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Fortuna da família Trump em stablecoin é impulsionada por relação com a Binance

 

Um empreendimento cripto da família Trump está gerando lucros elevados com sua entrada no mercado de stablecoins, em parte graças a um acordo promocional com a Binance Holdings Ltd.

A World Liberty Financial Inc., cofundada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por seus filhos, está a caminho de gerar quase US$ 150 milhões neste ano com a emissão da USD1, um token atrelado ao dólar lançado em março de 2025, segundo análise da Bloomberg News com base em divulgações públicas e documentos financeiros.

O crescimento da stablecoin foi impulsionado pela Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, onde está concentrada a maior parte da USD1. A World Liberty não compartilha com a Binance a receita gerada pela USD1, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

Em comunicados separados, World Liberty e Binance afirmaram que a relação entre as empresas não é incomum.

Um porta-voz da World Liberty disse que a empresa não compartilha receita com nenhuma corretora. Já um porta-voz da Binance afirmou que a plataforma lista mais de 15 stablecoins e também oferece promoções a outras empresas.

“A Binance não concedeu tratamento preferencial à World Liberty Financial ou a seus produtos”, disse o porta-voz da Binance.

A World Liberty Financial Inc., cofundada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por seus filhos, está a caminho de gerar quase US$ 150 milhões por ano com a emissão da USD1, token atrelado ao dólar lançado em março de 2025, segundo análise da Bloomberg News com base em documentos financeiros.

Ainda assim, o acordo entre as empresas ajudou a impulsionar os lucros daquele que se tornou o maior gerador de dinheiro da família Trump, de acordo com cálculos da Bloomberg.

O negócio de stablecoins da World Liberty vale hoje cerca de US$ 1,7 bilhão, segundo o Bloomberg Billionaires Index. A família Trump aparece com uma participação de US$ 630 milhões, agora incluída pela primeira vez no cálculo de seu patrimônio líquido. Isso eleva o valor total das participações da família na World Liberty para US$ 2,6 bilhões, tornando esse, de longe, seu ativo mais valioso. A fortuna total dos Trump é estimada em US$ 7,8 bilhões.

Máquina de dinheiro

Para uma família envolvida ao longo de décadas em uma ampla variedade de negócios — de imóveis e cassinos à exploração da marca Trump em gravatas e bifes —, o império cripto se transformou em uma grande máquina de geração de caixa em apenas alguns anos.

Durante seu primeiro mandato, Trump disse que “não era fã” de cripto e fez outras críticas à legitimidade dos ativos digitais, mas mudou de posição desde então. Os Trump passaram a apoiar uma série de iniciativas cripto, incluindo tokens associados ao presidente e à sua mulher, Melania, além da World Liberty e de outra empresa do setor, a American Bitcoin Corp.

A relação entre a World Liberty e a Binance tem atraído atenção especial desde que Trump concedeu perdão presidencial, no ano passado, ao cofundador da corretora, Changpeng Zhao. Zhao, conhecido como CZ, declarou-se culpado de não manter um programa eficaz de combate à lavagem de dinheiro e cumpriu pena de prisão.

Representantes da família Trump têm afirmado de forma recorrente que seus negócios em cripto não envolvem conflitos de interesse. A Casa Branca reiterou essa posição em resposta a um pedido de comentário para esta reportagem.

“Nem o presidente nem sua família jamais se envolveram — ou se envolverão — em conflitos de interesse”, disse um porta-voz. “Todas as ações do presidente Trump e de sua administração são tomadas no melhor interesse do povo americano.”

Alguns observadores externos discordam, entre eles Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell que leciona sobre finanças digitais.

“As amplas ligações financeiras da família Trump com o ecossistema de criptomoedas, incluindo a stablecoin USD1, constituem um conflito de interesse evidente e gigantesco”, afirmou. “Afinal, é a administração Trump que regula cripto em suas várias dimensões.”

Resposta cripto ao dinheiro

Stablecoins como a USD1 são a resposta da indústria cripto ao dinheiro. Elas buscam replicar o valor de moedas fiduciárias, geralmente o dólar americano, mas podem ser enviadas ao redor do mundo com mais rapidez e a um custo menor do que transações tradicionais de câmbio. Os emissores obtêm receita com os juros recebidos sobre as reservas que lastreiam suas stablecoins.

A USD1 foi lançada em março de 2025, quando a administração Trump trabalhava com o Congresso em uma nova lei chamada Genius Act, que acabou criando uma estrutura regulatória para a emissão de stablecoins. Desde então, a USD1 se tornou uma das cinco maiores stablecoins, beneficiada em parte pela relação da World Liberty com a Binance.

Embora a USD1 esteja listada em outras corretoras, a grande maioria está na Binance, segundo as empresas de análise cripto Kaiko e Arkham. A World Liberty fornece à Binance um orçamento de marketing destinado a promoções, disse a pessoa familiarizada com o assunto, que não tinha autorização para falar publicamente.

Ao longo do último ano, a Binance ofereceu uma série de benefícios a clientes que detinham USD1. Alguns puderam receber gratuitamente tokens WLFI, outra criptomoeda emitida pela World Liberty. Além disso, detentores de USD1 podiam obter rendimento sobre o ativo, bem como isenção de taxas em algumas negociações que combinavam moedas da World Liberty com outros criptoativos.

Juntos, esses incentivos podem tornar uma stablecoin mais atraente para compradores que escolhem entre diferentes tokens atrelados ao dólar

“Tudo isso é marketing, e tudo isso serve para direcionar recursos para aquela stablecoin e retirá-los de outras stablecoins”, disse Austin Campbell, consultor e professor adjunto da Stern School of Business, da Universidade de Nova York.

Arranjos diferentes

O acordo de receita entre a World Liberty e a Binance não é inédito na indústria cripto, mas mostra como a divisão pode variar bastante.

A Tether, maior emissora de stablecoins do mundo, também não compartilha receita com corretoras. Seu token USDT tem quase US$ 190 bilhões em circulação, bem acima dos demais.

Em contraste, a Circle, segunda maior emissora de stablecoins, divide uma fatia relevante da receita com a Coinbase Global Inc. A Coinbase disse recentemente que capturou cerca de metade da “economia” gerada pelo token USDC, da Circle. A Circle também tem um acordo de distribuição com a Binance e já afirmou que seus custos são impactados pelo volume de USDC mantido nessa plataforma.

A World Liberty usa a BitGo Holdings Inc. para serviços como custódia. A empresa paga à BitGo cerca de 0,3% ao ano sobre suas reservas, segundo análise da Bloomberg com base em documentos da companhia. Um porta-voz da BitGo não quis comentar.

Considerando que a World Liberty gere um rendimento de 3,5% sobre suas reservas de US$ 4,7 bilhões, semelhante ao rendimento divulgado pela Circle, descontada a taxa da BitGo e uma pequena parcela adicional destinada a marketing, a Bloomberg estima que a World Liberty manterá cerca de US$ 147 milhões em receita com suas reservas neste ano. Um porta-voz da World Liberty disse que a empresa não comenta avaliações feitas por terceiros.

A estimativa da Bloomberg está próxima da receita anualizada de US$ 159,5 milhões da USD1 divulgada pela própria World Liberty nas redes sociais em abril.

O perdão concedido por Trump ao cofundador da Binance, Zhao, em outubro, causou surpresa. O presidente disse que “não tinha ideia” de quem era Zhao, mas afirmou acreditar que o processo contra ele havia sido injusto.

Zhao detalhou recentemente sua situação em um livro de memórias, argumentando que a punição imposta a ele foi extrema.

Representantes de Zhao e da Binance, assim como de uma entidade separada da empresa nos Estados Unidos, têm afirmado repetidamente que ele não controla mais as operações do dia a dia da corretora.

Em fevereiro, Zhao participou de um evento cripto promovido pela World Liberty no resort Mar-a-Lago, de Trump, dizendo ver amplas oportunidades para a Binance nos Estados Unidos.


Fortuna da família Trump em stablecoin é impulsionada por relação com a Binance | Criptomoedas | Valor Econômico


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