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Navio de carga atingido no estreito de Ormuz após avisos do Irão


AP Photo


 As forças armadas britânicas informaram que um navio de carga que seguia na nova rota omani apoiada pela ONU sofreu danos na ponte de comando causados por um projétil, horas depois de a Guarda Revolucionária ter avisado que navios sem autorização iraniana estavam a transitar "ilegalmente".


Um navio de carga que seguia pelo estreito de Ormuz numa nova rota de Omã apoiada pela ONU foi atingido por um projétil esta quinta-feira, sofrendo danos na ponte de comando, mas sem vítimas nem impacto ambiental, segundo militares britânicos.


O navio foi atingido a 7,5 milhas náuticas da costa de Omã, depois de, no mesmo dia, o a Guarda Revolucionária do Irão ter ameaçado os navios que atravessam o estreito sem autorização de Teerão.


Um vídeo gravado na ponte de comando de um navio foi divulgado nas redes sociais, alegando reproduzir uma transmissão por rádio da Marinha da Guarda Revolucionária a avisar que só seriam autorizados a passar os navios com permissão iraniana.


"Transitem apenas com autorização da Guarda Revolucionária, nas rotas designadas. Sem autorização, AIS desligado ou fora de rota, e assumem as consequências", ouvia-se na transmissão, segundo relatos.


Dados de tráfego marítimo mostraram um aumento de navios a atravessar o estreito de Ormuz antes do ataque, numa nova rota anunciada na quarta-feira por Omã, em coordenação com a Organização Marítima Internacional, uma agência da ONU.


Segundo esses dados, foram registadas 70 passagens pela rota de Omã, enquanto o Irão ameaçava os navios que a utilizavam.


Petroleiros, liderados pelo navio Stoic Warrior, navegaram ao longo dos Emirados Árabes Unidos e depois de Omã no início de quinta-feira, passando pela Península de Musandam, em Omã, relativamente perto da costa.


A norte desta rota fica um corredor no centro do estreito por onde, antes da guerra, os navios circulavam livremente, transportando cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural mundiais.


Embora alguns navios tenham conseguido sair do estreito com apoio militar dos Estados Unidos, o esforço da agência da ONU é a tentativa mais recente para libertar embarcações retidas.


A companhia de navegação Maersk informou que o seu porta-contentores Maersk Baltimore e outro navio fretado conseguiram sair esta quinta-feira.


"Operadores oportunistas — e são muitos —, encorajados pelo menor risco de trânsito, ou pelo menos pela perceção de um menor risco, começaram a tentar recuperar o volume de cargas que continua preso", afirmou Richard Meade, diretor-geral do Lloyd’s List.


A componente naval da Guarda Revolucionária, aparentemente em reação à nova rota e ao aumento do tráfego, emitiu uma advertência esta quinta-feira, divulgada pela agência noticiosa estatal iraniana IRNA.


Sustentou que a nova rota foi criada sem aviso prévio nem coordenação com o Irão, qualificando-a como "inaceitável e totalmente perigosa".


"A única rota autorizada para a passagem pelo estreito de Ormuz é a declarada pela República Islâmica do Irão", afirmou a força iraniana. "O tráfego de navios fora dessas rotas é extremamente perigoso e proibido."


"Os infratores serão alvo de medidas", acrescentou, sem detalhar.


O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reuniu-se com os ministros dos Negócios Estrangeiros do Conselho de Cooperação do Golfo, que reúne seis países, para lhes garantir que os seus interesses seriam protegidos em qualquer acordo com o Irão.


Disse aos jornalistas que os Estados Unidos e os seus aliados no Golfo garantiriam que não seriam cobradas taxas aos navios que atravessam o estreito e que Washington pretende assegurar que a rota de Omã se mantém aberta à passagem de navios.


"Se isso parar, então vamos ter um problema", afirmou Rubio.


O ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein, Abdullatif bin Rashid al-Zayani, agradeceu o apoio dos Estados Unidos, afirmando que, graças ao acordo, "hoje vemos uma réstia de esperança para a nossa região", mas sublinhou que é "absolutamente crucial que o Irão cumpra as suas obrigações".


Navio de carga atingido no estreito de Ormuz após avisos do Irão | Euronews


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