Avançar para o conteúdo principal

Até onde é que o nosso corpo aguenta o calor?



 A capacidade do corpo humano de aguentar o calor depende de uma combinação de dois fatores principais: temperatura e humidade. Não existe um "número mágico" único na meteorologia, mas sim um limite biológico claro determinado pela física do nosso próprio suor.


Aqui está a explicação de onde fica esse limite e o que acontece quando o ultrapassamos:


O Limite Biológico: A Temperatura de Bolbo Húmido

O indicador mais preciso para medir o limite humano é a temperatura de bolbo húmido (que mede o calor considerando a capacidade da água/suor evaporar e arrefecer o ambiente).


O limite teórico: Durante muito tempo, estimou-se que o limite máximo de sobrevivência humana seria uma temperatura de bolbo húmido de 35 °C.


O limite real (mais recente): Estudos científicos demonstraram que, na prática, o corpo humano começa a vacilar muito antes. Para um jovem saudável, o limite crítico ronda os 31 °C de bolbo húmido com 100% de humidade.


Se traduzirmos isto para o "termómetro comum" que vemos nas previsões do tempo (temperatura de bolbo seco), os limites de tolerância variam drasticamente conforme a humidade do ar:


Com 100% de humidade: O limite está por volta dos 31 °C. Como o ar está completamente saturado de água, o suor não evapora. Sem evaporação, o corpo não arrefece.


Com 50% de humidade: O limite de tolerância sobe para cerca de 38 °C.


Em ar totalmente seco (0% de humidade): O corpo consegue aguentar temperaturas substancialmente mais altas por períodos curtos (na casa dos 50 °C ou mais, como num deserto ou numa sauna), desde que a pessoa esteja perfeitamente hidratada e o suor consiga evaporar instantaneamente para refrigerar a pele.


O Limite Interno: A Febre Letal

Independentemente do calor que faz na rua, o verdadeiro perigo é o calor que se acumula dentro de nós. O nosso organismo precisa de manter a temperatura interna do núcleo (órgãos vitais) nuns rigorosos 37 °C.


Aos 38 °C internos: O corpo entra em stress térmico. Começa a hiperventilar e o coração bate muito mais rápido para bombear sangue para a pele, tentando irradiar calor.


Aos 40 °C internos: Entra-se na zona de golpe de calor (insolação). Os mecanismos de regulação falham e a pessoa pode parar de suar completamente.


A partir dos 41 °C a 42 °C internos: É o limite crítico absoluto. A este nível, as proteínas do corpo começam a desnaturar (literalmente a "cozinhar") e as membranas celulares começam a destruir-se, levando à falha multiorgânica e ao coma.


O que dita a nossa resistência?

Nem todos aguentamos o mesmo. A tolerância ao calor cai significativamente dependendo de:


Idade: Idosos e crianças pequenas têm muito menos capacidade de termorregulação.


Hidratação: Sem água, não há suor; sem suor, o corpo colapsa em poucos minutos sob calor extremo.


Medicação e Saúde: Problemas cardíacos reduzem drasticamente a capacidade do corpo de bombear sangue para a pele para arrefecer.


Aclimatação: O corpo humano consegue habituar-se parcialmente a climas extremos ao fim de uma a duas semanas, aumentando a taxa de suor e o volume de sangue, mas nunca ultrapassa os limites físicos da termodinâmica.


Por Gemini

inspirado por:

Até onde é que o nosso corpo aguenta o calor? E como ter uma boa noite de sono? | Perguntas e Respostas | PÚBLICO


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Google: Desde a Carolina do Sul até Portugal: Sines acolhe novo cabo submarino

 Desde a Carolina do Sul até Portugal: Sines acolhe novo cabo submarino transatlântico da Google - CNN Portugal Desde a Carolina do Sul até Portugal: Sines acolhe novo cabo submarino transatlântico da Google O sistema de cabos Nuvem da Google vem juntar-se a outros dois cabos submarinos de alta capacidade que já ligam Portugal a outros continentes – o cabo Equiano, também detido pela Google, a conectar Portugal à África do Sul, passando por outros países do continente africano, e o EllaLink, que liga Sines ao Brasil, na América Latina A Google, detida pela Alphabet, tem um novo cabo submarino transatlântico a ligar o sul dos Estados Unidos da América a Sines, na costa vicentina. A informação foi avançada esta terça-feira pela empresa-mãe da Google em comunicado, no qual adianta que a nova ligação, já a funcionar, entre os EUA e Portugal surge perante um forte aumento na procura por computação em nuvem e por serviços de Inteligência Artificial (IA). Batizado "Nuvem", a remeter...

Queremos criar um centro altamente especializado na área dos drones em Oeiras

Tiago Bastos, coordenador do Oeiras Valley Innovation Lab. Foto: Hugo Amaral/ECO  O Oeiras Valley Innovation Lab quer ser um cluster de defesa na área de drones, acolhendo empresas como a Beyond Vision ou a UAVision. O coordenador Tiagos Bastos fala do projeto ao ECO/eRadar. Criar o primeiro laboratório de defence tech do país é um dos objetivos do Oeiras Valley Innovation Lab. O espaço está a posicionar-se como um cluster de indústria de defesa, com foco nos drones, acolhendo empresas como a Beyond Vision ou a UAVision. Tiago Bastos, coordenador do Oeiras Valley Innovation Lab, explica a ambição do projeto que está a ganhar asas em Oeiras: “Fazer um centro, um projeto de âmbito nacional, estratégico para Portugal, mas com impacto a nível internacional, especializado nos drones. Mas, sobretudo, especializado no desenvolvimento de prototipagem em tempo real.” Ligando academia, empresas e end users, ou seja, as Forças Armadas, explica. Alguma relação com o cluster de drones que Henri...