Avançar para o conteúdo principal

Tribunal de Contas alerta: mais de metade da receita fiscal portuguesa está por cobrar



 E a dívida fiscal "incobrável", ou seja, que está em falha há demasiado tempo e, na prática, parece estar perdida para sempre, atingiu 7401 milhões de euros em 2020, diz o Tribunal de Contas.


Vários analistas e políticos dizem que a carga fiscal em Portugal é muito elevada, mas a realidade é que muitas dessas verbas fiscais não existem nos cofres públicos; estão por cobrar, estão inativas ou até definitivamente perdidas (algumas prescrevem), encontram-se em processos de cobrança coerciva, alguns dos quais se desconhecendo o desfecho, por exemplo.


Dito isto, mais de metade da receita fiscal estava efetivamente por cobrar no final do ano passado, alertou esta quarta-feira o Tribunal de Contas (TdC), no seu Parecer à Conta Geral do Estado relativa a 2020 (CGE 2020), documento que foi entregue à Assembleia da República.


"Da análise realizada à composição da Conta Geral do Estado, alerta-se para o elevado valor de receita fiscal por cobrar (o equivalente a 50,3% da receita fiscal do ano)", refere o Tribunal presidido por José Tavares,.


"A dívida em cobrança coerciva aumentou 882 milhões de euros [em 2020], atingindo 22 mil milhões de euros, e apenas 28,1% da carteira ser dívida ativa".


Já os pagamentos em atraso "atingiram, no final de 2020, o valor mais baixo dos últimos três anos, totalizando 201 milhões de euros, dos quais 74,9% dizem respeito a despesas efetuadas pelas entidades do Serviço Nacional de Saúde", refere o auditor das contas públicas.


Soma e segue. 7401 milhões de euros em impostos incobráveis em 2020


Mas há pior. A dívida fiscal "incobrável", ou seja, que está em falha de pagamento há demasiado tempo e, na prática, parece estar perdida para sempre, atingiu 7401 milhões de euros, mais mil milhões face aos 6423 milhões de euros de 2019, diz a mesma instituição.


"Verificou-se pelo terceiro ano consecutivo, o aumento da dívida incobrável em 979 milhões de euros", o que se traduz num aumento anual pronunciado de 15,2%, aponta o mesmo coletivo de auditores.


Em retrospetiva, o TdC repara ainda que entre 2016 e 2020 o valor em dívidas fiscais ditas incobráveis mais do que duplicou, subiu 130,4% nestes quatro anos em análise.


Para o Tribunal, isto "constitui um fator de risco da sustentabilidade das finanças públicas".


https://www.dinheirovivo.pt/economia/tribunal-de-contas-alerta-mais-de-metade-da-receita-fiscal-portuguesa-esta-por-cobrar-14411508.html

Comentários

Notícias mais vistas:

Vem aí um Super El Niño histórico em 2026: o que significa para Portugal

  Se tens acompanhado as notícias sobre o clima, já percebeste que a meteorologia de 2026 promete ser muito complicada. Efetivamente, os especialistas do portal  lusometeo.com  alertam que a formação de um Super El Niño em 2026 é agora uma certeza absoluta e os modelos matemáticos mostram dados extremos. Por isso, preparamo-nos para enfrentar o episódio mais violento do último século. O oceano Pacífico Equatorial Leste pode registar um aumento assustador de três graus centígrados acima da média, criando uma bomba-relógio atmosférica. Super El Niño histórico em 2026: afinal, como é que isto afeta o nosso país? Antes de mais, existe um mito muito comum que precisa de ser desfeito imediatamente. Como explica claramente a equipa do portal lusometeo.com, este fenómeno não tem uma ligação direta com o estado do tempo diário em Portugal. Neste sentido, não vais sentir um impacto meteorológico automático no teu quintal só porque o Pacífico aqueceu. Contudo, isto não significa de ...

Constância e Caima

  Fomos visitar Luís Vaz de Camões a Constância, ver a foz do Zêzere, e descobrimos que do outro lado do arvoredo estava escondida a Caima, Indústria de Celulose. https://www.youtube.com/watch?v=w4L07iwnI0M&list=PL7htBtEOa_bqy09z5TK-EW_D447F0qH1L&index=16

Supercarregadores portugueses surpreendem mercado com 600 kW e mais tecnologia

 Uma jovem empresa portuguesa surpreendeu o mercado mundial de carregadores rápidos para veículos eléctricos. De uma assentada, oferece potência nunca vista, até 600 kW, e tecnologias inovadoras. O nome i-charging pode não dizer nada a muita gente, mas no mundo dos carregadores rápidos para veículos eléctricos, esta jovem empresa portuguesa é a nova referência do sector. Nasceu somente em 2019, mas isso não a impede de já ter lançado no mercado em Março uma gama completa de sistemas de recarga para veículos eléctricos em corrente alterna (AC), de baixa potência, e de ter apresentado agora uma família de carregadores em corrente contínua (DC) para carga rápida com as potências mais elevadas do mercado. Há cerca de 20 fabricantes na Europa de carregadores rápidos, pelo que a estratégia para nos impormos passou por oferecermos um produto disruptivo e que se diferenciasse dos restantes, não pelo preço, mas pelo conteúdo”, explicou ao Observador Pedro Moreira da Silva, CEO da i-charging...