Avançar para o conteúdo principal

Técnico (IST) lidera consórcio para o estudo de plasmas contendo antimatéria



O Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa lidera consórcio com financiamento europeu para o estudo de plasmas contendo antimatéria.


Ao longo dos próximos quatro anos, projeto PAIR trabalhará para criar, diagnosticar e modelar “plasmas de pares”, um estado único da matéria contendo eletrões e positrões.


Ao longo dos próximos quatro anos, o Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, encabeçará um consórcio dos principais centros mundiais de física e computação na área da física de plasmas com o intuito de estudar ‘plasmas de pares’, um estado único da matéria contendo eletrões e a sua contraparte de antimatéria, os positrões. O projeto, Plasma Antimatter Investigation and Realization (PAIR), recebeu financiamento através do programa Horizonte Europa da União Europeia.


Durante décadas, o estudo destes ‘plasmas de pares’ limitou-se maioritariamente a cálculos teóricos e observações telescópicas distantes, dada a natureza exótica deste estado da matéria. Com esta iniciativa europeia encabeçada pelo Técnico, procura-se que o ‘plasma de pares’ se torne uma realidade laboratorial controlável.


“A Europa atingiu um ponto de viragem”, afirma Thomas Grismayer, investigador principal do projeto e membro do Grupo de Lasers e Plasmas (GoLP) do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN), um centro de investigação associado ao Técnico. “Temos a potência laser e os feixes de partículas necessários para gerar estes plasmas, existindo uma oportunidade excecional para construir uma forma unificada de os compreender”, prossegue o investigador, que esclarece que “o projeto PAIR foi concebido para colmatar essa lacuna”.


Sob liderança do Técnico, o consórcio inclui a Universidade de Oxford, o Instituto Max-Planck, a Universidade de Sorbonne, a Universidade da Califórnia (UCLA), a Universidade de Rochester e empresas especializadas como a ColibriTD e o CERFACS. A iniciativa, ao abrigo das Ações Marie Skłodowska-Curie, baseia-se num intercâmbio estratégico de pessoal entre estas entidades.


IA e ferramentas quânticas envolvidos na descoberta deste plasma exótico


Pelo facto de eletrões e positrões terem a mesma massa, o ‘plasma de pares’ comporta-se de formas que as regras da física tradicional não conseguem prever facilmente, tornando-os fundamentalmente diferentes. Estes plasmas são omnipresentes nos ambientes extremos encontrados em torno de pulsares e buracos negros, e as experiências laboratoriais controladas trazidas pelo projeto PAIR fornecerão um campo de testes único para as leis da física sob condições que não ocorrem naturalmente na Terra.


Apesar da sua importância para a ciência fundamental, estas nuvens de antimatéria são notoriamente difíceis de manter – são frequentemente de curta duração e difíceis de controlar. Tirando partido de instalações como o laser Apollon e o Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN, no francês original), o projeto PAIR irá além das demonstrações temporárias, pretendendo criar um modelo fiável para gerar ‘plasmas de pares’ densos e de longa duração, necessários para um estudo laboratorial aprofundado.


Investigar estes plasmas requer mais do que apenas hardware de alta energia – exige também um salto significativo na capacidade de computação. As simulações computacionais atuais destes processos são tão complexas que frequentemente atingem um limite em termos de custo e tempo. Um dos objetivos mais inovadores do projeto é a criação de um ‘motor digital’ que utiliza aprendizagem automática científica e protótipos de algoritmos quânticos para modelar o comportamento do plasma. Ao integrar estes modelos, esperamos acelerar as simulações, permitindo-nos validar os nossos resultados laboratoriais face à teoria em tempo real. O projeto visa ainda formar uma geração de investigadores capaz de transitar perfeitamente entre a física de lasers de alta potência e a engenharia de software avançada.


À medida que o projeto entra na sua missão de quatro anos, o foco manter-se-á na entrega de ativos concretos e reutilizáveis: software de código aberto, desenhos experimentais de referência e um novo quadro para interpretação astrofísica. No momento em que a conferência final do projeto for concluída, o consórcio pretende ter estabelecido uma capacidade permanente para a ciência de plasmas de pares na Europa, garantindo que o continente permaneça na fronteira da física de alta densidade de energia.


Técnico lidera consórcio com financiamento europeu para o estudo de plasmas contendo antimatéria – Técnico ULisboa


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Queremos criar um centro altamente especializado na área dos drones em Oeiras

Tiago Bastos, coordenador do Oeiras Valley Innovation Lab. Foto: Hugo Amaral/ECO  O Oeiras Valley Innovation Lab quer ser um cluster de defesa na área de drones, acolhendo empresas como a Beyond Vision ou a UAVision. O coordenador Tiagos Bastos fala do projeto ao ECO/eRadar. Criar o primeiro laboratório de defence tech do país é um dos objetivos do Oeiras Valley Innovation Lab. O espaço está a posicionar-se como um cluster de indústria de defesa, com foco nos drones, acolhendo empresas como a Beyond Vision ou a UAVision. Tiago Bastos, coordenador do Oeiras Valley Innovation Lab, explica a ambição do projeto que está a ganhar asas em Oeiras: “Fazer um centro, um projeto de âmbito nacional, estratégico para Portugal, mas com impacto a nível internacional, especializado nos drones. Mas, sobretudo, especializado no desenvolvimento de prototipagem em tempo real.” Ligando academia, empresas e end users, ou seja, as Forças Armadas, explica. Alguma relação com o cluster de drones que Henri...

Portugal perto de amarrar 20 cabos submarinos e tornar-se ‘hub’ digital

 Mais do que ligar continentes, os cabos submarinos tornaram-se uma infraestrutura crítica para atrair centros de dados, cloud e inteligência artificial, reforçando a competitividade do país. A 8 de junho de 1870, Portugal entrou na era das telecomunicações globais com a entrada em funcionamento do primeiro cabo telegráfico submarino, que ligava Carcavelos a Porthcurno, na costa sul do Reino Unido. Mais de século e meio depois, o país continua a desempenhar um papel estratégico nas comunicações internacionais, beneficiando sobretudo da sua posição geográfica privilegiada no Atlântico. Localizado na interceção das ligações entre a Europa, as Américas e África, Portugal afirma-se como uma plataforma de ligação entre continentes. Segundo um estudo deste ano da Câmara de Comércio Americana em Portugal (AmCham Portugal), até ao final deste ano, o país deverá contar com 20 cabos submarinos amarrados à costa. Em 2027, está ainda prevista a entrada em operação de mais um sistema, reforçand...