Avançar para o conteúdo principal

Investigadores criam papel que dura como o plástico, mas que não polui



Equipa da Universidade de Tóquio descobriu como aplicar um revestimento à base de sílica em papel, tornando-a impermeável, antibacteriana e resistente como o plástico, mas sem a parte da poluição


O estudo dos cientistas da Universidade de Tóquio foi publicado no Industrial & Engineering Chemistry Research e descreve como os investigadores usaram um revestimento de sílica para tornar itens de papel mais resistentes, impermeáveis e resistentes a bactérias. Ideia é aplicar este revestimento a utensílios como palhinhas, tornando-as alternativas equiparadas às de plástico, com a grande vantagem de não serem tão poluentes como aquelas.


O revestimento, a que equipa chama Choetsu, pode ser aplicado a outros materiais: “podemos alterar a composição líquida para acomodar a maior parte dos materiais. O revestimento Choetsu vai manter estes materiais saudáveis durante mais tempo”, explica o doutor Zenji Hiroi, co-autor do estudo ao Motherboard.


A cobertura em sílica é feita de nanopartículas de dióxido de titânio que são dispersas sobre uma película de sílica com poucos micrómetros de espessura e que depois é aplicada sobre o papel, conferindo-lhe maior durabilidade e resistência antibacteriana. Os materiais originais usados, uma mistura de vários outros químicos, foram selecionados pela professora Yoko Iwamiya, que já trabalhava independentemente neste projeto antes de começar a cooperar com a Universidade de Tóquio.


O revestimento é poroso e tem propriedades absorventes, fazendo com que estes artigos possam ser usados para combater a poluição também, capturando os agentes poluentes e decompondo-os através do processo fotocatálise.


“Os utensílios de papel são a aplicação mais imediata (…) qualquer produto em papel vai ganhar mais aplicabilidade”, explica Hiroi, revelando ainda outros cenários de utilização: “assim que os ingredientes líquidos do revestimento forem determinados, basta aplicar sobre outros materiais e deixar secar. Porque o processo é tão simples, pode ser aplicado a uma gama alargada de produtos”.


Exame Informática | Investigadores criam papel que dura como o plástico, mas que não polui (sapo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Este restaurante é tão bom que há pessoas proibidas por lei de irem lá comer

  Não é um local que sirva para ir todos os dias, mas antes em ocasiões bastante especiais. Ainda assim, nem nessas circunstâncias algumas pessoas podem entrar, mesmo que ninguém saiba porquê Como refúgio secreto outrora reservado aos antigos imperadores da China, para além da vigilância dos homens de negro que guardam a entrada em frente ao histórico Templo Lama de Pequim, um estreito caminho de pedra conduz silenciosamente a um pátio. A névoa flutua suavemente ao longo da passadeira. No final do mesmo, uma mulher envolta num manto simples sobre um vestido tradicional chinês aguarda junto a um muro caiado que protege o pátio das ruas movimentadas da antiga Pequim. Com um gesto delicado, convida os visitantes a entrar no restaurante. Não é o tipo de restaurante que se frequenta todos os dias. É um local reservado para ocasiões especiais: pedidos de casamento, aniversários ou receções. Contudo, há um tipo de convidado que não pode desfrutar do elegante estabelecimento, nem mesmo em ...

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...