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Google prepara sucessor do Android. Nome de código: Fuchsia

É um projeto secreto da Google: 100 engenheiros estão há dois anos a produzir um sistema operativo que vai substituir o Android. Mas ainda se esperam mais três anos de trabalho.

A Google está de olhos postos no futuro. Um futuro sem Android.
Pixabay
Uma equipa de cem engenheiros está há dois anos a desenvolver aquele que será o sucessor do Android, o sistema operativo criado pela empresa e que está instalado em mais de dois mil milhões de dispositivos móveis. O projeto tem o nome de código Fuchsia e está a ser levado a cabo com grande sigilo na multinacional.

A ideia passou por criar um novo sistema operativo de raiz, que pudesse ao mesmo tempo suportar telemóveis, tablets, computadores, gadgets, sensores e outros equipamentos da nova era da internet das coisas (IoT). Ou seja, o Fuchsia não terá o Android como base. Será um sistema completamente novo e totalmente pensado para a próxima era da internet e da tecnologia. E a empresa tem vindo a publicar sorrateiramente pedaços de código aberto e a experimentar versões interativas de aplicações como o YouTube.

O projeto é ambicioso, na medida em que a Google espera que um mesmo sistema operativo seja capaz de suportar aparelhos tão diferentes como um telemóvel e uma coluna inteligente. Aliás, inteligente é a característica principal que a Google quer dar ao Fuchsia: um sistema repleto de inteligência artificial ao mais alto nível, como tem sido apanágio da multinacional. Machine learning, comandos de voz e outras buzzwords da atualidade não deverão faltar. Assim como a segurança, que estará no topo das prioridades da equipa.

A Bloomberg (acesso condicionado) cita três fontes que dão mais alguns detalhes sobre o atual plano estratégico da Google para o Fuchsia: numa primeira fase, o novo sistema operativo deverá ser lançado para os dispositivos de IoT e, noutra fase, chegará a aparelhos maiores, como os computadores portáteis. As mesmas fontes admitem que a chegada do Fuchsia ao mercado poderá acontecer já daqui a três anos. A meta final é que o Fuchsia substitua o Android por completo, algo que deverá acontecer durante a primeira metade da próxima década.

Acabar com o Android não será tarefa fácil para a multinacional norte-americana. Só no segmento mobile, são cerca de 1.300 as marcas que recorrem ao Android num total de 24.000 modelos diferentes. Existem também mais de um milhão de aplicações na loja Play Store, desenhadas especificamente a pensar no sistema operativo atual. E, como explica a agência financeira, a Google também gera milhares de milhões de dólares em receitas, graças ao Android, com vários segmentos de negócio.

Além disso, a administração da Google ainda não fechou em concreto as reais ambições para este projeto e as intenções poderão mudar com o tempo. Sabe-se apenas que Sundar Pichai, presidente executivo da multinacional, já expressou internamente o apoio ao projeto Fuchsia, segundo fontes da Bloomberg. O novo sistema operativo é uma oportunidade para a empresa corrigir eventuais problemas que existam com o sistema atualmente em vigor. Uma espécie de recomeçar do zero.

A notícia surge numa semana em que a empresa detida pela Alphabet foi alvo da maior multa alguma vez imposta por Bruxelas em matéria concorrencial — e precisamente por causa do Android. A Comissão Europeia deu como provadas três práticas irregulares que terão ajudado a companhia a ganhar quota de mercado sobre a concorrência e a sagrar-se o motor de busca líder em toda a linha. Em causa, 4,3 mil milhões de euros, mais de metade do lucro da Google no primeiro trimestre do ano.

Certo é que a empresa vai recorrer. Mas quando se soube da condenação da Google, Sundar Pichai não esperou para responder. Num artigo publicado no blogue da empresa, o gestor foi firme na defesa do Android: “A inovação rápida, escolha alargada e queda dos preços são sinais clássicos de uma concorrência robusta, sendo que o Android permitiu tudo isso. A decisão [de Bruxelas] rejeita o modelo de negócio que o suporta. O Android criou mais escolhas para todos, não menos”, escreveu o líder da empresa. Face a tudo isto, esperam-se grandes mudanças na Google do futuro. Resta saber se esse futuro é cor-de-rosa. Ou rosa fúcsia.

https://eco.pt/2018/07/21/google-prepara-sucessor-do-android-nome-de-codigo-fuchsia/

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