Avançar para o conteúdo principal

Na China, algumas mulheres pagam 100 euros para passar algumas horas com um desconhecido.


Photo d'illustration : Andrea Piacquadio / Pexels


 E se a companhia se tornasse apenas mais um serviço? Na China, um conceito surpreendente está ganhando terreno: contratar companhia humana. Por algumas horas ou um dia inteiro, algumas pessoas (geralmente mulheres) optam por pagar a um desconhecido para compartilhar uma atividade, conversar ou simplesmente evitar a solidão. Esse fenômeno diz muito sobre a evolução dos estilos de vida urbanos.


Quando a solidão cria novos serviços

Nas principais cidades chinesas, a solidão tornou-se uma realidade cada vez mais visível. Entre carreiras exigentes, mobilidade profissional e distância da família, muitos moradores vivenciam a falta de conexão social em seu cotidiano. Diante dessa situação, surgiram novas plataformas com uma promessa simples: conectar pessoas que desejam compartilhar um momento de convívio, sem qualquer compromisso. O objetivo não é criar um romance, mas oferecer companhia humana por algumas horas.


Uma plataforma que oferece a opção de "alugar" a empresa.

Um dos serviços mais conhecidos é o Zuwobo, nome que significa literalmente "alugue-me" em mandarim. Seu funcionamento é tão simples quanto original: o usuário escolhe uma atividade e a plataforma encontra um acompanhante disponível. O conceito agrada a quem quer aproveitar um momento agradável sem precisar organizar um passeio com o grupo de amigos de sempre. É uma fórmula que prioriza a simplicidade e a flexibilidade.


Caminhada, restaurante ou videogames: há opções para todos os gostos.

Um dos motivos para o sucesso dessas plataformas reside na variedade de atividades oferecidas. Alguns optam por um passeio pela cidade, outros por uma trilha, uma refeição em um restaurante ou até mesmo uma sessão de videogame em casa. A ideia é se adaptar aos desejos de cada um e oferecer uma presença que acompanhe diferentes momentos do cotidiano. Essa abordagem transforma a companhia em um serviço personalizável.


Até 300 euros por dia

Os preços variam dependendo da duração e do tipo de atividade escolhida. Para compartilhar um café ou uma refeição, os preços geralmente variam de 7 a 20 euros. No entanto, quando se trata de companhia durante um dia inteiro, a conta aumenta rapidamente. Alguns serviços podem ultrapassar os 100 euros e chegar a mais de 300 euros, dependendo dos pedidos. Um gasto único que alguns consideram "o preço de uma experiência social agradável".


Um sucesso particular durante o Ano Novo Chinês.

Todos os anos, o Ano Novo Chinês nos lembra da importância dos laços familiares e dos reencontros. Para aqueles que moram longe de seus entes queridos ou sozinhos, esse período pode, por vezes, exacerbar os sentimentos de isolamento. É por isso que as plataformas de transporte por aplicativo costumam registrar um aumento na demanda durante as festividades. Para alguns usuários, compartilhar esses momentos com alguém se torna uma forma de vivenciar o feriado em um ambiente mais acolhedor.


Uma tendência que levanta questões

O desenvolvimento desses serviços reflete as profundas transformações na sociedade chinesa. Por um lado, eles oferecem uma resposta concreta à necessidade de conexão humana e permitem que algumas pessoas se libertem do isolamento por algumas horas. Por outro lado, levantam uma questão fundamental: o que significa, em uma sociedade, a presença de outras pessoas poder ser reservada como qualquer outro serviço? Entre uma solução prática e um símbolo da transformação dos laços sociais, o debate permanece em aberto.


Uma coisa é certa: o sucesso dessas plataformas demonstra que a necessidade de compartilhar, trocar informações e estar presente continua sendo mais importante do que nunca.


Na China, algumas mulheres pagam 100 euros para passar algumas horas com um desconhecido.


Comentários

Notícias mais vistas:

"Denúncia caluniosa" transformou sete semanas de sonho na vida de um empresário em vários anos de pesadelo

 João abriu uma empresa em Portugal no final de 2019 ligada à compra e venda de bitcoins. Cumpriu todas as regras, mas viu as contas bancárias bloqueadas. Suspeitas de burla e branqueamento deram origem a um processo que só foi arquivado em 2024. O Ministério Público admitiu no despacho final que houve “denúncia caluniosa” e que a empresa tinha procedimentos de segurança além dos exigidos por lei. O que é certo é que a empresa fechou por culpa de uma justiça lenta. A pessoa “é condenada antes de qualquer conclusão”, lamentou à CNN Portugal o empresário Nasceu no Brasil, mas reside na Alemanha há mais de uma década. João (nome fictício) sempre se sentiu atraído pelo mundo do trading e pelas novas tecnologias. Decidiu abrir uma empresa de compra e venda de criptomoedas em Portugal, mas o sonho transformou-se num pesadelo. A empresa apenas funcionou sete semanas, mas esteve quatro anos perdido entre a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP). Os montantes elevados de alguma...

Calçada portuguesa mata mais em Lisboa: Carlos Moedas muda de passeios "progressivamente"

 Tese de doutoramento no ISCTE mostra que quedas no passeio estão na origem de muitas mortes por pneumonia Ricardo Antunes, sociólogo e doutorado em Sociologia, investigou as causas remotas de 1935 óbitos hospitalares: 944 em Lisboa e 991 em Beja. “Surpreendentemente, percebi que na capital há mais mortes por pneumonia”, relata à CNN Portugal. Essa constatação deixou-o surpreendido. “Como é que a região mais rica do país, com os hospitais mais diferenciados, os melhores técnicos e a melhor tecnologia de saúde, ainda tem tantos casos fatais de uma infeção respiratória como a pneumonia?”, questionou-se o sociólogo. Ao reconstruir a história clínica dos falecidos, encontrou um padrão. “As informações nos registos de saúde mostram, claramente, que um número significativo dessas vítimas tinha, na sua história recente, um episódio de queda na via pública”, relata o enfermeiro, que se doutorou em Sociologia no ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa. Um dos capítulos da sua tese, sobre d...

Preços dos táxis vão mudar. Custo com bagagens e animais de estimação acaba

 O preço base de todas as viagens vai diminuir de 3,25 para 2 euros e o valor por hora e por quilómetro estarão indexados ao salário mínimo e à inflação. Taxímetros mudam obrigatoriamente até agosto. Taxistas estão insatisfeitos com novo regulamento do setor, com a ANTUP a defender que traz "enorme incerteza económica". O preço de uma viagem de táxi vai mudar. Será aplicada uma nova fórmula de cálculo, sendo apenas cobrado o suplemento de chamada — e caindo por terra outros custos extra, como o de transporte de bagagem. As novas medidas a aplicar, citadas pelo jornal Público, constam do novo regulamento elaborado pela Autoridade da Mobilidade e Transportes (AMT) e que esteve em consulta pública. Foi publicado em Diário da República no início deste mês de junho e entrará em vigor em meados de agosto. Inicialmente estava previsto que o novo regulamento fosse adotado já a partir desta sexta-feira, mas numa nota de ofício de uma reunião entre associações do setor e a AMT, à qual ...