Avançar para o conteúdo principal

Ministro da Educação de Passos Coelho contra-ataca: queda na avaliação de alunos do 4.º ano a Matemática é responsabilidade do atual Governo


Nuno Crato refere ainda que a descida, expressa num estudo internacional relativo a 2019 e que comprara com os dados de 2015, ano em que o PS chegou ao Governo, “exige ser muito seriamente analisada”. O ex-ministro considera ainda “lamentável que essa análise seja evitada e substituída por acusações irresponsáveis e falsas” por parte da atual equipa ministerial

O secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, responsabilizou o Governo de Pedro Passos Coelho pela descida do desempenho dos alunos do 4.º ano, em Matemática, na avaliação internacional Trends in International Mathematics and Science Study [TIMSS] - ver AQUI. Nuno Crato, ministro da Educação desse Governo (2011-2015), reagiu numa nota enviada ao Expresso e falou em “acusações irresponsáveis e falsas”. Mais: o ex-governante diz que a reversão do progresso de 2015 é consequência “de uma série de medidas entretanto adotadas” pelo Governo atual.


“Depois de quase uma década de melhorias contínuas que nos levaram, em 2015, aos melhores resultados internacionais de sempre, tanto no PISA como no TIMSS, esta é uma descida que exige ser muito seriamente analisada”, pode ler-se na nota. “É lamentável que essa análise seja evitada e substituída por acusações irresponsáveis e falsas por parte desta equipa ministerial. E é esta equipa que tem conduzido desde 2016 a educação em Portugal e que deveria refletir sobre as suas responsabilidades. Nunca, na história da nossa democracia, se assistira a um passa-culpas deste nível.”


Crato devolve a acusação e aponta a mira para o atual Executivo. “A reversão do progresso comprovado em 2015 é, certamente, resultado de uma série de medidas entretanto adotadas. A avaliação externa no 4.º ano, que vinha desde 2001 com provas de aferição e depois com provas finais em 2014, foi abolida e não foi substituída por nenhuma forma de avaliação externa. A obrigatoriedade de mais horas em Matemática e em Português e da frequência do apoio ao estudo também foi eliminada.”


E conclui: “As Metas Curriculares, que estavam em vigor em 2015 e pelas quais foram preparados os alunos então avaliados, não sofreram alterações até hoje. O que mudou foi a avaliação, ou a falta dela, e foi a ‘flexibilidade curricular’ e a natureza vaga das ‘aprendizagens essenciais’ que aboliram as prioridades curriculares e geraram um discurso e prática de menor ambição, menosprezando as Metas e reduzindo em muito o seu impacto positivo. Em 2015, os estudantes do 4.º ano que nos encheram de orgulho tinham feito todo o seu percurso escolar entre 2011 e 2015, numa cultura de exigência, de avaliação e de valorização do conhecimento. Os alunos avaliados pelo TIMSS em 2019 não tiveram esse percurso. É sobre isto que é preciso tirar lições”.


Puxando a fita a 2015, os alunos portugueses do 4.º ano conseguiram melhores resultados a Matemática do que os colegas finlandeses, por exemplo, explica este artigo do Expresso. Em 2019 observou-se uma descida na média de 541 para 525, o que ainda assim significa estar acima da média de 500 pontos na escala usada pelo TIMSS, que vai de 0 a 1000. Ou seja, Portugal terminou agora na 20.ª posição num total de 58 participantes. Em 2015, os alunos do 4.º ano do nosso país terminaram em 13.º lugar. A avaliação internacional realiza-se de quatro em quatro anos.


https://amp.expresso.pt/sociedade/2020-12-08-Ministro-da-Educacao-de-Passos-Coelho-contra-ataca-queda-na-avaliacao-de-alunos-do-4.-ano-a-Matematica-e-responsabilidade-do-atual-Governo

Comentários

Notícias mais vistas:

Vem aí um Super El Niño histórico em 2026: o que significa para Portugal

  Se tens acompanhado as notícias sobre o clima, já percebeste que a meteorologia de 2026 promete ser muito complicada. Efetivamente, os especialistas do portal  lusometeo.com  alertam que a formação de um Super El Niño em 2026 é agora uma certeza absoluta e os modelos matemáticos mostram dados extremos. Por isso, preparamo-nos para enfrentar o episódio mais violento do último século. O oceano Pacífico Equatorial Leste pode registar um aumento assustador de três graus centígrados acima da média, criando uma bomba-relógio atmosférica. Super El Niño histórico em 2026: afinal, como é que isto afeta o nosso país? Antes de mais, existe um mito muito comum que precisa de ser desfeito imediatamente. Como explica claramente a equipa do portal lusometeo.com, este fenómeno não tem uma ligação direta com o estado do tempo diário em Portugal. Neste sentido, não vais sentir um impacto meteorológico automático no teu quintal só porque o Pacífico aqueceu. Contudo, isto não significa de ...

Constância e Caima

  Fomos visitar Luís Vaz de Camões a Constância, ver a foz do Zêzere, e descobrimos que do outro lado do arvoredo estava escondida a Caima, Indústria de Celulose. https://www.youtube.com/watch?v=w4L07iwnI0M&list=PL7htBtEOa_bqy09z5TK-EW_D447F0qH1L&index=16

Preços dos combustíveis: Quanto é que o Estado está a arrecadar a mais?

 A DECO PROteste considera que o desconto no ISP é uma medida positiva, mas com os combustíveis acima de dois euros por litro é preciso ir mais longe. Os preços dos combustíveis têm estado a subir no seguimento da guerra no Médio Oriente e o Governo anunciou um desconto no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) para mitigar o impacto. Segundo cálculos da DECO PROteste, com esta medida há um "valor praticamente neutro da receita fiscal para o Estado", mas a organização de defesa do consumidor considera que é necessário ir mais longe.  "Atualmente, na gasolina simples, cerca de 98 cêntimos de cada litro de combustível pago pelos consumidores correspondem a taxas e impostos, como o IVA, o ISP e a taxa de carbono. No gasóleo, esse valor é de cerca de 84 cêntimos por cada litro de combustível. A estes valores, acresce ainda a imposição de incorporação de biocombustíveis, o que pressupõe mais um custo para o consumidor. Por isso, sempre que o preço base dos combustíveis sob...