Avançar para o conteúdo principal

Portugal e nova geração de telescópios vai descobrir vida extraterrestre?

Portugal e mais seis países assinam em Roma acordo para a construção do maior radiotelescópio do mundo

Em 1961, o astrofísico norte-americano Frank Drake inventou uma equação que estima o número de civilizações extraterrestres na Via Láctea. N = R*× fp × ne × fl × fi × fc × L ficou conhecida por Equação Drake e parece uma fórmula demasiado complexa para o cidadão comum, mas é relativamente simples. Assim, “N” representa o número de civilizações extraterrestres, “R*” a taxa de formação de novas estrelas na nossa galáxia, “fp” a fração de estrelas que possuem planetas em órbita, “ne” o número de planetas que potencialmente permitem a emergência de vida, “fl” a fração destes planetas que realmente têm vida, “fi” a fração dos planetas com vida inteligente, “fc” a fração destes planetas que quer e tem meios para comunicar com outras civilizações, e “L” o tempo esperado de vida de uma civilização deste tipo.

Mas em 1961 os astrofísicos não sabiam qual era o valor destes sete parâmetros, apenas podiam fazer conjeturas. Os avanços da ciência permitiram, entretanto, chegar a números consistentes para os primeiros três parâmetros da famosa equação. Graças aos mais potentes telescópios espaciais e terrestres, já foram identificados 4000 planetas extrassolares na Via Láctea e 47 são parecidos com a Terra. Sabemos ainda que há mais planetas do que estrelas e que pelo menos 25% destes planetas têm a dimensão da Terra e situam-se na zona habitável da sua estrela, que permite a emergência de água no estado líquido. Como a nossa galáxia tem pelo menos 100 mil milhões de estrelas há, certamente, uma imensidão de planetas potencialmente com vida.

Mas isto não chega para calcular a Equação Drake. Há que esperar pela próxima geração de supertelescópios. A começar pelo SKA (Square Kilometer Array), o maior radiotelescópio do mundo, um projeto literalmente astronómico — considerado a maior infraestrutura do planeta — que terá 2500 antenas instaladas na África do Sul e na Austrália. Vai estudar as ondas gravitacionais e a evolução do Universo, testar as teorias de Einstein, mapear centenas de milhões de galáxias e procurar sinais de vida extraterrestre.

INVESTIR €2000 MILHÕES
A convenção para construir o SKA foi assinada esta semana em Roma por Portugal, Holanda, Itália, Reino Unido, China, África do Sul e Austrália. E a Índia e a Suécia vão aderir em breve. O projeto envolve 1000 investigadores e engenheiros em 20 países de três continentes, 270 centros de investigação e empresas e um investimento de 2000 milhões de euros. Domingos Barbosa, investigador do Instituto de Telecomunicações e coordenador português do SKA, diz que “vai ser a máquina que mais dados irá produzir nos próximos 20 anos — dez vezes mais dados do que o tráfego global da internet”. E Philip Diamond, diretor-geral da Organização SKA, salienta que “tal como o telescópio de Galileu no seu tempo, o SKA irá revolucionar a maneira como compreendemos o Universo e o nosso lugar nele”.

O Observatório Europeu do Sul (ESO), organização a que Portugal pertence, está também a construir o maior telescópio ótico do mundo, o E-ELT (European Extremely Large Telescope), no Deserto de Atacama, no Chile. Terá imagens 15 vezes mais nítidas do que as obtidas pelo telescópio espacial óptico Hubble e permitirá, entre outras coisas, estudar e caracterizar planetas extrassolares rochosos com a mesma massa da Terra, procurando indícios de vida. Há ainda outros projetos em curso com o mesmo objetivo, como os telescópios espaciais James Webb e WFIRST, da NASA.

Mas como se podem detetar sinais de vida num planeta extrassolar? Através da luz da estrela que este orbita, quando é refletida por ele ou atravessa a sua atmosfera, porque os gases que a compõem absorvem diferentes comprimentos de onda dessa luz. Se estes corresponderem ao dióxido de carbono, metano ou oxigénio, a vida existe.

https://expresso.pt/sociedade/2019-03-16-A-nova-geracao-de-telescopios-vai-descobrir-vida-extraterrestre-#gs.1c223x

Comentários

Notícias mais vistas:

Salário mínimo cada vez mais perto do mediano. O rácio entre os dois já chega aos 91%, diz o Banco de Portugal

O governador do Banco de Portugal, Álvaro dos Santos Pereira. Foto: JOÃO RELVAS/LUSA  Banco de Portugal avisa que esta compressão da distribuição salarial levanta questões relativamente aos incentivos dos trabalhadores e à dinâmica da produtividade da economia. A distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem no setor privado tem registado uma compressão, nomeadamente associada ao salário mínimo, que tem um “papel central” na formação dos ordenados, conclui uma análise do Banco de Portugal. O rácio entre o salário mínimo e o salário mediano subiu para 91% em 2025. Segundo a caixa divulgada esta segunda-feira, sobre a distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem, que estará disponível no Boletim Económico de junho, os aumentos salariais mais elevados ocorrem nos níveis inferiores associados ao salário mínimo, por via da atualização deste valor. No verão, a atualidade não fica em pausa.Assine por 39,90€/ano habilite-se a ganhar 1 estadia num hotel ...

"Obriy": como uma inovação desenvolvida na Ucrânia está a destruir os drones russos - e também a gerar preocupação

 Novos sistemas estão já a ser utilizados por brigadas, pelos serviços de segurança ucranianos, serviços militares, polícia, equipas de resgate e profissionais de saúde Num cenário de guerra cada vez mais dominado por drones, detetar uma ameaça segundos antes do impacto pode ser a diferença entre sobreviver ou ser apanhado sem hipótese de reação. Na Ucrânia, onde os ataques com drones FPV se tornaram rotina, os sistemas de deteção estão a ganhar um papel central e podem vir a tornar-se uma ferramenta essencial muito para lá das linhas da frente. Estes dispositivos permitem, segundo o Euromaidan, identificar sinais emitidos entre drones e operadores a vários quilómetros de distância, oferecendo tempo precioso para procurar abrigo, ativar bloqueadores eletrónicos ou preparar contramedidas. A rapidez da resposta tornou-se crítica, tanto para militares no terreno como para equipas de emergência e jornalistas em zonas de combate. Uma das empresas em destaque neste setor é a Kara Dag Tec...

Drone russo cai em território da Moldova, denuncia Kiev

O chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiha, antes da 135.ª sessão do Comité de Ministros do Conselho da Europa, no Palácio da República, em Chisinau, Moldávia, a 15 de maio de 2026Vladislav Culiomza / Reuters  O chefe da diplomacia ucraniana considerou que o incidente "demonstra claramente que Moscovo representa uma ameaça não só para a Ucrânia, mas para toda a região e para a Europa no seu conjunto". A Ucrânia denunciou esta segunda-feira que um dos 155 drones com que a Rússia atacou o país durante a noite caiu em território da Moldova, cujas autoridades reportaram um incidente com um aparelho desconhecido. "Outro drone russo caiu na Moldova durante o ataque massivo da passada noite contra a Ucrânia por parte da Rússia", anunciou o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiha, nas redes sociais, citado pela agência de notícias espanhola EFE. Sybiha considerou que o incidente "demonstra claramente que Moscovo representa uma ameaça não só para a Ucrânia, mas...