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Venezuela enfrenta quarto dia de apagão

Venezuelanos fizeram filas em postos de combustíveis e supermercados; 17 pessoas já morreram nos hospitais por falta de energia, segundo ONG.

Irritados, os venezuelanos fizeram filas para comprar água e combustível neste domingo (10), no quarto dia de apagão que atinge todo o país. Sem energia elétrica, alimentos estão apodrecendo nas lojas, casas sofrem com falta de água e telefones celulares não têm sinal.

As autoridades conseguiram fornecer apenas acesso desigual de energia desde que o blecaute começou na quinta-feira (7), no que o presidente Nicolás Maduro chamou de ato de sabotagem apoiado pelos Estados Unidos, mas os críticos insistem que é o resultado da incompetência e da corrupção.

Maduro atribui apagão na Venezuela a ataque hacker dos Estados Unidos
Nos hospitais do país, a falta de energia elétrica já levou a morte de 17 pacientes, de acordo com balanço da organização não-governamental Médicos Por La Salud divulgado no sábado.

A Reuters não pode verificar o número e o Ministério da Informação não respondeu a pedidos de comentário. A energia voltou brevemente a partes de Caracas e outras cidades na sexta-feira (8) mas acabou de novo perto do meio-dia no sábado.

Colapso econômico
Sem uma explicação oficial do problema ou do prazo provável para resolvê-lo, os venezuelanos estão agora preocupados com a possibilidade de que o apagão se estenda indefinidamente.

A pior queda de energia da histórica do país ocorre no momento em que Maduro enfrenta um colapso econômico hiperinflacionário e uma crise política sem precedentes. Em janeiro, o líder da oposição Juan Guaidó invocou a constituição para assumir a presidência depois de declarar a reeleição de Maduro em 2018 como uma fraude.

Em Caracas, moradores irritados do bairro de Chacao montaram barricadas ao longo de uma avenida principal e em ruas laterais para protestar contra a contínua paralisação.

"A comida que tínhamos em nossas geladeiras estragou, as empresas estão fechadas, não há comunicação, nem mesmo pelo celular", disse Ana Cerrato, 49, comerciante, diante de uma pilha de arame farpado e detritos. "Nenhum país pode suportar 50 horas sem eletricidade. Precisamos de ajuda! Estamos em uma crise humanitária!"

Filas em postos de combustível se formavam enquanto os motoristas aguardavam para abastecer com gasolina, e famílias ficaram debaixo do sol para comprar água potável, que não está disponível para a maioria dos moradores cujas casas não têm energia.

Venezuelanos tentam carregar celular utilizando painel solar — Foto: Reuters Venezuelanos tentam carregar celular utilizando painel solar — Foto: Reuters
Venezuelanos tentam carregar celular utilizando painel solar — Foto: Reuters

A estatal de petróleo PDVSA informou neste domingo que os suprimentos de combustível estavam garantidos, mas muitos postos continuaram fechados por falta de energia.

Comerciantes incapazes de manter os frigoríficos trabalhando começaram a doar queijo, vegetais e carne para os clientes. "Eu vou dar isso para as crianças de rua que eu vejo", disse Jenny Paredes, dona de um café, em referência ao leite que ela não poderia mais manter guardado.

Um pequeno supermercado em uma área da classe trabalhadora do oeste de Caracas foi saqueado na noite de sábado (9) depois que os manifestantes fizeram uma barricada em uma avenida e entraram em confronto com a polícia, segundo os vizinhos e o dono da loja, Manuel Caldeira.

"Eles pegaram comida, quebraram as vitrines, roubaram balanças e terminais de ponto de venda", disse Caldeira, de 58 anos, em pé no chão de fábrica coberto de vidro. "Nós não estávamos aqui (quando aconteceu), chegamos aqui e descobrimos tudo isso destruído."

O ar na loja ainda cheirava a gás lacrimogêneo da noite anterior, quando a polícia disparou cartuchos para dispersar os saqueadores. Dois funcionários lutavam para abrir portas de proteção de aço danificadas pelos ladrões.

"O sistema elétrico nacional tem sido objeto de múltiplos cyberataques", escreveu Maduro no Twitter neste domingo. "No entanto, nós estamos fazendo grandes esforços para restaurar o fornecimento (de forma) estável e definitiva nas próximas horas."
Guaidó criticou severamente o governo por não explicar o que estava acontecendo. "O regime a esta hora, dias depois de um apagão sem precedentes, não tem diagnóstico", disse ele.

Guaidó foi reconhecido como líder legítimo da Venezuela pelos Estados Unidos e pela maioria dos países ocidentais, mas Maduro mantém o controle das forças armadas e das funções do Estado.

Apesar da pressão de marchas frequentes da oposição e das sanções dos EUA ao vital setor de petróleo do país, Maduro não está aberto a negociações para acabar com o impasse político e parece disposto a tentar ficar onde está, disse Elliott Abrams, o enviado do governo Trump para a Venezuela.

Em entrevista para a rede de televisão norte-americana ABC, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, disse no domingo que acha que o 'momentum' está do lado de Guaidó.

"Há incontáveis ​​conversas entre membros da Assembleia Nacional e membros das Forças Armadas na Venezuela; falando sobre o que pode acontecer, como eles podem se mobilizar para apoiar a oposição", disse Bolton.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/03/10/venezuela-enfrenta-quarto-dia-de-blecaute.ghtml

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