Avançar para o conteúdo principal

Há 6 furacões à solta no planeta, um deles com ventos de quase 300km/h

Quase como do dia para a noite, 6 fenómenos ciclónicos aparecerem no hemisfério norte. Só no Atlântico existem três e no Pacífico há um Super Tufão com ventos de quase 300 quilómetros por hora.

No auge da temporada anual dos furacões, são já 6 os furacões e tempestades que atacam os trópicos. Apesar de o furacão Florence ser o centro das atenções no Atlântico, o super tufão Mangkhut é, neste momento, o ciclone mais intenso do mundo, com ventos que atingem os 274 quilómetros por hora.

Para além destes dois fenómenos, existem ainda outros quatros furacões que fazem os cientistas questionarem-se sobre o porquê deste aumento de atividade. Há evidências substanciais que marcam as alterações climáticas como sendo um dos culpados.

Ironicamente, é necessário ventos calmos para produzir um furacão e a existência de ventos fortes impede o crescimento e desenvolvimento destes furacões. Como a quantidade de cisalhamento – um tipo de tensão tangencial gerado por forças aplicadas em sentidos opostos – atingiu o seu mínimo sazonal, as tempestades cresceram exponencialmente.


Um dos fatores que também tem influência na criação destas tempestades, é a instabilidade do ar. Esta instabilidade funciona como catalisador dos furacões – é a gasolina numa fogueira. Na semana passada, estes valores atingiam valores abaixo da média até que tudo mudou e, sem razão aparente, os valores foram subindo.



Philip Klotzbach
✔
@philklotzbach
The Atlantic has now had four named storms simultaneously for 18 hours. The last time that an Atlantic #hurricane season had four named storms simultaneously for longer than 18 hours was in 1998. #Florence #Isaac #Helene #Joyce.

17:25 - 13 de set de 2018
168


O furacão Florence, que chegou a ser de categoria 4 na escala de Saffir-Simpson, foi o primeiro furacão com uma categoria tão alta a ser observado tão a nordeste. Neste momento encontra-se em direção aos Estados Unidos.

Contudo, este furacão não é único a agitar o Atlântico. A oeste de Cabo Verde, o furacão Helena produz ventos de cerca de 144 quilómetros por hora. Marcado como um furacão de categoria 1 e apesar de as suas imagens de satélite serem assustadoras, parece provável que o furacão permaneça em oceano aberto e se extingue, propiciando apenas a queda de chuvas fortes na Europa.

E não, os ventos no Atlântico não ficam por aqui. Isaac, uma tempestade com ventos na ordem dos 96 quilómetros por hora, está nas Caraíbas e irá atacar as Antilhas Menores antes de passar no sul de Cuba e de Porto Rico.

Uma onda adicional de baixa pressão, a várias centenas de quilómetros a sudoeste dos Açores, também poderá desenvolver características tropicais ou subtropicais nos próximos dias, contudo, não parece ser uma ameaça.

Do outro lado, no Pacífico, o Super Tufão Mangkhut produz ventos de 274 quilómetros por hora e ondas gigantes a cerca de 322 quilómetros a oeste da costa Guam. É esperado que este super tufão atinja o norte das Filipinas com a força equivalente a um furacão de categoria 5.

Mas na zona asiática, o Super Tufão também não está sozinho. A tempestade tropical Barijat irá passar no sul de Hong Kong. A cidade onde habitam 7 milhões de pessoas também terá um encontro com o Mangkhut que, a essa altura, já terá uma classificação de categoria 1 de baixo nível.

O arquipélago do Havai, conhecido pelo bom tempo também terá a sua luta com as ameaças no Pacífico. Olivia, a tempestade tropical, está a atingir o Havai com chuvas intensas e inundações que atingem os 38 centímetros.

Há cerca de 2 semanas, com a ajuda do furacão Lane, o Havai estabeleceu um recorde na precipitação com 132,1 centímetros de chuva registados. Mais uma vez debaixo de fortes chuvas, é esperado que as alterações climáticas possam favorecer a criação de tempestades no paraíso tropical.

Combinando as seis tempestades que atingem os vários pontos do globo, verifica-se um aumento substancial na intensidade, periodicidade e quantidade de tempestades.

A Energia Ciclónica Acumulada, ECA, é a métrica utilizada para combinar a duração e a intensidade destes fenómenos e, em todo o hemisfério norte, a métrica avalia este ano como estando 159% acima do normal.

A grande contribuição para este resultado vem do Pacifico Leste, que marca 245% acima da média, seguido do Pacífico Oeste com 124% acima dos valores normais. Os oceanos Indico e Atlântico estão também acima da sua média mas apenas ligeiramente.

Contudo, o aparecimento destes fenómenos a meio de setembro não é uma surpresa. No cronograma da atividade histórica, esta época do ano não é estranha à ocorrência destes fenómenos naturais.

O Pacífico Oeste tem o pico registado entre julho a outubro e o Pacífico Leste entre agosto e setembro. Já o Atlântico tem a época mais curta e o pico acontece na primeira metade do mês de setembro.

Contudo, a intensidade das tempestades é bastante elevada em todas as bacias. O meteorologista Phil Klotzbach, investigador de furacões da Universidade do Colorado, criou um site que regista as atividades destes fenómenos. No site, a conclusão é que todas as bacias oceânicas apresentam atividades entre o normal e o acima de normal para o ano de 2018.

Investigadores por todo o mundo afirmam que as alterações climáticas não influenciarão o número de tempestades criadas mas que, a grande alteração nestes fenómenos será o aumento das suas intensidades, algo que já se tem registado.

https://zap.aeiou.pt/florence-nao-esta-sozinho-existem-mais-5-furacoes-no-planeta-um-deles-com-ventos-de-quase-300kmh-218196

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Quimioterapia com "efeitos secundários mínimos". A descoberta na luta contra o cancro que tem a mão de duas portuguesas

 Diana Fernandes e Fernanda Andrade integram a equipa de investigadores que desenvolveu um hidrogel injetável que pode estar perto de revolucionar a quimioterapia como hoje a conhecemos. Quiseram "humanizar" o tratamento e tornar "mínimos" os seus efeitos secundários. Os tumores sólidos são os alvos do tratamento, como cancro do ovário, cérebro, mama ou pâncreas É macio, injetável, biodegradável e feito com compostos naturais. São as principais características do novo hidrogel desenvolvido por investigadores do Instituto de Investigação Vall d’Hebron (VHIR) que pode simbolizar um verdadeiro ponto de viragem na luta contra o cancro. Composta por celulose e quisotano, esta formulação local funciona como um “sistema de depósito” que vai libertando o fármaco da quimioterapia “pouco a pouco, durante um longo período de tempo”, com precisão junto da zona do tumor. É o que explica à CNN Portugal a principal investigadora do projeto, Diana Fernandes, 39 anos, doutorada em T...

CRA: a lei europeia de cibersegurança que vai afetar milhares de produtos

 A União Europeia está a mudar a forma como a cibersegurança é encarada. Com o Cyber Resilience Act (CRA), a segurança deixa de ser apenas uma preocupação das organizações e passa também a ser uma obrigação diretamente associada aos produtos digitais colocados no mercado europeu. Cyber Resilience Act (CRA): a lei europeia de cibersegurança que vai afetar milhares de produtos A nova legislação estabelece requisitos obrigatórios de cibersegurança para produtos com elementos digitais, abrangendo desde software e sistemas operativos a dispositivos IoT, equipamentos conectados e determinados componentes de infraestrutura. O objetivo é simples: os produtos digitais devem ser concebidos, desenvolvidos e mantidos tendo a segurança em conta desde o início e durante todo o seu ciclo de vida. O que é o Cyber Resilience Act? O CRA é uma regulamentação europeia que estabelece requisitos de cibersegurança para produtos com elementos digitais comercializados na União Europeia. A grande mudança es...