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Furtos e vandalismo atrasam certificação da nova linha de Évora



 Furtos e vandalismo em equipamentos de catenária e sinalização atrasam certificação da linha ferroviária entre Évora e Elvas, admite Ministério das Infraestruturas e Habitação.


Segundo o ministério liderado por Miguel Pinto Luz, furtos e atos de vandalismo em equipamentos instalados ao longo da linha — nomeadamente em sistemas de catenária, sinalização e telecomunicações — estão a contribuir para atrasar o processo de certificação desta infraestrutura, um dos troços mais aguardados do Corredor Internacional Sul (CIS), que liga Sines a Espanha.


A informação consta da resposta oficial do gabinete do ministro a uma pergunta parlamentar do Livre, sobre atrasos na entrada em exploração da linha e sobre a ausência de submissão da Autorização de Entrada em Serviço (AES) pela Infraestruturas de Portugal (IP) ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) que, segundo os deputados, «impede o início do procedimento de autorização para exploração comercial, levantando preocupações quanto à gestão do investimento público, à articulação institucional e aos atrasos na concretização de uma infraestrutura considerada prioritária».


De acordo com o ministério, «a ocorrência de furtos e atos de vandalismo nas infraestruturas construídas, nomeadamente em equipamentos de catenária, sinalização e telecomunicações, tem originado constrangimentos acrescidos, com reflexos nos calendários e no planeamento das atividades de certificação».


A nova Linha de Évora ficou concluída em janeiro de 2026, com um investimento público de cerca de 460 milhões de euros. Questionando sobre «que impacto estima o Governo que este atraso tenha na execução do Corredor Internacional Sul e na captação de tráfego ferroviário, nomeadamente de mercadorias», o Livre pedia ainda ao executivo que esclarecesse os «constrangimentos técnicos, administrativos ou financeiros» por detrás do atraso.


Na resposta, o Ministério das Infraestruturas e Habitação adianta que a IP «tem vindo a realizar diversos testes dinâmicos, recorrendo a meios próprios e a consultoria especializada, incluindo ensaios de geometria de via, de catenária e de carga em pontes», encontrando-se «igualmente em curso o processo de certificação da interoperabilidade».


Segundo a mesma fonte, «a IP submeterá à ANSF, até ao final de setembro, as declarações de verificação intermédia da fase de projeto dos subsistemas infraestrutura e energia».


Além dos furtos e da vandalização de equipamentos, o ministério aponta uma segunda causa para os atrasos: a falta de empresas certificadoras disponíveis no setor ferroviário.


«A contratação de entidades externas independentes, acreditadas no setor ferroviário de acordo com a regulamentação aplicável, tem-se revelado mais demorada do que inicialmente previsto devido à escassez destas entidades em Portugal e à crescente afetação de empresas estrangeiras a processos semelhantes, promovidos pelas suas congéneres ferroviárias no âmbito dos investimentos em curso na Europa», explica a tutela.


Governo justifica atraso da certificação da Linha Évora com furtos e vandalismo - Alentejo Ilustrado


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