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Dez países europeus criam “escudo” antimíssil — e dão à Ucrânia um papel decisivo na defesa do continente



 Coligação Antimísseis Balísticos é apresentada pelos países fundadores como uma iniciativa “puramente defensiva”, destinada a responder ao aumento das ameaças e a reforçar a capacidade europeia para detetar, intercetar e neutralizar ataques


Dez países europeus, entre os quais Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, anunciaram a criação de uma coligação destinada a desenvolver uma arquitetura integrada de defesa contra mísseis balísticos, aproveitando a experiência adquirida pela Ucrânia desde o início da invasão russa.


Segundo o ’20 Minutos’, a Coligação Antimísseis Balísticos é apresentada pelos países fundadores como uma iniciativa “puramente defensiva”, destinada a responder ao aumento das ameaças e a reforçar a capacidade europeia para detetar, intercetar e neutralizar ataques.


A aliança reúne Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, Ucrânia e Reino Unido. A futura estrutura deverá complementar os sistemas já utilizados pelos vários países, incluindo os equipamentos que venham a ser adquiridos nos próximos anos.


Os signatários defendem que a Europa precisa de articular melhor as suas indústrias de defesa, os programas de investigação e a experiência operacional dos exércitos. O objetivo passa por estabelecer requisitos comuns, criar grupos técnicos e preparar um roteiro que permita alcançar as primeiras capacidades operacionais.


“Esta iniciativa não se dirige contra nenhum povo, mas sim em defesa do nosso próprio povo”, afirmaram os dez países na declaração conjunta citada pelo 20 Minutos.


A Ucrânia terá um papel central na nova coligação. O documento reconhece a experiência “única” acumulada pelas forças ucranianas na defesa contra mísseis e drones russos desde 2022, conhecimento que os restantes países pretendem agora aproveitar no desenvolvimento de uma resposta europeia mais eficaz.


A criação da coligação foi anunciada em Paris, durante uma reunião dos países aliados de Kiev. O reforço das defesas aéreas e antimíssil da Ucrânia esteve no centro dos encontros, numa altura em que os ataques russos continuam a atingir cidades, infraestruturas energéticas e outros alvos civis.


A primeira reunião foi dividida entre uma componente técnica e um encontro político. Entre os dirigentes presentes estiveram Emmanuel Macron, Volodymyr Zelensky, Pedro Sánchez e os chefes de governo da Dinamarca, Suécia, Noruega e Países Baixos.


Participaram ainda António Costa, Ursula von der Leyen e Mark Rutte, respetivamente presidente do Conselho Europeu, presidente da Comissão Europeia e secretário-geral da NATO.


A indústria europeia de defesa também esteve representada. Empresas como SENER, Safran, Thales, Diehl Defence, Hensoldt, Leonardo, Saab e Kongsberg participaram nas discussões, juntamente com os consórcios MBDA e Eurosam, responsáveis por vários programas europeus de mísseis e defesa aérea.


A coligação pretende promover projetos conjuntos de investigação e desenvolvimento, procurar novas fontes de financiamento e melhorar a partilha de informações. Não foi, contudo, divulgado um calendário para a entrada em funcionamento do sistema nem o investimento necessário para concretizar a ambição anunciada.


Embora tenha nascido com dez membros, a estrutura permanecerá aberta à adesão de outros países. A criação deste novo “escudo” revela uma Europa que procura reduzir lacunas na sua defesa e que começa a tratar a experiência militar da Ucrânia não apenas como uma necessidade de guerra, mas como um ativo estratégico para a segurança de todo o continente.


Dez países europeus criam “escudo” antimíssil — e dão à Ucrânia um papel decisivo na defesa do continente


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