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António Costa não quis pagar meio milhão e despediu-a em directo pela TV; agora, a TAP terá de pagar 5,9 milhões de euros à ex-CEO!


Christine Ourmières-Widener foi presidente executiva da TAP entre junho de 2021 e abril de 2023.ANTÓNIO COTRIM/LUSA


Por Wilson:

António Costa e Pedro Nuno Santos não gostaram do acto de (boa) gestão da CEO ao pagar meio milhão de euros para afastar Alexandra Reis, acabando por despedir a CEO da TAP, Christine Ourmières-Widener — mesmo tendo esta cumprido todos os objectivos da companhia —, em directo pela TV, através dos seus peões políticos João Galamba e Fernando Medina. Agora, a TAP terá de pagar 5,9 milhões de euros à ex-CEO: 12 vezes mais!

A TAP, por sua vez, diz que a culpa é do governo de António Costa e, portanto, recusa-se a pagar.


Por Dinheiro Vivo:

 Christine Ourmières-Widener, ex-CEO da TAP que foi afastada da companhia aérea em 2023, ganhou uma primeira batalha jurídica contra a empresa, avançou esta terça-feira, 14 de julho, o Jornal de Negócios. A informação foi entretanto confirmada pelo Diário de Notícias. O Supremo Tribunal de Justiça deu razão à gestora, que pedia que o processo fosse julgado num tribunal cível - será o de Lisboa a fazê-lo - e não num tribunal administrativo, como pedia a transportadora aérea.


Em causa está a indemnização de 5,9 milhões de euros reclamada pela gestora.


"O Supremo Tribunal de Justiça confirmou, de forma inequívoca, que a relação entre Christine Ourmières-Widener e a TAP é uma relação de administração de matriz societária e de direito privado e não uma relação jurídica administrativa", refere a assessoria de imprensa da antiga responsável numa nota enviada ao DN.


“O Supremo foi claro: as empresas públicas constituídas sob forma de sociedade anónima regem-se pelo direito privado societário, e a existência de especialidades ditadas pelo interesse público não altera essa natureza", continua a mesma nota. "O tribunal afastou expressamente a tese de que a designação de um gestor público criaria uma relação administrativa tripartida entre o gestor, a empresa e o Estado, sublinhando que a relação de administração entre o gestor e a sociedade não é afetada pela intensidade da superintendência pública sobre a empresa".


Não sendo passível de recurso, a decisão do STJ é, assim, final. Três anos depois, deverá ser possível dar início ao julgamento do processo. À mesma publicação, a antiga CEO da TAP congratulou-se pelo desfecho desta primeira batalha. "A decisão do Supremo Tribunal de Justiça confirma definitivamente que o Tribunal Central Cível de Lisboa é o tribunal competente para apreciar esta ação, reconhecendo que o litígio decorre de uma relação de natureza societária e não administrativa. Com esta decisão, fica encerrada uma longa discussão processual e o processo pode, finalmente, avançar para a apreciação do seu mérito", refere a gestora ao DN.


Christine Ourmières-Widener continua a admitir que está disponível para chegar a um acordo que evite uma ida a tribunal, mas garante que se este não chegar, confia absolutamente na justiça portuguesa.


"Desde o início, o objetivo sempre foi que os factos fossem apreciados de forma independente e imparcial pelo tribunal competente. Existe plena confiança de que a justiça portuguesa fará uma apreciação rigorosa dos factos e do direito. Como já tive oportunidade de afirmar, continuo disponível para uma solução justa e equilibrada que permita encerrar este processo. Não sendo esse o caminho, aguardarei com serenidade que o Tribunal Central Cível de Lisboa aprecie o mérito da ação", conclui Ourmières-Widener.


Recorde-se que Chistine Ourmières-Widener foi demitida a 6 de março de 2023 pelos ministros das Finanças e das Infraestruturas de António Costa, Fernando Medina e João Galamba, respetivamente, na sequência do relatório da Inspeção-Geral das Finanças (IGF), sobre a indemnização de meio milhão de euros paga pela TAP a Alexandra Reis. 


O documento concluía que o acordo para a saída da antiga administradora é nulo, levando o Governo a exonerar, por justa causa, além da gestora francesa, também o presidente do Conselho de Administração da transportadora aérea, Manuel Beja.


O parecer da IGF considerou o pagamento "ilegal", responsabilizando Ourmières-Widener e Beja pela assinatura do acordo para a saída de Alexandra Reis, em fevereiro de 2022, violando o estatuto de Gestor Público.


A gestora francesa avançou para a justiça em setembro de 2023, exigindo uma indemnização de 5 943 196,16 euros que inclui as verbas às quais teria direito até ao final do contrato em 2025, bem como a prémios de desempenho relativos aos lucros que a companhia alcançou em 2022, antecipando as metas estabelecidas pela Comissão Europeia no plano de reestruturação. Chistine Ourmières-Widener pede ainda uma parcela por danos reputacionais e por ter sido destituída sem o cumprimento do pré-aviso de 180 dias.


Já a TAP defende que a ex-CEO só teria direito a uma indemnização de 432 mil euros.


No início do ano, o atual CEO da empresa pública disse que a TAP "não fez mal" à sua antecessora. “ O que a companhia aérea diz é o seguinte: A companhia aérea não fez mal nenhum à senhora engenheira Christine Ourmières-Widener. Portanto, não aceita que haja um processo contra a própria companhia e é contra isso que vamos continuar a lutar”, referiu Luís Rodrigues em declarações aos jornalistas, num encontro na BTL em fevereiro, quando questionado pelo processo que se arrasta há quase três anos.


Supremo Tribunal de Justiça confirma vitória de Christine Ourmières-Widener contra TAP e abre caminho ao julgamento sobre indemnização milionária


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