Avançar para o conteúdo principal

Táxi versus Uber: o que dizem as duas leis

A comparação entre o quadro legal que rege a atividade de táxi e o transporte em veículo descaracterizado a partir de plataforma eletrónica, (TVDE), conhecida como a lei Uber, tem por base um documento de trabalho enviado pelo Ministério do Ambiente. E faz uma análise financeira às regras que se aplicam aos táxis e às condições fixadas no diploma para a TVDE que irá entrar em vigor em novembro e que os taxistas querem suspenso e alterado.

Impostos:

Isenção de ISV (imposto sobre veículos):
Os táxis têm direito a isenção de 70% do valor do imposto devido pela compra do veículo. Uma isenção que pode valer entre 1.400 euros e os 4.000 euros, dependendo do preço do automóvel. Os prestadores de serviço de TVDE, como a Uber e a Cabify, não tem esta isenção.

Isenção de IUC (imposto único de circulação):
Os proprietários de táxis têm isenção de IUC, o que representa uma poupança entre 100 e 150 euros por ano. Os condutores que usam plataforma não têm

Impostos sobre a atividade:
A atividade dos táxis paga IVA a 6%, a taxa mínima, e IRC sobre os lucros da atividade. Os serviços da Uber e afins também pagam IVA a 6% e IRC sobre os lucros da atividade mas este últimos não tem como fugir à factura.

Contribuição de regulação e supervisão:
Os prestadores de transportes por plataforma pagam 5% sobre a taxa de intermediação cobrada, num valor que pode ir até 25% da sua faturação. Os táxis não pagam.

Dedução do IVA com despesas de viaturas ligeiras de passageiros:
Os táxis têm acesso a esta opção a partir de um valor mínimo estimado de 300 euros por ano. Não existe para os condutores das plataformas.

Dedutibilidade do IVA do gasóleo em 100%:
Os taxistas podem deduzir o IVA e as estimativas do Governo apontam para um benefício anual de 1000 euros. Os concorrentes não podem.

Licenciamento:

Os alvarás dos táxis custam desde cerca de 100 euros até 400 euros nos casos de licenças em Lisboa. Os custos, ainda por definir, serão similares para os condutores de plataformas.

Equipamentos de apoio à atividade:
Os taxistas pagam cerca de 1000 euros por um taxímetro e sinalização luminosa e suportam os custos com a regulação da aferição do equipamento. Os concorrentes têm custos de desenvolvimento da plataforma eletrónica de reservas, mapeamento e faturação, por valores indicados. A atividade exige um smartphone.

Formação:
Os taxistas têm de tirar um curso de formação inicial de 125 horas, o que dá acesso a um certificado que lhes permite conduzir para as plataformas. Os condutores da Uber e outros serviços têm uma formação inicial de 50 horas e um certificado que não é válido para conduzir táxis.

Seguros:
Não existe uma exigência especifica para os táxis, mas oferta disponível de seguros para esta atividade é mais cara do que a disponível para veículos privados. Também não é exigido um seguro para os condutores de plataforma, mas caso pretendam contratar as ofertas de seguros são equivalentes às existentes para táxis. E mais caras do que para veículos pessoais.

Apoio específico para compra de veículos elétricos:
Os taxistas têm acesso a apoios do Fundo para o Serviço Público de Transportes que pode oscilar entre os 5000 e os 12.500 euros por veiculo comprado. A dotação total para este fim é de 750 mil euros. Este apoio não existe para os condutores de plataformas.

Limite de idade do veículo:
No caso dos táxis não existe, mas há uma proposta do Governo para dez anos. No caso dos transportes em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica, o limite de idade são sete anos.

Acesso ao mercado (novos operadores):
O acesso de novos operadores ao mercado dos táxis está limitado por contingentes municipais que em alguns casos não têm sido alterados há mais de dez anos. Há uma obrigação de licenciamento prévio para os operadores ligados a plataformas, mas não existe contingentação. “Esta é aliás uma das principais queixas dos taxistas em protesto).

Tarifário:
O preço da bandeirada e os valores cobrados por distância percorrida e tempo são convencionados e fixados pela Direção-Geral das Atividades Económicas, ou seja, pelo Governo. No mundo dos condutores de plataformas, o preço é livre, mas em alguns varia em função da tarifa dinâmica que mexe em função da oferta e da procura. Quanto maior for a procura e menor a oferta, mais caro é o serviço. Mas a regra, conclui o documento do Governo, é que o preço é mais barato.

Utilização da via pública:
Os táxis têm acesso a estacionamento dedicado em praças de táxis e ao regime de hailing (chamados na rua). Os condutores da Uber são chamados por reserva prévia através de uma aplicação (app) e sem hailling.

Via Bus:
Os táxis têm acesso às vias reservas ao transporte público. Os concorrentes não.

Horas de condução:
Não há limites definidos para os táxis. Os condutores ligados a uma plataforma têm um limite de 10 horas de condição, independentemente do número de “patrões” para os quais prestem serviço.

Publicidade no veículo:
Nos táxis não há restrições. Nos carros usados por serviços de transporte por plataforma está interdita a colocação ou exibição de de publicidade dentro e fora do veículo.


O documento de trabalho elaborado pelo Ministério do Ambiente, a que o Observador teve acesso, elenca também as vantagens legais para o setor dos táxis e para os concorrentes das plataformas. E conclui que os táxis estão em vantagem na maioria dos pontos analisados.


Conheça as diferenças e semelhanças nas regras a que estão sujeitas as duas actividades:






https://observador.pt/2018/09/24/o-que-distingue-taxis-e-plataformas-como-a-uber-aos-olhos-da-lei-em-12-pontos/

Comentários

Notícias mais vistas:

Largo dos 78.500€

  Políticamente Incorrecto O melhor amigo serve para estas coisas, ter uns trocos no meio dos livros para pagar o café e o pastel de nata na pastelaria da esquina a outros amigos 🎉 Joaquim Moreira É historicamente possível verificar que no seio do PS acontecem repetidas coincidências! Jose Carvalho Isto ... é só o que está á vista ... o resto bem Maior que está escondido só eles sabem. Vergonha de Des/governantes que temos no nosso País !!! Ana Paula E fica tudo em águas de bacalhau (20+) Facebook

Dormir numa bagageira

José Soeiro  O aparato da tecnologia avançada organiza as mais indignas regressões sociais. Radical é uma bagageira ser o quarto de um trabalhador De visita a Lisboa, John chamou um Uber mal chegou ao aeroporto. O carro veio buscá-lo, conta-nos a última edição do Expresso, mas o motorista resistiu a pôr as malas do turista na bagageira. Insistência de um lado e renitência do outro, houve uma altercação, até que a PSP interveio e exigiu que o motorista abrisse a bagageira do carro. Dentro dela, estava um homem - um outro motorista, que faz daquela bagageira o seu quarto, recanto possível para repousar o corpo. Segundo o jornal, não é caso único. A situação é comum entre os migrantes do Indostão a trabalhar para a Uber. Eis a condição extrema dos trabalhadores da gig economy num país europeu do século XXI. Lisboa, paraíso dos nómadas digitais, capital da Web Summit, viveiro de “unicórnios”, sede do centro tecnológico europeu da Uber, “modelo de ouro” das plataformas: cidade sem teto ...

Governo paga 1.876 euros por cada cama que liberte internamentos sociais nos hospitais

Nuno Patrício - RTP O Governo vai pagar 1.876,30 euros por cada cama intermédia no setor social que liberte camas dos hospitais ocupadas com internamentos sociais, anunciou o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) em comunicado. Segundo o Governo, o valor é 10% superior ao custo média de uma vaga numa estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI) e foi acordado em reunião com a Comissão Permanente do Setor Social e Solidário, que reúne os representantes do setor. Quase 2.800 utentes estavam internados nos hospitais públicos, a meio de janeiro, à espera de resposta social ou de vaga em cuidados continuados, segundo dados da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS). O Governo tinha anunciado há duas semanas a criação de 400 vagas de internamento social em novas unidades intermédias, contratualizadas com entidades do setor social e solidário, destinadas a pessoas com alta clínica que ainda não podem ser encaminhadas para respostas permanentes, c...