Avançar para o conteúdo principal

Salário mínimo cada vez mais perto do mediano. O rácio entre os dois já chega aos 91%, diz o Banco de Portugal


O governador do Banco de Portugal, Álvaro dos Santos Pereira. Foto: JOÃO RELVAS/LUSA


 Banco de Portugal avisa que esta compressão da distribuição salarial levanta questões relativamente aos incentivos dos trabalhadores e à dinâmica da produtividade da economia.


A distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem no setor privado tem registado uma compressão, nomeadamente associada ao salário mínimo, que tem um “papel central” na formação dos ordenados, conclui uma análise do Banco de Portugal. O rácio entre o salário mínimo e o salário mediano subiu para 91% em 2025.


Segundo a caixa divulgada esta segunda-feira, sobre a distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem, que estará disponível no Boletim Económico de junho, os aumentos salariais mais elevados ocorrem nos níveis inferiores associados ao salário mínimo, por via da atualização deste valor.


No verão, a atualidade não fica em pausa.Assine por 39,90€/ano habilite-se a ganhar 1 estadia num hotel da Small Portuguese Hotels.Assinar


Em 2025, os trabalhadores no primeiro decil da distribuição salarial (junto do salário mínimo) registaram um crescimento médio do salário base superior a 8%, enquanto no último decil (ligeiramente inferior a 3.000 euros) esse crescimento foi próximo de 5%.


Isto leva uma compressão da distribuição dos salários, ao mesmo que tempo que provoca uma redução da desigualdade salarial, num contexto em que o salário mínimo desempenha um “papel central” na formação dos salários.


A concentração em torno da atualização do salário mínimo é mais evidente no caso do salário base do que no caso do salário total, sugerindo que outras componentes remuneratórias contribuíram para uma maior dispersão da remuneração efetivamente auferida pelos trabalhadores”, lê-se no documento.


Além disso, quando se olha para a aproximação do salário mínimo aos níveis centrais da distribuição salarial, é possível concluir que o índice de Kaitz (rácio entre o salário mínimo e o salário mediano) subiu para 91% em 2025, com base nos microdados da Segurança Social, que compara com 87% em 2019.


“De acordo com o Structure of Earnings Survey do Eurostat, que inquire apenas empresas com 10 ou mais trabalhadores, Portugal registava em 2024 o valor mais elevado deste indicador entre os países da área do euro (69%)”, indica o BdP.


Segundo o Banco de Portugal, esta compressão da distribuição levanta questões relativamente aos incentivos dos trabalhadores e à dinâmica da produtividade da economia.


A análise foi feita com base nos microdados da Segurança Social, que abrangem praticamente o universo de trabalhadores por conta de outrem do setor privado, mas são excluídas as entidades classificadas como Administração Pública e entidades públicas não integradas neste perímetro, “uma vez que os seus processos de determinação salarial são fortemente influenciados por regras institucionais e administrativas, menos comparáveis com a dinâmica do setor privado”.


Salário mínimo cada vez mais perto do mediano: rácio de 91% – Observador


Comentário do Wilson:

Hoje em dia já não compensa estudar e esforçar-se, porque quem se qualifica, ou emigra, ou acaba por ganhar pouco mais do que um trabalhador não qualificado.

Este é o legado de Karl Marx, concretizado por José Sócrates e António Costa.


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Híbridos plug-in falham promessa climática: emissões de CO2 são 4,6 vezes acima do esperado

Foto: JORGE SILVA / REUTERS  Os veículos híbridos plug-in estão a emitir muito mais CO2 do que indicam os testes de homologação. As emissões reais já são 4,6 vezes superiores aos valores oficiais, segundo um novo estudo. O estudo conclui que a utilização do modo eléctrico caiu de 26% nos veículos matriculados em 2021 para apenas 17% nos registados em 2023  Apesar das suas baterias maiores e autonomias eléctricas cada vez mais elevadas, os veículos híbridos plug-in estão a emitir muito mais dióxido de carbono (CO₂) do que indicam os testes de homologação. Um novo estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT, na sigla inglesa) conclui que as emissões reais destes veículos continuam a afastar-se dos valores oficiais, levantando dúvidas sobre o seu contributo efectivo para a descarbonização do transporte rodoviário. A análise incidiu sobre cerca de 920 mil veículos matriculados na Europa entre 2021 e 2023, com base nos dados recolhidos pelos próprios automóveis e com...

Ministro das Finanças celebra subida de rating como “mais uma grande vitória de Portugal”

 Decisão “demonstra a confiança dos investidores internacionais na economia portuguesa”, assinala o Ministério, frisando que “apenas seis países da Zona Euro têm neste momento classificação superior". O Ministério das Finanças sublinhou esta sexta-feira que a subida do rating de Portugal de A para A+ por parte da Fitch, que é a segunda subida promovida pela agência de notação financeira desde abril de 2024, “demonstra a confiança dos investidores internacionais na economia portuguesa”. “Se considerarmos as subidas promovidas pela S&P (uma em fevereiro de 2025 de A- para A e outra em agosto de 2025 de A para A+) esta é já a quarta revisão de rating que o país regista nos últimos dois anos”, destaca a tutela. Sublinhando ainda que Portugal passa a ter um rating igual ao de França, Bélgica, Estónia, Lituânia, Eslovénia e Malta – e que “apenas seis países da Zona Euro têm neste momento uma classificação superior”. Para o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento,...