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Maior fábrica do mundo de baterias “em segunda mão” abriu em apenas seis semanas




Uma startup do Canadá inaugurou aquela que descreve como a maior fábrica de reaproveitamento de baterias de veículos elétricos do mundo. O mais impressionante não é apenas a escala do projeto, mas a velocidade, uma vez que da apresentação pública à entrada em funcionamento passaram-se apenas seis semanas.


Uma segunda vida para baterias “reformadas”

Pelas mãos da Moment Energy, uma startup da Colúmbia Britânica, no Canadá, a chamada Megafactory 1 abriu portas em Surrey, na área metropolitana de Vancouver, a 23 de junho.

O objetivo é que, em vez de reciclar imediatamente as baterias que saem de veículos elétricos em fim de vida útil, a Moment Energy testa-as, desmonta-as e reconstrói-as em sistemas de armazenamento de energia à escala comercial.

De facto, uma bateria retirada de um carro elétrico está longe de estar “morta”, mantendo tipicamente entre 80% e 85% da sua capacidade original.

Apesar de já não ser suficiente para mover um automóvel com o desempenho exigido, é material demasiado bom para deitar fora.

Por isso, a solução da empresa é dar-lhe uma segunda vida a estabilizar redes elétricas, alimentar hospitais, aeroportos e centros de dados.

Paddy Riley, engenheiro elétrico principal, segura uma pequena versão impressa em 3D do sistema de armazenamento de energia da bateria no evento de inauguração da fábrica da Moment Energy, em Surrey, em 23 de junho de 2026. Fonte: Surrey Now-Leader

O processo de recondicionamento, a que a empresa chama cycling, envolve ciclos repetidos de carga e descarga seguidos de testes rigorosos.

Segundo Edward Chiang, diretor-executivo da startup, enquanto a concorrência demora cerca de três dias a processar cada bateria, o sistema assistido por Inteligência Artificial da Moment Energy faz o mesmo em apenas seis horas.

Depois de aprovadas, as baterias são empilhadas em racks, “como blocos de Lego”, na descrição de Chiang, e podem continuar a funcionar durante mais 15 a 20 anos.

Números impresionantes

A fábrica de Surrey tem capacidade para processar 25.000 baterias por ano e, quando atingir plena capacidade em 2030, deverá produzir um gigawatt-hora de sistemas de armazenamento anualmente, energia suficiente para abastecer mais de 350.000 casas.

A Moment Energy estima ainda que o projeto crie mais de 100 empregos diretos e apoie mais de 1000 postos de trabalho indiretos na Colúmbia Britânica.

Entre os clientes já confirmados estão nomes como a Amazon, que fornece baterias usadas da sua frota de entregas elétricas e também investiu na empresa através do seu Climate Pledge Fund.

Além da gigante do comércio eletrónico, é cliente a empresa de eletricidade BC Hydro, cujo programa de incentivos apoia instalações em infraestruturas críticas. Um exemplo prático já em funcionamento é um sistema instalado no Aeroporto Internacional de Vancouver, que segundo Chiang evitou uma fatura de 20 milhões de dólares em upgrades à rede elétrica local.

Mais um sucesso saído de uma garagem

A Moment Energy nasceu em 2019, numa garagem em Surrey, pelas mãos de quatro engenheiros recém-formados na Simon Fraser University: Edward Chiang, Sumreen Rattan, Gabriel Soares e Gurmesh Sidhu.

Seis anos depois, o regresso à mesma cidade para abrir a sua terceira instalação, depois de Port Coquitlam e de uma fábrica em construção no Texas, fecha um ciclo que os fundadores descrevem como um “dar de volta” à comunidade que os viu crescer.

Fundadores da Moment Energy nas novas instalações, em Surrey. Gabriel Soares e Gurmesh Sidhu (atrás, da esquerda para a direita), Sumreen Rattan e Edward Chiang (à frente, da esquerda para a direita). Crédito: Leonardo DeGorter/Canada’s National Observer

A empresa já angariou mais de 100 milhões de dólares em financiamento, combinando capital privado, incluindo a Amazon e fundos como a Voyager Ventures e a Evok Innovations, com apoios públicos, como os 4,9 milhões de dólares canadianos da agência federal PacifiCan e um financiamento de 20 milhões de dólares do Departamento de Energia dos Estados Unidos para o projeto no Texas.

No próprio dia da inauguração, a organização sem fins lucrativos NorthX Climate Tech anunciou um investimento adicional de três milhões de dólares.

Anunciámos este projeto há seis semanas. Hoje, ele já está em operação. A procura por armazenamento de energia está a acelerar, assim como a oferta de baterias de veículos elétricos descartadas. Mostramos que a tecnologia certa pode permitir que a América do Norte recupere a produção nacional em semanas, não em décadas, criando milhares de empregos e prosperidade económica.

Disse Edward Chiang, no dia da inauguração.

Um plano para reduzir a dependência da China em baterias

Por detrás da narrativa de sustentabilidade está, também, uma lógica de soberania industrial.

O diretor-executivo não esconde a preocupação com a atual dependência ocidental da produção chinesa de baterias, que segundo o próprio representa mais de 90% do mercado mundial.

A aposta da Moment Energy passa por reaproveitar baterias que já existem em solo norte-americano, evitando construir de raiz uma cadeia de fabrico totalmente nova, um processo que, segundo ele, normalmente levaria décadas e que a empresa conseguiu comprimir em semanas.


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