Avançar para o conteúdo principal

O motor eléctrico que faltava: pequeno, barato e eficiente



Os motores eléctricos já existem há mais tempo do que os seus concorrentes a combustão, que queimam combustíveis fósseis. Mas finalmente dão um significativo passo em frente, com o sistema HET.

Este motor eléctrico, concebido numa garagem por um duo de técnicos formado por pai e filho, é mais leve, mais pequeno, mais barato, mais potente a baixa rotação e oferece mais 10% de autonomia. E não necessita de caixa de velocidades ao poder "jogar" com os seus quatro rotores a realizar o trabalho de uma transmissão electrónica

Pode parecer estranho para muitos, mas o primeiro motor eléctrico surgiu muito antes do seu primeiro “colega” a combustão, capaz de queimar combustíveis fósseis, ou seja, produtos derivados de petróleo. Nikolaus Otto criou o seu motor a explosão em 1876, mas já 44 anos antes, o britânico William Sturgeon tinha “posto a andar” um motor eléctrico a corrente contínua. Hoje existem basicamente dois tipos de motores capazes de accionar um veículo eléctrico, os mais habituais, do tipo síncrono com íman permanente, e aqueles por indução, sendo estes últimos relativamente mais eficientes, necessitando de menos consumo e, por isso, assegurando uma autonomia ligeiramente mais elevada. A Tesla, por exemplo, ainda usa motores de magnetos permanentes nos Model S e X, mas o mais recente Model 3 já passou a recorrer aos motores eléctricos por indução.

As vantagens do novo motor HET consistem na maior potência e força a baixo regime, associada à maior eficiência

Depois de anos sem avanços significativos, eis que a tecnologia que serve os motores eléctricos volta a dar um passo em frente. A Linear Labs inventou um novo tipo de motor que denominou HET, de Hunstable Electric Turbine, que se caracteriza por ter duas vezes maior densidade em termos de potência e três vezes mais densidade no que respeita ao binário. Quer isto dizer que um motor HET três vezes mais pequeno pode atingir a mesma potência, ou ser duas vezes mais pequeno e, ainda assim, fornecer a mesma “força” do um motor eléctrico convencional. Veja aqui como surgiu a ideia e quem são os “pais” do projecto:

Em matéria de trunfos, o HET necessita ainda de 30% menos de cobre, devido ao seu arranjo interior, sendo que a sua principal vantagem para a indústria automóvel se prende com o menor peso e volume, além de garantir 10% mais autonomia, o que permite conceber um modelo que percorra uma maior distância entre recargas ou, em alternativa, que seja mais leve e mais barato, com a mesma autonomia.

Outra vantagem do HET é não necessitar de caixa de velocidades para disponibilizar mais força a baixa rotação. Isto porque, segundo o fabricante do Texas, recorre ao que apelidam “transmissão electrónica”, tirando partido do facto de o seu motor montar quatro rotores, em vez de apenas um ou dois. E é exactamente aqui que reside um dos seus principais trunfos, de acordo com a Linear Labs. Veja o vídeo a explicar como tudo funciona:

https://youtu.be/85nt9OhP6j4

Comentários

Notícias mais vistas:

Rússia está a receber "enorme quantidade" de pedidos de energia

A Rússia está a receber "uma enorme quantidade de solicitações" para o fornecimento de energia devido à crise provocada pela guerra israelo-americana contra o Irão, anunciou hoje a presidência russa (Kremlin). Irão: Rússia está a receber "enorme quantidade" de pedidos de energia "Agora que o mundo se encontra imerso numa grave crise económica e energética, cuja magnitude aumenta dia após dia (...), recebemos inúmeras solicitações para adquirir os nossos recursos energéticos de destinos alternativos", afirmou o porta-voz do Kremlin.   Dmitri Peskov disse que aos contactos já conhecidos com a Sérvia e a Hungria se juntaram outros pedidos alternativos para o fornecimento de energia, que não especificou, segundo a agência de notícias espanhola Europa Press (EP). O porta-voz do Presidente Vladimir Putin explicou em conferência de imprensa que Moscovo estava a negociar o fornecimento de hidrocarbonetos para "ajustar o melhor possível" os interesses nac...

Forças da NATO não conseguiram detetar drones ucranianos em exercício militar em Portugal

    Drone Magura V7 da Inteligência Militar da Ucrânia, equipada com mísseis terra-ar, encontra-se num local não revelado na Ucrânia, no sábado, dia 6 de dezembro de 2025.  -    Direitos de autor    AP Photo Direitos de autor AP Photo O exercício experimental militar REPMUS25 aconteceu ao largo da costa portuguesa, no distrito de Setúbal, e pôs a nu algumas fragilidades das forças navais da NATO. Em cenário de guerra drones ucranianos teriam afundado uma fragata. O exercício experimental  REPMUS 25,  em paralelo com o exercício DYMS da NATO e considerado o maior a nível mundial no que diz respeito a sistemas não tripulados em âmbito marítimo, realizou-se entre Tróia e Sesimbra, no distrito de Setúbal, em setembro de 2025. PUBLICIDADE PUBLICIDADE No local estiveram duas equipas opositoras: a força RED ("força inimiga") liderada por militares da Ucrânia, que participou pela primeira vez, e por militares americanos, britânicos e espanhóis; ...

Dormir numa bagageira

José Soeiro  O aparato da tecnologia avançada organiza as mais indignas regressões sociais. Radical é uma bagageira ser o quarto de um trabalhador De visita a Lisboa, John chamou um Uber mal chegou ao aeroporto. O carro veio buscá-lo, conta-nos a última edição do Expresso, mas o motorista resistiu a pôr as malas do turista na bagageira. Insistência de um lado e renitência do outro, houve uma altercação, até que a PSP interveio e exigiu que o motorista abrisse a bagageira do carro. Dentro dela, estava um homem - um outro motorista, que faz daquela bagageira o seu quarto, recanto possível para repousar o corpo. Segundo o jornal, não é caso único. A situação é comum entre os migrantes do Indostão a trabalhar para a Uber. Eis a condição extrema dos trabalhadores da gig economy num país europeu do século XXI. Lisboa, paraíso dos nómadas digitais, capital da Web Summit, viveiro de “unicórnios”, sede do centro tecnológico europeu da Uber, “modelo de ouro” das plataformas: cidade sem teto ...