como magnetos, alternando os polos para gastar o mínimo de energia e são colocados de forma a corresponder com a estrutura de interações de uma rede neural, explica o IEEE.


A equipa, coordenada por Michael Saccone, criou a rede assente no modelo Hopfield de redes neurais que consiste em estados de neurónios definidos como ativos (valor 1) ou inativos (valor -1). Os neurónios aqui, no modelo Hopfield, olham para os valores uns dos outros e dependendo das suas ligações de inibição ou excitação, ‘decidem’ em que estado querem ficar no próximo passo. O conceito de memória associativa surge como fulcral neste tipo de soluções, porque é o que permite que a rede seja capaz de ligar dois ou mais padrões relacionados com um objeto. Na prática, isto significa que, por exemplo, se o sistema receber como input uma imagem parcial de um rosto, é capaz de se lembrar e fazer a reconstituição completa da face. Desta forma, o sistema não necessita de condições ideais de cenário para identificar uma memória, podendo fazê-lo com base em informação parcial.


Saconne explica que a abordagem da equipa de colocar hardware a servir de software, ou seja, fazer com que o algoritmo de IA assuma uma forma física, implica “mapear as funções de energia umas nas outras. Simplesmente, o estado de energia mais baixo no nosso sistema físico representa uma solução para outro problema análogo”. As vantagens passam por um baixo custo para movimentar informação e a paralelização inerente. Do lado das desvantagens, é mais difícil programar para este tipo de sistemas e a interface software-para-hardware não é padronizada.


A arquitetura física do algoritmo de nano-ímanes é complexa, com a informação a fluir constantemente e em todas as direções, em vez de ter uma abordagem de input para output passo a passo. “Isto demora algum tempo para um algoritmo sequencial simular, mas num sistema físico não há custo para a paralelização inerente (…) É o universo a fazer as suas coisas”, explica Saccone.


Exame Informática | Investigadores ‘imprimem’ algoritmo de Inteligência Artificial em nano-ímanes (sapo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Uma empresa que quase só dá prejuízo está prestes a fazer do homem mais rico do mundo o primeiro trilionário da história

 O objetivo traçado pela SpaceX é claro mas ousado: "construir os sistemas e as tecnologias necessárias para tornar a vida multiplanetária, compreender a verdadeira natureza do Universo e estender a luz da consciência às estrelas" A SpaceX revelou esta quarta-feira os tão aguardados planos de entrar em bolsa, lançando luz sobre as finanças e a liderança de uma das maiores, mais conhecidas e, ainda assim, mais secretas empresas privadas da história. A empresa de foguetões e satélites de Elon Musk revelou detalhes até agora desconhecidos, incluindo os seus membros do conselho, as vendas, os lucros, as despesas e a forma como opera. As suas ações serão negociadas na bolsa sob o código SPCX. Um dado que não foi divulgado: quanto é que a empresa espera arrecadar e qual o seu valor potencial naquela que está amplamente prevista ser a maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da história - talvez até três vezes superior. Estes detalhes serão divulgados posteriormente, p...

BYD negocia compra de fábricas da Stellantis para dominar a Europa

Fábricas da Stellantis na Itália estão entre os principais alvos da BYD (Foto: Stellantis | Divulgação)  Gigante chinesa busca assumir unidades subutilizadas e descarta parcerias para manter controle direto; Itália é um dos mercados no radar da companhia A BYD confirmou estar em negociações com a Stellantis e outras montadoras para adquirir fábricas subutilizadas no território europeu, afirmou a Bloomberg. A estratégia visa consolidar a presença industrial da marca no continente e acelerar a produção local, conforme revelado pela vice-presidente executiva da companhia, Stella Li, durante a conferência “Future of the Car”, em Londres. A executiva destacou que a BYD avalia oportunidades em diversos países, com atenção especial à Itália. O país vive um impasse entre o governo e a Stellantis, com Roma pressionando o grupo para que atinja a meta de 1 milhão de veículos produzidos anualmente em plantas italianas. Para a BYD, a prioridade é a gestão direta: a fabricante prefere operar as ...

Stellantis quer democratizar elétricos na Europa com o programa E-Car

 A Stellantis lançou um novo programa de desenvolvimento de automóveis elétricos compactos e acessíveis para a Europa. O grupo automóvel quer lançar novos veículos elétricos compactos a partir de 2028, com produção inicial na fábrica italiana de Pomigliano d’Arco. A Stellantis anunciou o arranque de um novo projeto para desenvolver automóveis elétricos acessíveis. Denominado “E-Car” , é um programa de desenvolvimento de carros elétricos compactos e acessíveis que visa impulsionar o emprego europeu nas áreas do design e da produção automóvel, mas também acelerar a adoção de veículos 100% elétricos na Europa. A produção destes modelos tem arranque previsto para 2028 na unidade de Pomigliano d’Arco, em Itália. Uma unidade com capacidade para fabricar quase 300 mil veículos por ano, agora inserida naquela que é uma aposta para reforçar a mobilidade elétrica urbana e recuperar o segmento dos automóveis pequenos no mercado europeu. O regresso do carro do povo? A Stellantis refere que os ...