Existem vários motivos para fazer compras em lojas e feiras de artigos em segunda mão, vintage ou velharias. Primeiro, consegues poupar dinheiro e dar personalidade ao teu espaço e, segundo, aumentas a possibilidade de encontrar um verdadeiro tesouro.
Por exemplo, nos Estados Unidos, um homem comprou uma mala por €2 e descobriu que pode valer cerca de 30 mil euros. E, agora, contamos-te a história de Mauro Benzoni, um morador de Crema, em Itália.
Em meados de 2024, o homem comprou um armário antigo por apenas 200 euros online a achar que estava a comprar uma peça normal para a sua casa, mal sabia que o móvel escondia um segredo: múltiplos "títulos de poupança postal italianos, emitidos entre 1992 e 1994, num valor que hoje ronda os 190 000 euros", explica La Razón.
Qual a história deste móvel?
Bem, o início já sabes. Mauro comprou um móvel aparentemente banal numa plataforma online. Foi recolhê-lo e guardou-o durante alguns meses. Quando finalmente decidiu limpar e restaurar a peça encontrou um compartimento secreto.
Lá estavam os certificados que valiam, na altura em que foram comprados, cerca de 18 milhões de liras. Nos dias de hoje, com os juros acumulados e todas as mudanças dos últimos anos, os títulos valem quase 200 mil euros.
Infelizmente, o dinheiro não ficou para Mauro porque os documentos foram registados por de Carlo e Francesca De Martino, nascidos em 1907 e 1911, e, por isso, os títulos só poderiam ser trocados pelos seus descendentes.
Mauro quis ajudar a que chegassem aos verdadeiros donos, recorreu a um escritório de advogados e começou, oficialmente, a procura.
Segundo o jornal, "a legislação italiana prevê que quem encontrar um bem alheio extraviado e o devolver tem direito a 10% do seu valor como compensação", isto significa que se "os herdeiros se apresentarem e recuperarem o dinheiro, Benzoni poderá receber legalmente cerca de 19 mil euros".
Estes títulos podem ser cobrados até 2032 e, para já, ainda não sabemos o desfecho da história, mas estamos a torcer por Mauro e pelos descendentes de Carlo e Francesca.
Mauro gastou 200 euros num móvel em segunda mão e descobriu um tesouro que vale quase 200 mil euros
Comentário do Wilson:
Se fosse em Portugal, este Mauro não teria direito, por lei, a nada, ficando dependente apenas da boa vontade dos herdeiros do legítimo dono.
No ordenamento jurídico português, a lei apenas prevê uma recompensa substancial se for impossível encontrar o verdadeiro proprietário do achado. Nesses casos de tesouro oculto, 50% pertence a quem o encontra e os outros 50% ao dono do terreno ou do bem móvel onde este estava guardado — o que daria 100% ao Mauro, já que ele também é o proprietário do móvel. Contudo, como este tesouro consiste em títulos nominativos, sabe-se perfeitamente quem é o dono original. Por isso, de acordo com a lei portuguesa, o Mauro não teria direito a apropriar-se do valor, uma vez que os títulos revertem para os herdeiros legais.
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