Avançar para o conteúdo principal

Milhares de contas russas no Twitter foram usadas para influenciar referendo do Brexit

Investigadores concluíram que nos dias anteriores à votação do referendo sobre o Brexit, centenas de contas falsas no Twitter com origem russa tentaram influenciar a decisão da saída do Reino Unido da União Europeia.

De acordo com uma investigação da Universidade de Swansea, no País de Gales, e da Universidade da Califórnia, nos EUA, mais de 156 mil contas do Twitter, com origem na Rússia, emitiram opiniões nos dias antes da votação do referendo sobre o Brexit.

Além disso, segundo uma outra investigação da Universidade de Edimburgo, na Escócia, 419 dessas contas falsas têm origem na Agência de Pesquisa da Internet russa (IRA), ligada diretamente ao Kremlin e conhecida por também ter interferido nas eleições americanas ganhas por Donald Trump.

Embora tenham sido publicados tweets favoráveis à permanência do Reino Unido na União Europeia, os investigadores concluíram que a maioria das contas foram utilizadas para partilhar opiniões favoráveis à saída da UE e para espalhar o medo sobre a comunidade muçulmana, avança o New York Times.

Por exemplo, uma dessas contas, com o nome Lone Star Ranger, espalhou mensagens anti-islâmicas depois do ataque terrorista em Londres, nomeadamente com um tweet em que dizia que uma mulher islâmica tinha ignorado vítimas enquanto passava por elas.

Russian trolls behind photo of Muslim woman 'ignoring Westminster Bridge terror victims' - then picked up by far-right activists http://www.independent.co.uk/news/uk/politics/man-muslim-woman-london-terror-attack-phone-russian-troll-identity-a8052961.html … #racism
07:31 - 14 de nov de 2017

Russian trolls behind photo of Muslim woman 'ignoring Westminster terror victims'
A Twitter account which tweeted a picture of a Muslim woman wrongly accused of ignoring the Westminster terror attack has been revealed as one of the thousands of fake accounts set up by a Russian...
independent.co.uk

Na segunda-feira, a primeira-ministra britânica, Theresa May, fez um duro discurso sobre a Rússia, acusando este país de usar ciberataques e de usar propaganda para “minar sociedades livres” e “semear discórdias no Ocidente”.

“Nós sabemos o que vocês andam a fazer”, acrescentou a governante, que já está a ser pressionada pelos opositores do Partido Trabalhista para que o Governo faça pressão junto dos gigantes da Internet, tal como o Facebook e o Twitter, para que revelem até que ponto os seus sistemas foram hackeados.

Enquanto a própria primeira-ministra sugere a ingerência da Rússia no referendo, o discurso de Boris Johnson, secretário de Estado para os Assuntos Externos e seu rival direto dentro do partido Conservador, alinha-se ao de Donald Trump. Ambos defendem o Governo de Vladimir Putin, que continua a negar esta alegada interferência na política interna dos EUA ou do Reino Unido.

Segundo o Washington Post, as autoridades russas consideram estar a ser usadas como um bode expiatório. “A sociedade britânica não está a atravessar o melhor momento com o processo do Brexit. É compreensível que um inimigo externo seja necessário para desviar as atenções sobre o papel escolhido para a Rússia. É profundamente lamentável“, escreveu no Twitter Sergei Lavrov, ministro russo das Relações Exteriores.

Além do Reino Unido, os russos também estão a ser acusados de interferir no processo independentista catalão. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, reagiu “lamentando profundamente que a onda de campanhas antirrussas que foi gerada nos media ocidentais tenha sido elevada em Madrid a nível oficial no contexto da crise catalã” e deixou um aviso: a única coisa que estas acusações sem provas fazem é “prejudicar as relações entre Rússia e Espanha“.

https://zap.aeiou.pt/milhares-de-contas-russas-no-twitter-foram-usadas-para-influenciar-referendo-do-brexit-180808

Comentários

Notícias mais vistas:

Este restaurante é tão bom que há pessoas proibidas por lei de irem lá comer

  Não é um local que sirva para ir todos os dias, mas antes em ocasiões bastante especiais. Ainda assim, nem nessas circunstâncias algumas pessoas podem entrar, mesmo que ninguém saiba porquê Como refúgio secreto outrora reservado aos antigos imperadores da China, para além da vigilância dos homens de negro que guardam a entrada em frente ao histórico Templo Lama de Pequim, um estreito caminho de pedra conduz silenciosamente a um pátio. A névoa flutua suavemente ao longo da passadeira. No final do mesmo, uma mulher envolta num manto simples sobre um vestido tradicional chinês aguarda junto a um muro caiado que protege o pátio das ruas movimentadas da antiga Pequim. Com um gesto delicado, convida os visitantes a entrar no restaurante. Não é o tipo de restaurante que se frequenta todos os dias. É um local reservado para ocasiões especiais: pedidos de casamento, aniversários ou receções. Contudo, há um tipo de convidado que não pode desfrutar do elegante estabelecimento, nem mesmo em ...

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Trump anuncia que cessar-fogo com Irão “acabou” e corta relações comerciais com Espanha

 "Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles", avisou o Presidente norte-americano, a partir de Ancara, quando questionado sobre se o memorando de entendimento com Teerão tinha chegado ao fim. O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que o memorando de entendimento assinado com o Irão para pôr fim ao conflito “acabou”, acrescentando que não quer manter contactos com Teerão e referindo-se aos líderes iranianos como “pessoas doentes”. As declarações do líder da Casa Branca, que se encontra em Ancara, na Turquia, para participar na cimeira da NATO, surgem após os Estados Unidos terem lançado novos ataques militares contra o Irão e revogarem uma licença que permitia a Teerão vender petróleo, em resposta aos ataques a três petroleiros. “É uma questão muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles. São escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes“, afirmou o Chefe de Estado norte-americano, quando questionado...