A energia solar voltou a liderar em agosto o mix de produção de eletricidade em Portugal Continental, com um peso de 23,7%, ligeiramente acima dos 23,3% da energia eólica. No conjunto, as fontes renováveis asseguraram 69,2% da eletricidade produzida durante o mês, segundo dados divulgados pela Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).
Solar volta a liderar produção de eletricidade em agosto - Energia - Jornal de Negócios
Comentário do Wilson:
Quando frequentava a faculdade — no Curso de Engenharia de Energia e Sistemas de Potência (Electrotecnia) no ISEL —, dizia-se que as energias intermitentes (solar e eólica) não deveriam ultrapassar 33% do total da energia produzida, sob o risco de provocar apagões devido à instabilidade gerada na rede. Hoje, porém, já atingimos os 47% (graças aos inversores de formação de rede (grid-forming inverters) e previsão meteorológica avançada).
É, portanto, imperativo que não se concedam mais licenças para energia intermitente sem que existam meios de respaldo e estabilização da rede, seja através de centrais a gás natural, seja a partir do armazenamento dessa mesma energia:
• O gás natural tem a desvantagem de ser uma fonte importada e emissora de CO₂.
• O armazenamento da energia intermitente tem a vantagem de ser energia verde, embora envolva custos elevados.
Felizmente, estes custos começam a tornar-se viáveis sem necessidade de subsídios, nomeadamente através de baterias gravíticas (barragens), químicas (de Lítio, Sódio, chumbo-ácido, etc.), Hidrogénio, térmicas ou ar comprimido.
Previa-se que o futuro do armazenamento em baterias químicas assentaria na segunda vida das baterias de automóveis eléctricos em fim de vida e que, até lá, a resposta passaria pelas baterias de chumbo-ácido. No entanto, e para grande surpresa, surgem cada vez mais centrais fotovoltaicas equipadas com sistemas de armazenamento baseados em baterias novas de LFP (Fosfato de Ferro e Lítio), idênticas às produzidas para os veículos eléctricos. Apesar do investimento inicial elevado, o custo operacional total é menor do que o das baterias em segunda vida ou de chumbo-ácido, sobretudo devido aos níveis de segurança, disponibilidade e escalabilidade.
Por sua vez, o ar comprimido é uma tecnologia incipiente, mas prometedora, que carece de estudos e, eventualmente, de subsídios à investigação. Promete ser a solução mais barata à escala industrial, com a vantagem de os investimentos serem mais duradouros do que os das baterias químicas, mantendo uma disponibilidade rápida (sem ser instantânea como as químicas pelo estas tecnologias deverão co-existir). A técnica consiste em comprimir o ar e injectá-lo em reservatórios herméticos naturais, como minas de sal abandonadas ou aquíferos porosos. Existem já estudos que indicam que Portugal está bem posicionado para tirar partido desta tecnologia, graças à abundância de solos porosos, especialmente na faixa entre Sintra e Aveiro, mas muito provavelmente também em grande parte do território nacional.

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