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"Obriy": como uma inovação desenvolvida na Ucrânia está a destruir os drones russos - e também a gerar preocupação



 Novos sistemas estão já a ser utilizados por brigadas, pelos serviços de segurança ucranianos, serviços militares, polícia, equipas de resgate e profissionais de saúde


Num cenário de guerra cada vez mais dominado por drones, detetar uma ameaça segundos antes do impacto pode ser a diferença entre sobreviver ou ser apanhado sem hipótese de reação. Na Ucrânia, onde os ataques com drones FPV se tornaram rotina, os sistemas de deteção estão a ganhar um papel central e podem vir a tornar-se uma ferramenta essencial muito para lá das linhas da frente.


Estes dispositivos permitem, segundo o Euromaidan, identificar sinais emitidos entre drones e operadores a vários quilómetros de distância, oferecendo tempo precioso para procurar abrigo, ativar bloqueadores eletrónicos ou preparar contramedidas. A rapidez da resposta tornou-se crítica, tanto para militares no terreno como para equipas de emergência e jornalistas em zonas de combate.


Uma das empresas em destaque neste setor é a Kara Dag Technologies, que se apresenta como uma referência no desenvolvimento desta tecnologia. A série Obriy, cujas versões mais recentes, a 1.3C e a 1.4C, chegaram recentemente ao terreno, tem recolhido avaliações positivas de utilizadores e operacionais.


Segundo o cofundador da empresa Andriy Poberezhniuk, os sistemas estão já a ser utilizados por brigadas, pelos serviços de segurança ucranianos, serviços militares, polícia, equipas de resgate e profissionais de saúde.


Uma das principais vantagens está na amplitude de deteção. Enquanto muitos sistemas se limitam a identificar frequências associadas a drones comerciais, os modelos mais recentes da Obriy conseguem operar entre 1 e 6 GHz, cobrindo praticamente todo o espectro usado por drones FPV.


Já de olhos postos no futuro, a próxima geração pretende expandir essa capacidade para frequências entre 300 MHz e 6 GHz, numa resposta à crescente utilização de armas menos convencionais.


A próxima versão, a Obriy 1.5, deverá ainda incorporar inteligência artificial capaz de analisar frequências e identificar com maior precisão o tipo exato de drone em aproximação. A empresa pretende também acrescentar deteção visual e acústica, além de reforçar a partilha de dados recolhidos em diferentes frentes de combate.


Para os responsáveis da Kara Dag, o impacto desta tecnologia vai muito além da Ucrânia. Com o uso crescente de drones em diferentes cenários de conflito, incluindo por milícias pró-iranianas no Médio Oriente, os sistemas de deteção poderão tornar-se tão essenciais quanto um capacete ou um colete balístico.


A empresa admite mesmo preocupação com uma futura utilização destes meios por grupos terroristas, defendendo que o acesso a sistemas de deteção eficazes terá de se tornar mais acessível para responder a ameaças que considera inevitáveis.


Atualmente, os detetores conseguem identificar drones com transmissão analógica e digital. Nos modelos analógicos, é possível até intercetar o sinal de vídeo e visualizar aquilo que o operador inimigo está a observar. Já os sistemas digitais, embora encriptados, continuam a ser detetáveis, permitindo pelo menos um aviso antecipado.


Mais difícil continua a ser a deteção de drones guiados por fibra ótica, que dispensam comunicações rádio. Segundo estimativas referidas por investigadores no terreno, ouvidos pelo Euromaidan, algumas unidades russas já utilizam este tipo de tecnologia em até metade das operações FPV.


Ainda assim, a empresa Kara Dag considera improvável que estes sistemas substituam os drones tradicionais, uma vez que apresentam limitações práticas, como maior peso à descolagem e vulnerabilidade física dos cabos.


"Obriy": como uma inovação desenvolvida na Ucrânia está a destruir os drones russos - e também a gerar preocupação - CNN Portugal


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