Avançar para o conteúdo principal

Gibraltar quer tornar-se no primeiro hub de criptomoeda do mundo


Crédito: Viktor Forgacs / Unsplash


 Outrora apelidado de paraíso fiscal, o pequeno território de Gibraltar quer reconquistar o mundo financeiro ao posicionar-se como o primeiro hub de criptomoeda do mundo


O setor financeiro é responsável por um terço da economia de 2,4 mil milhões de libras de Gibraltar. Dos 33 mil residentes, 82 trabalham nos organismos reguladores deste segmento e estão agora atarefados a rever uma proposta que permitirá que a empresa de blockchain Valereum compre o mercado de ações, criando o primeiro hub mundial onde ações ‘tradicionais’ são trocadas ao lado de grandes cibermoedas, como a bitcoin ou a dogecoin.


Noutras geografias, a posição tem sido de proibição completa de troca de cibermoedas ou de grandes avisos contra o investimento neste tipo de bens. Em Gibraltar, a mudança está a ser bem-vinda e Albert Isola, ministro para o digital e serviços financeiros do país, refere que estas medidas se destinam a separar os ‘maus atores’ e conferir alguma segurança e confiança aos investidores. “Se quiserem fazer coisas erradas em cripto, não vão querer estar em Gibraltar, porque aqui as empresas são licenciadas e reguladas”.


O The Guardian lembra que o regulador de Gibraltar já aprovou a operação de 14 criptomoedas e de empresas de blockchain no território e está agora a avaliar a proposta da Valereum para conseguir rentabilizar um setor de criptomoeda avaliado em mais de 3,5 biliões de dólares. A Valereum está baseada em Gibraltar e oferece soluções e tecnologias para ligar divisas tradicionais, como a libra ou o dólar, a bens digitais.


As autoridades e a empresa estão a colaborar para apurar as validações para detetar esquemas de lavagens de dinheiro e como regular este tipo de atividade, num projeto que está a ser seguido com atenção por outros países. “Se for um sucesso, é provável que outras jurisdições sigam o exemplo, porque é uma comodidade com valor crescente”, considera Neil Williams, responsável pela investigação de crimes complexos na Reed Solicitors.


Há ainda o risco de Gibraltar poder sofrer sanções de países como os EUA se acabarem por aprovar legislação que estes considerem insuficiente.


Charlie Steele, consultor da Forensic Risk Alliance, lembra que “pode permitir ou facilitar a lavagem de dinheiro, evasão de sanções, financiamento de terrorismo, portanto estão todos muito atentos. Os reguladores em todo o mundo, quase todos, estão a abordar este tema com profundo ceticismo… assim, é um pouco invulgar o pensamento de que um país esteja a dar as boas-vindas a uma empresa destas comprar todo o mercado de ações.”


https://visao.sapo.pt/exameinformatica/noticias-ei/mercados/2021-12-28-gibraltar-quer-tornar-se-no-primeiro-hub-de-criptomoeda-do-mundo/

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

OpenAI deixa alerta após agentes de IA acederem a sites do governo dos EUA

 A OpenAI afirma ter alertado “dezenas” de instituições por todo o mundo de que os seus sites podem ter sido alvo de acessos indevidos por parte de bots de inteligência artificial (IA). Entre as entidades visadas estão organismos do governo norte-americano, universidades e agências públicas. A empresa OpenAI explicou que os agentes de inteligência artificial foram desenvolvidos e treinados para operar de forma maioritariamente autónoma, tendo como objetivo encontrar “fontes confiáveis de informação pública”. No entanto, alguns terão ultrapassados limites e tentado contornar as medidas de segurança existentes nos sites. Entre as instituições que os bots tentaram aceder estão a Securities and Exchange Commission (SEC), agência federal independente dos Estados Unidos responsável pela regulação dos mercados financeiros e pela proteção dos investidores, o Census Bureau, principal agência estatística do país, e o Departamento de Educação, responsável por matérias relacionadas com a educa...

Lei do arrendamento aprovada na generalidade

 Abstenção do Chega foi suficiente para alterar o regime de arrendamento urbano. Acordo trouxe algumas alterações à proposta de lei. A proposta de lei do Governo para alterar o regime de arrendamento urbano foi aprovada na generalidade no parlamento, devido à abstenção do Chega, após o Governo ter manifestado disponibilidade para negociar “melhorias” na especialidade. O documento foi aprovado na generalidade com os votos favoráveis do PSD, IL, CDS-PP, a abstenção do Chega e contra do PS, Livre, PCP, PAN, JPP e BE, tendo as restantes iniciativas dos partidos sobre este tema sido todas rejeitadas. O presidente do Chega e o líder parlamentar do PSD assinaram um acordo para introduzir, na discussão na especialidade, alterações ao pedido do Governo para rever o Novo Regime do Arrendamento Urbano. “Tendo o Governo apresentado na Assembleia da República proposta para alterar a legislação em matéria de arrendamento urbano e tendo o Chega apresentado vários dos elementos constantes da mesma...