Avançar para o conteúdo principal

Organizações internacionais pedem ajuda da ONU para intervenção na Venezuela


A Human Rights Watch (HRW), os Centros de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins e dos Direitos Humanos e a Saúde Humanitária e a Women’s Link Worldwide pedem aos Estados-membros e doadores que apoiem a “assistência humanitária apolítica” na Venezuela, que, segundo os mesmos, vive “uma situação extrema”.

Várias organizações pediram hoje ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e aos países-membros que pressionem o governo da Venezuela a permitir o apoio de agências humanitárias internacionais para ajudar a “impedir a disseminação” da covid-19.

A Human Rights Watch (HRW), os Centros de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins e dos Direitos Humanos e a Saúde Humanitária e a Women’s Link Worldwide pedem aos Estados-membros e doadores que apoiem a “assistência humanitária apolítica” na Venezuela, que, segundo os mesmos, vive “uma situação extrema”.

Como indicado por aquelas organizações, através de uma declaração divulgada pela HRW, a situação naquele país do Caribe “é extrema” e até já “antes da pandemia o sistema de saúde já havia entrado em colapso”.

Por isso, consideram que “não está preparado para enfrentar a situação da atual crise de saúde”.

O assunto será tratado no âmbito de um evento especial da ONU, organizado pelas missões permanentes da Alemanha e da República Dominicana em Nova York, intitulado “Ajudando a Venezuela a enfrentar a emergência humanitária durante a pandemia de covid-19”.

“O precário sistema de saúde venezuelano, enfraquecido por anos de negligência na infraestrutura, escassez de medicamentos e suprimentos e sérias interrupções no fornecimento de água, não está em posição de impedir a propagação da covid-19, para atender com segurança os doentes infetados ou proteger os profissionais de saúde”, disse Kathleen Page, médica e investigadora.

Page, membro da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins e dos Centros de Saúde Pública e Direitos Humanos da universidade, disse que a precariedade da Venezuela não permite enfrentar um desafio como o da pandemia de covid-19.

As organizações lembraram que, no início de junho passado, o ministro da Saúde da Venezuela, Carlos Alvarado, e a Assembleia Nacional da maioria da oposição (AN) assinaram um acordo para coordenar esforços que buscam obter financiamento internacional que reforce a capacidade do país de responder à pandemia do novo coronavírus.

Embora os suprimentos tenham sido recentemente distribuídos nos centros de saúde, no âmbito do acordo, este ainda “deve ser implementado na íntegra e sua execução deve ser monitorizada por terceiros independentes que garantam que a assistência chegue aos venezuelanos que precisam, o que não significa que esteja a acontecer”, sublinham.

“Nos hospitais, não há suprimentos básicos para prevenir infeções e tratar doenças. Muitos têm acesso intermitente à água, enfrentam cortes regulares de energia e têm poucos medicamentos, ventiladores ou equipamentos de proteção para o pessoal médico e de enfermagem”, detalha a nota da HRW.

Na opinião das organizações participantes, a pandemia “exacerbou a emergência preexistente, que se deve principalmente às medidas tomadas pelo Governo de Nicolás Maduro”.

“As condições de pobreza e desnutrição em que muitos venezuelanos se encontram criam um ambiente favorável para a disseminação de doenças infecciosas”, acrescenta o documento.

As mesmas organizações consideram “duvidosas” as cifras da pandemia apresentadas pelas autoridades venezuelanas e a HRW lembra que as autoridades venezuelanas notificaram 16.571 casos confirmados da covid-19 e 151 mortes como resultado da doença, mas que “o número real é certamente muito maior, devido à disponibilidade limitada de testes confiáveis e à falta de transparência, perseguição a profissionais de saúde e jornalistas que reportam sobre o assunto”.

Segundo especialistas de diferentes organizações, as autoridades venezuelanas “não devem interferir na distribuição equitativa da assistência e devem permitir que a ONU faça tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar a população venezuelana”.

“Isso significa conceder aos trabalhadores humanitários acesso total a todos os hospitais e clínicas, permitindo-lhes circular livremente no país, apesar das restrições relacionadas com a quarentena, e dando-lhes acesso prioritário ao combustível, além de acabar com a retaliação contra os trabalhadores da área da saúde que divulgam informações verdadeiras sobre a covid-19”, enfatizam.

Insistem igualmente que o governo venezuelano deve “permitir que especialistas independentes analisem e publiquem todos os dados epidemiológicos disponíveis, desagregados por género, idade e local”.

A ideia é que haja “maior transparência” em relação à magnitude da emergência humanitária, divulgando um registo preciso de casos e mortes confirmados da covid-19 e retomando a publicação periódica de relatórios detalhados sobre mortalidade e morbidade”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 660 mil mortos e infetou mais de 16,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.725 pessoas das 50.613 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Hidrogénio verde deve começar a ser produzido em Sines em 2025

 © Paulo Spranger/Global Imagens  GreenH2Atlantic é o projeto que integra empresas como a EDP, Galp, Martifer, Efacec e Bondalti, e que acaba de receber luz verde de Bruxelas. Construção da unidade industrial apontada para 2023. Início da produção em 2025. A partir da central termoelétrica de Sines vai começar-se a produzir hidrogénio renovável (leia-se verde) dentro de quatro anos, graças ao projeto GreenH2Atlantic. Este projeto é responsabilidade de um consórcio de 13 entidades e acaba de ser selecionado por Bruxelas para ser apoiado por um fundo de 30 milhões de euros, no âmbito do programa Horizon 2020 - Green Deal, foi esta terça-feira anunciado. "Um consórcio de 13 empresas e parceiros de investigação foi selecionado pela Comissão Europeia no âmbito do Green Deal para desenvolver um projeto de produção de hidrogénio verde de 100 MW [megawatts] em Sines", lê-se num comunicado da EDP, que integra o projeto. O consórcio integra também a Galp, a Martifer, a Efacec, a Engie,...

Citi e Bank of America são mais dois bancos dos EUA a restringir acesso de IA a contas de clientes

 Nova York e Londres |Financial Times Citigroup e Bank of America tornaram-se os mais recentes bancos dos EUA a restringir o acesso de agentes de IA às contas de clientes, em meio a preocupações expostas pelas instituições aos órgãos reguladores de que esses agentes possam esvaziar depósitos ao movimentar recursos ociosos em busca de rendimentos mais altos. O Citi afirmou não permitir que "agentes ou assistentes de IA de terceiros acessem a conta de um cliente ou realizem transações diretamente em nossas plataformas bancárias digitais", informando que a medida foi concebida para ajudar a proteger as contas e as informações dos clientes. Brian Moynihan, do Bank of America, também indicou que o banco passou a restringir o acesso de agentes de IA aos depósitos de pessoas físicas enquanto elabora protocolos para determinar qual entidade seria, em última instância, responsável por pagamentos autorizados por inteligência artificial. Reflexo de quatro pedestres caminhando em frente ...