Avançar para o conteúdo principal

Porque os supermercados colocam sempre doces e refrigerantes perto da caixa registadora



 Há várias maneiras sorrateiras que são usadas para que você gaste mais dinheiro na caixa. Está tudo estudado e refinado. Conheça alguns dos truques.

Já aconteceu a quase toda a gente entediada numa fila à espera de pagar numa loja: vê uma barra de chocolate, um pacote de pastilhas elásticas ou um refrigerante. Incapaz de resistir, atira-o para o carrinho.


Esta cena, repetida inúmeras vezes todos os dias em supermercados e lojas de conveniência, é um exemplo clássico de compra por impulso.


A sua decisão de levar aquelas pastilhas elásticas pode ter sido espontânea, mas o plano para seduzi-lo na fila da caixa foi cuidadosamente elaborado. Vale a pena para as lojas e marcas, já que os compradores gastaram seis mil milhões de dólares [5,7 mil milhões de euros] nas zonas de saída para pagar das lojas no ano passado [só nos EUA], de acordo com a empresa de estudos de mercado IRI.


“A compra por impulso representa um componente muito, muito maior do comportamento do consumidor do que as pessoas imaginam", diz James Burroughs, que estuda padrões de consumo na McIntire School of Commerce da Universidade da Virgínia. "A frente da loja é como um imóvel premium para colocar artigos de impulso."


Mas como selecionam as empresas quais os produtos para colocar na caixa? Porque agimos com impulsos no final das nossas viagens de compras? E existem desvantagens para as lojas capitalizarem nas compras por impulso?


Leite lá atrás. Cereais perto do chão

A transição para supermercados de autoatendimento no início do Século XX ajudou a incentivar as compras por impulso. De repente, os compradores podiam vaguear pelas lojas e escolher o que quisessem das prateleiras, em vez de pedir a um funcionário de balcão para atender aos seus pedidos. E quando os carrinhos de compras foram introduzidos nas décadas de 1930 e 1940, as compras por impulso explodiram.


Hoje, as lojas mapeiam quase cada centímetro do seu ambiente físico para influenciar as decisões dos compradores. Por exemplo, o espaço de laticínios é colocado no fundo das lojas, para forçar os clientes a passear e a passar por muitos outros produtos antes de comprar leite. A carne fica geralmente do outro lado da loja, para fazer com que os compradores andem mais e coloquem ainda mais artigos no carrinho.


Não é coincidência que os molhos de tomate estejam ao lado das massas e os cones de bolacha estejam ao lado dos frigoríficos de gelados - uma estratégia conhecida como “cross-merchandising”. As caixas de cereais ficam geralmente perto do chão, ao nível dos olhos das crianças, o que facilita que elas incomodem os seus pais para comprá-las.


É difícil resistir ao sal e ao açúcar na fila da caixa.

"A iluminação, a temperatura, a organização das prateleiras e dos corredores - tudo isso foi amplamente estudado e refinado", diz Marion Nestle, professora emérita de estudos nutricionais e alimentares da Universidade de Nova Iorque. "E o objetivo é fazer com que as pessoas comprem mais produtos."


As marcas também pagam "taxas de alocação" às lojas que desempenham um papel crítico na colocação de produtos. Alguns dos melhores pontos são a colocação ao nível dos olhos nas prateleiras, expositores nos corredores e – o mais proeminente - perto da caixa registadora.


As principais marcas de alimentos e bebidas estão particularmente focadas em colocar os seus produtos perto da fila da caixa, por onde toda a gente passa, ao contrário das secções de doces e refrigerantes. (A maioria das pessoas procura o corredor de doces principalmente no Halloween ou noutros feriados.)


As lojas colocam artigos pequenos e baratos para consumo rápido perto da caixa, porque é mais fácil para os clientes atirarem-nos para dentro dos seus carrinhos em vez de, digamos, um pacote de oito toalhas de papel.


"É a última oportunidade de adicionar um ou dois artigos extra no caminho de saída", explica Burroughs, da Universidade da Virgínia.


“Saída saudável”

Há também uma razão pela qual os doces chegam no final da sua viagem de compras e não no início, dizem os especialistas em marketing.


No momento em que terminamos as nossas compras e chegamos à fila de caixa, normalmente estamos exaustos e temos menos força de vontade do que quando entramos pela porta. "As pessoas são mais propensas a sucumbir ao impulso se estiverem cansadas", diz Burroughs. "Você pode ser um pouco menos cauteloso."


Por causa de quão fortes as nossas tentações podem ser na saída, tem havido uma pressão crescente para forçar os retalhistas a dar aos clientes opções mais saudáveis.


“Ao repensar a saída, os retalhistas podem apoiar a saúde dos seus clientes, em vez de empurrar o consumo de calorias extra – e muitas vezes indesejadas – de doces, refrigerantes e outros alimentos e bebidas não saudáveis”, recomendou o Centro para a Ciência no Interesse Público, um grupo sem fins lucrativos de defesa dos consumidores, num relatório de 2015. A organização liderou uma campanha para pressionar lojas a mudar o que vendem perto da caixa.


As principais cadeias de supermercados do Reino Unido eliminaram completamente os doces das caixas. Nos Estados Unidos, Berkeley, na Califórnia, aprovou uma lei de "saída saudável" em 2020, regulamentando que produtos podem ser vendidos perto da caixa. Abaixo: “junk food”, doces e refrigerantes. Acima: frutas frescas ou secas, nozes, iogurte e pastilhas elásticas sem açúcar.


Porque os supermercados colocam sempre doces e refrigerantes perto da caixa registadora - CNN Portugal (iol.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Forças da NATO não conseguiram detetar drones ucranianos em exercício militar em Portugal

    Drone Magura V7 da Inteligência Militar da Ucrânia, equipada com mísseis terra-ar, encontra-se num local não revelado na Ucrânia, no sábado, dia 6 de dezembro de 2025.  -    Direitos de autor    AP Photo Direitos de autor AP Photo O exercício experimental militar REPMUS25 aconteceu ao largo da costa portuguesa, no distrito de Setúbal, e pôs a nu algumas fragilidades das forças navais da NATO. Em cenário de guerra drones ucranianos teriam afundado uma fragata. O exercício experimental  REPMUS 25,  em paralelo com o exercício DYMS da NATO e considerado o maior a nível mundial no que diz respeito a sistemas não tripulados em âmbito marítimo, realizou-se entre Tróia e Sesimbra, no distrito de Setúbal, em setembro de 2025. PUBLICIDADE PUBLICIDADE No local estiveram duas equipas opositoras: a força RED ("força inimiga") liderada por militares da Ucrânia, que participou pela primeira vez, e por militares americanos, britânicos e espanhóis; ...

Bruxelas considera que é possível acabar com mudança da hora e vai apresentar estudo

 A Comissão Europeia considera que alcançar um consenso para acabar com a mudança da hora "ainda é possível" e vai apresentar um estudo nesse sentido este ano, com os Estados-membros a manifestarem-se disponíveis para analisá-lo assim que for entregue. Na madrugada do dia 29 deste mês, a hora volta a mudar em toda a União Europeia (UE), para dar início ao horário de verão, o que acontece atualmente devido a uma diretiva europeia que prevê que, todos os anos, os relógios sejam, respetivamente, adiantados e atrasados uma hora no último domingo de março e no último domingo de outubro. Em setembro de 2018, a Comissão Europeia propôs o fim do acerto sazonal, mas o processo tem estado bloqueado desde então, por falta de acordo entre os Estados-membros sobre a matéria. Numa resposta por escrito à agência Lusa, a porta-voz da Comissão Europeia Anna-Kaisa Itkonnen referiu que o executivo decidiu propor o fim da mudança horária em 2018 após ter recebido "pedidos de cidadãos e dos ...

Europa alertada para risco de escassez de combustível e energia já no próximo mês

  "O Sul da Ásia foi o primeiro a sentir o impacto. Este deslocou-se para o Sudeste e o Nordeste Asiático e, depois, intensificar-se-á na Europa à medida que entrarmos em abril" Wael Sawan, CEO da Shell, a maior empresa petrolífera da Europa, revelou estar em contacto com os governos europeus de forma a ajudar a lidar com a crise de abastecimento de petróleo e gás natural que, nesta fase, já levou ao racionamento de energia em vários países asiáticos. Exemplo disso é o Sri Lanka que, face à crise, decretou um feriado semanal às quartas-feiras no setor público e a imposição de limites ao abastecimento: 15 litros para automóveis e cinco para motociclos. Esta tendência replica-se nas Filipinas, onde o teletrabalho passou a ser obrigatório pelo menos um dia por semana em vários organismos do Estado. Na Tailândia, a estratégia focou-se na redução do consumo de ar condicionado, através do trabalho remoto e da recomendação do uso de vestuário leve. Já em Myanmar, a solução passou pe...