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Presidente da Polónia retira a Zelensky a maior honra atribuída pelo país e avisa: "Há limites que não podem ser ultrapassados"



 Apesar da decisão, Nawrocki garantiu que a medida "não é dirigida contra o povo ucraniano" e insistiu que a Polónia vai continuar a apoiar a Ucrânia face à invasão russa, reiterando que Moscovo continua a ser a principal ameaça à segurança europeia


O presidente da Polónia decidiu retirar ao presidente da Ucrânia a maior honra do país, cumprindo uma ameaça que já tinha deixado no ar nas últimas semanas.


Num longo texto publicado na página da presidência polaca, Karol Nawrocki justificou a decisão em relação a Volodymyr Zelensky com uma decisão tomada em relação a uma unidade das Forças Armadas. 


Em causa está a designação "Heróis do Exército Insurgente da Ucrânia" (UPA, na sigla em ucraniano), atribuída a uma unidade militar. Para Varsóvia, a referência representa uma homenagem a uma organização considerada responsável pelo massacre de dezenas de milhares de civis polacos durante a Segunda Guerra Mundial. 


No comunicado, Nawrocki acusa Kiev de glorificar uma força que a Polónia associa aos massacres da Volínia e de outras regiões do leste europeu, recordando que o parlamento polaco classificou em 2016 os crimes cometidos pela Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) e pela UPA como genocídio. 


"A verdade histórica não é, nem pode ser, uma moeda de troca", escreveu o chefe de Estado polaco, que afirma que pelo menos 100 mil cidadãos polacos foram mortos por combatentes da UPA "simplesmente por serem polacos, judeus ou membros de outras minorias". 


Segundo o presidente polaco, Varsóvia alertou repetidamente as autoridades ucranianas para a sensibilidade do tema e para as possíveis consequências nas relações bilaterais, mas a posição de Kiev não se alterou. 


Perante isso, e depois de consultar o capítulo responsável pela Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração do Estado polaco, Karol Nawrocki anunciou a retirada da distinção atribuída a Volodymyr Zelensky. 


"O símbolo da mais elevada confiança da República da Polónia exige não apenas mérito, mas também respeito pelos valores que constituem a base da nossa comunidade", justificou. 


Apesar da decisão, Nawrocki garantiu que a medida "não é dirigida contra o povo ucraniano" e insistiu que a Polónia vai continuar a apoiar a Ucrânia face à invasão russa, reiterando que Moscovo continua a ser a principal ameaça à segurança europeia. 


O presidente polaco sublinhou ainda que o futuro das relações entre os dois países depende de uma reconciliação assente na verdade histórica e deixou um aviso a Kiev: "Há limites que não podem ser ultrapassados nas relações entre polacos e ucranianos".


Presidente da Polónia retira a Zelensky a maior honra atribuída pelo país e avisa: "Há limites que não podem ser ultrapassados" - CNN Portugal


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