Avançar para o conteúdo principal

Precisa de cortar despesas? Veja este guia.


A pandemia trouxe desafios para muitas famílias, mas também pode trazer oportunidades de poupança. Veja onde pode cortar e quais as despesas que pode renegociar.

No início do mês de Abril, já existiam quase meio milhão de portugueses em regime de lay-off. Muitas famílias vêem-se privadas dos rendimentos e são forçadas a apertar o cinto para fazer face às despesas essenciais. Já aquelas que conseguiram preservar o emprego podem aproveitar a pandemia para poupar. Veja as sugestões de Bárbara Barroso, fundadora do MoneyLab.



3 passos para começar a poupar:

Faça um orçamento, com mapa de receitas e despesas. Pode fazer em Excel ou usar um caderno. Também pode recorrer a aplicações para telemóvel.
Divida as suas despesas em essenciais e não essenciais.
A partir daqui, é começar a reduzir, eliminar e renegociar.


O que reduzir, eliminar e renegociar

Se está em casa, na maior parte do tempo, não gasta dinheiro em transportes, seja combustível, portagens, estacionamento ou passe para transportes públicos e outras soluções de mobilidade partilhada. Em sentido oposto, a fatura das despesas em casa pode começar a pesar mais. Pelo meio, também pode rever contratos, nos quais, se calhar, ainda nem pensou. Sejam pequenas poupanças ou mais significativas, o momento para passar tudo em revista é agora.



Renegociar o crédito habitação

Verifique quais as condições do seu crédito habitação e compare com as de outros Bancos. Tome nota do spread e dos produtos que é obrigado a contratar, como cartões de crédito ou seguros. Nesta altura, em que a Banca está a facilitar o financiamento, poderá encontrar propostas mais vantajosas noutras instituições e conseguir poupar na prestação mensal. “Para quem tenha spreads acima de 1,5%, atualmente encontra no mercado ofertas abaixo disso”, explica Bárbara Barroso. Por isso, deve “fazer simulação no próprio Banco ou outros”. No mesmo sentido, “as famílias que estejam em lay-off podem verificar as moratórias que existem para crédito habitação e pessoal”. Ou mesmo para a renda da casa. No entanto, a fundadora do MoneyLab frisa que, ao adiar esta despesa, “depois há um custo acrescido”. Como tal, pondere bem antes de decidir.



Consolidar créditos

O crédito consolidado permite juntar vários créditos num só. Por norma, a taxa de juro é mais baixa do que a média das taxas de juros de todos os créditos que tinha anteriormente. O que significa que vai pagar uma prestação mensal mais baixa. No entanto, segundo Bárbara Barroso, “quando consolidamos, estamos a juntar créditos de curto prazo a longo prazo”. Ou seja, estamos a prolongar o tempo em que vamos pagar estes créditos. O que significa que, na prática, “embora, por mês, vá pagar menos, no final, vai sair mais caro”. Ainda assim, a fundadora do MoneyLab admite que “pode fazer sentido para famílias que tenham um orçamento muito apertado”. Uma nota importante a reter é que a poupança mensal obtida com a consolidação de créditos “deve ser usada para planear um abate a esse crédito e ter folga para fazer face a despesas essenciais” e não para aumentar o consumo ou o endividamento.



Rever os seguros

Reveja as apólices dos seus seguros e, depois de identificar as suas necessidades, “entre em contacto com as seguradoras para reduzir os custos”. Seja seguro de vida, multiriscos, automóvel ou de saúde, nesta fase, pode haver uma margem para negociar. Além disso, mesmo num crédito habitação, em alguns casos, pode optar por manter o crédito na mesma instituição bancária e mudar os seguros para outra, conseguindo, assim, obter poupanças.



Telecomunicações

Durante a pandemia, as várias operadoras estão a fazer ofertas, desde canais de tv a dados. Verifique os pacotes de que dispõe atualmente, assim como as necessidades, por estar mais em casa, e confirme, junto das operadoras se pode obter poupanças ou ter uma maior oferta a preços reduzidos.



Água, luz e gás

Nesta fase de pandemia, em que a maioria das pessoas está em isolamento, vale a pena voltar a olhar para as faturas de água, luz e gás. Segundo Bárbara Barroso, com as famílias em casa, “a fatura da electricidade acaba por ser a que pesa mais”. Por isso, sugere: “Procurem ver se a tarifa que têm, atualmente, em casa está adequada. Se calhar muitas famílias tinham tarifa bi-horária, mas agora não estão em casa só à noite. Se passarem o dia a fazer máquinas de roupa, podem estar a gastar mais. Por isso, vale a pena fazer simulação de tarifas”.



Planear refeições

Segundo um barómetro da Nielsen, com a pandemia, a procura por compras de supermercado triplicou. Em apenas uma semana, os portugueses gastaram mais 30 milhões de euros do que no mesmo período do ano passado. Por isso, Bárbara Barroso sugere que uma das forma de poupar passa por planear refeições: “Por exemplo, ao domingo, podemos planear a semana toda. Seja a viver sozinha, em casal ou com a família”. Além disto, a especialista em finanças pessoais dá uma dica que deve ser posta em prática o ano inteiro e não apenas em época de crise: “Devemos fazer um levantamento do que tem a despensa e ter uma folha colada na porta, que funciona como um inventário de tudo o que a despensa tem, com a data à frente”. Ao apostar na organização, é mais fácil planear um menu, aproveitar tudo o que tem em casa e alimentar-se melhor. Além, claro, de poupar dinheiro.



Troca de serviços

Durante a crise financeira entre 2009 e 2011, “surgiram muitas trocas de serviços”, lembra Bárbara Barroso. Por exemplo, “uma pessoa sabe fazer o IRS, a outra tem uma horta. Então uma faz o IRS e a outra dá-lhe legumes e batatas”. Além disso, a fundadora do MoneyLab lembra que, nesta altura, podemos “aproveitar os momentos que estamos em casa para aumentar o nosso valor, através do conhecimento”. Desde cursos online, formações ou talks dadas por especialistas, existe um leque de oferta muito variada e (quase sempre) gratuita. “Já que antes gastávamos tempo nos transportes, agora podemos tirar essa meia hora para investir em conhecimento”, remata.



Evitar tentações online

“Estamos a manter elos de ligação através do digital e o mesmo acontece com o consumo”, afirma Bárbara Barroso. Uma vez que “estamos muito mais tempo online” e “as marcas estão mais agressivas, a fazer muitas campanhas, ao estarmos confinados, pode haver essa tentação, em termos de economia comportamental, sobretudo para as gerações mais jovens. Algo como ‘Estou entediado, vou fazer compras online”. Por isso, procure ceder à tentação e limitar os seus gastos apenas ao essencial.





Prudência e poupança: as chaves para um futuro (mais) descansado

Idealmente, devemos poupar sempre, durante o ano inteiro e não, apenas, lembrarmo-nos disso em momentos de crise ou quando temos um rendimento extra. Se não consegue poupar muito, poupe pouco. O importante é começar.



Fundo de emergência

Para Bárbara Barroso, até ao momento, o ideal era “ter um montante no fundo de emergência que fosse suficiente para cobrir 6 a 12 meses da nossa despesa mensal”. Desde que surgiu a pandemia, aconselha que este fundo deve cobrir, pelo menos, um ano das despesas da família. E exemplifica: “Se, por exemplo, o meu rendimento é de 1.000€ por mês, o meu fundo deve ter 12 mil euros”. Para quem não consegue constituir, nesta altura, um fundo de emergência, a especialista em finanças pessoais sublinha que “o importante é começar”. Mesmo que o seu fundo seja equivalente a, apenas, um mês de ordenado, deve “ter como objetivo aumentar essa poupança”. E, no mesmo sentido, “se não puder fazer um fundo de emergência tão grande, faz mais pequeno”.



Como aplicar dinheiro

“A não ser os certificados de aforro, poucos produtos têm rendibilidade”, explica Bárbara Barroso. No entanto, “a desvantagem dos certificados é que não podemos mobilizá-los nos primeiros três meses”. O que significa que, se tiver uma emergência e precisar desse dinheiro, não pode resgatá-lo. Por isso, a fundadora do MoneyLab propõe uma estratégia: “Se já tiver três meses de fundo de emergência, deixa esse valor num depósito a prazo ou conta-ordenado remunerada e, à medida que for poupando mais, vai colocando nos certificados de aforro”.

https://www.contasconnosco.pt/artigo/precisa-de-cortar-despesas

Comentários

Notícias mais vistas:

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...

Os professores

 As últimas semanas têm sido agitadas nas escolas do ensino público, fruto das diversas greves desencadeadas por uma percentagem bastante elevada da classe de docentes. Várias têm sido as causas da contestação, nomeadamente o congelamento do tempo de serviço, o sistema de quotas para progressão na carreira e a baixa remuneração, mas há uma que é particularmente grave e sintomática da descredibilização do ensino pelo qual o Estado é o primeiro responsável, e que tem a ver com a gradual falta de autoridade dos professores. A minha geração cresceu a ter no professor uma referência, respeitando-o e temendo-o, consciente de que os nossos deslizes, tanto ao nível do estudo como do comportamento, teriam consequências bem gravosas na nossa progressão nos anos escolares. Hoje, os alunos, numa maioria demasiado considerável, não evidenciam qualquer tipo de respeito e deferência pelo seu professor e não acatam a sua autoridade, enfrentando-o sem nenhum receio. Esta realidade é uma das princip...

ADSE muda regras dos óculos: reembolso passa a ter limite anual de 180 euros

 A ADSE vai alterar as regras de reembolso dos óculos, introduzindo um teto anual de 180 euros no regime livre, mantendo a comparticipação de 80%. Deixa assim de haver limites quanto ao número de armações e lentes, que até agora eram definidos por períodos de três anos. As mudanças abrangem também exames e cirurgias, com revisão da tabela de preços da radiologia e da gastroenterologia e inclusão de novos atos, sobretudo TAC e ressonâncias magnéticas, permitindo acesso a técnicas mais avançadas sem aumento dos encargos para os beneficiários, segundo avançou o ECO. As alterações terão um impacto orçamental estimado em 15,4 milhões de euros por ano para a ADSE, sistema de proteção na doença da função pública. A revisão das tabelas de preços abrange cerca de 200 atos médicos e inclui mais de uma centena de novos códigos, sobretudo na área da radiologia, com o objetivo de atualizar os valores de referência e alargar o acesso a cuidados mais diferenciados. ADSE muda regras dos óculos: re...