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Arrancou a corrida ao hidrogénio (a “ideia megalómana” de Costa que não custará uma “tragédia”)


O Governo revela, nesta segunda-feira, os projectos escolhidos no âmbito da Estratégia Nacional para o Hidrogénio. O primeiro leilão de hidrogénio será no início de 2021, segundo o secretário de Estado da Energia, João Galamba, que descansa aqueles que como Rui Rio falam de uma “ideia megalómana”, garantindo que o investimento não será “uma tragédia” para o país.

Nesta segunda-feira, serão divulgados os projectos privados que cumprem os requisitos para integrar a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (ENH) e que, portanto, vão concorrer ao apoio de fundos comunitários.

O investimento privado na ENH deverá ser superior a 8 mil milhões de euros até 2030, segundo o que tem sido anunciado, prevendo-se que o Governo ponha na mesa mais mil milhões de euros em fundos públicos.

A versão final da ENH que deve ser aprovada, nesta quinta-feira, em Conselho de Ministros prevê que a aposta no hidrogénio, que já foi definida por António Costa como fundamental para construir “o país do futuro”, no caminho da descarbonização, crie entre 8 a 12 mil postos de trabalho qualificados até 2030.

“Esta é uma oportunidade para o investimento, a qualificação e a modernização da nossa indústria e do nosso tecido científico e de inovação, e também para a criação de emprego em sectores que terão um valor acrescentado bruto em princípio maior, porque vão substituir importações fósseis por produtos endógenos. São boas notícias para o emprego e para os salários”, considera no Jornal de Notícias o secretário de Estado da Energia, João Galamba.

Entre os projectos que devem integrar a ENH deve estar o H2Sines que junta a EDP e a Galp, num consórcio com a REN e empresas nacionais e internacionais, num investimento de 1,5 mil milhões de euros até 2030, conforme avança o Eco. Este megra-projecto destina-se a criar uma central de produção de hidrogénio verde em Sines.

Outro projecto que deverá ser aprovado é o H2Enable da Bondalti Chemicals para Estarreja, num investimento de 2,4 mil milhões de euros.

Ao Eco, João Galamba explica que o Governo quer “projectos grandes, médios e pequenos, em todo o país”. “Sines será sempre um hub muito importante para o hidrogénio, mas não diremos não a um grande projecto industrial como é o da Bondalti, que se pode considerar como uma nova Autoeuropa pela sua dimensão industrial e impacto positivo na economia portuguesa”, considera o governante, notando que “o projecto tem como uma das suas valências a substituição integral de amoníaco fóssil por amoníaco verde, com potencial de exportação deste novo produto”.

João Galamba acrescenta ainda que o “grande projecto para Sines” da EDP e da Galp não deverá ser o único, já que chegaram mais “projectos com sentido e com dimensão razoável”.

“Crime económico é ser contra o hidrogénio”
O secretário de Estado da Energia também responde às críticas de Rui Rio que, no Parlamento, durante o debate do Estado da Nação, falou dos planos do Governo para o hidrogénio como uma “ideia megalómana”.

“Receio que tenhamos pela frente mais um episódio de rendas garantidas, agora para o hidrogénio”, apontou Rio, questionando porque é que a “fatia de leão” do investimento será em Sines quando “os custos de transporte do hidrogénio são brutais”.

“Será que é em Sines porque este negócio interessa mais à EDP do que aos portugueses, a exemplo do negócio de rendas excessivas que agora o Ministério Público está a investigar?”, perguntou Rio a Costa.

Na resposta, o primeiro-ministro acusou o PSD de estar “fossilizado nas energias fosseis”, referindo-se ao hidrogénio como essencial para transformar Portugal num “país do futuro”.

“Portugal tem condições únicas para ser o grande produtor de hidrogénio verde na Europa, porque dispõe de água abundante no mar e energia solar barata. Não é por acaso que estamos no coração da estratégia europeia para o hidrogénio verde. Não é uma ideia bizarra do Governo português”, afirmou ainda Costa.

João Galamba reforçou a ideia de Costa e lembrou que a Câmara de Estarreja, que “apoia o projecto de hidrogénio mais megalómano de todos, o da Bondalti”, é liderada pelo PSD.

Em entrevista à SIC, o Secretário de Estado já tinha tido que “megalómano é achar que Portugal pode dizer não ao dinheiro europeu, e ficarmos alegremente sozinhos enquanto a caravana passa, sem descarbonizarmos e expondo a economia portuguesa“. “Crime económico é ser contra o hidrogénio”, considerou também.

Agora, em declarações ao Jornal de Negócios, João Galamba realça que o investimento que Portugal vai fazer no hidrogénio verde não é “uma tragédia”. O governante diz que “não tem pés nem cabeça” a ideia de que serão gastos mundos e fundos na ENH, salientando que o hidrogénio vai receber menos de 1% dos 45 mil milhões de euros que Portugal vai receber da União Europeia nos próximos anos.

Primeiro leilão de hidrogénio no início de 2021
Em declarações ao Eco, João Galamba também revela que o primeiro leilão de hidrogénio em Portugal deverá ser já no início de 2021. A produção de hidrogénio verde poderá, assim, arrancar no final de 2021 ou no início de 2022.

“Teremos um envelope financeiro para atribuir, um volume total de hidrogénio que queremos apoiar e faremos um leilão”, salienta o secretário de Estado no Eco.

O anúncio da lista final dos candidatos que vão integrar a ENH será feito nesta segunda-feira e João Galamba destaca que o objectivo é que a candidatura portuguesa aos fundos europeus, para apoio à produção de hidrogénio verde, inclua um “pipeline de projectos robustos, maduros e enquadráveis na estratégia europeia”, conforme declarações ao Eco.

João Galamaba reforça, contudo, que os projectos serão escolhidos “com conta peso e medida: não vamos levar 500 projectos a Bruxelas, mas se tivermos 20 ou 30, será o ideal”, constata.


Comentário do Wilson:
O governo continua a não explicar, talvez porque não lhe convenha, qual o racional económico destes projectos que leva a tanto interesse dos privados num mercado que ainda não existe e portanto os riscos são grandes.

Quem assume os riscos?

é por isso que há quem chame a isto "O Crime Económico do Hidrogénio":


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