Avançar para o conteúdo principal

Drones levam corda a escalador preso a 77 metros de altura em resgate no Canadá


O drone se aproximando do escalador para entregar uma corda. Imagem: vídeo do Squamish Search and Rescue


 A operação noturna no Stawamus Chief utilizou duas aeronaves não tripuladas: uma iluminou a parede enquanto a outra entregou uma linha que permitiu levar uma corda até o escalador.


Uma operação de resgate realizada no Stawamus Chief, em Squamish, na Colúmbia Britânica, Canadá, utilizou dois drones para solucionar uma situação que poderia ter exigido uma complexa operação de acesso por cordas. Um escalador ficou preso a aproximadamente 77 metros de altura, em um pequeno platô na parede, sem corda suficiente para realizar a descida.


O chamado foi recebido pelo Squamish Search and Rescue (SSAR) depois das 22h  de 10/09. O escalador estava na via Alaska Highway, uma rota de cinco enfiadas, quando seus dois parceiros conseguiram descer com segurança. Ele, porém, permaneceu na parede preso a um ponto de ancoragem, mas sem uma corda longa o suficiente para alcançar o solo. O motivo dele ter ficado para trás não foi esclarecido.


Além da escuridão, a equipe precisava lidar com a possibilidade de queda de pedras e com a dimensão da parede. Segundo o SSAR, essas condições tornariam uma operação convencional de resgate por cordas significativamente mais complexa. Foi então que a equipe especializada em drones entrou em ação.


Dois drones, duas funções

A solução foi dividir a operação entre duas aeronaves. O primeiro drone foi utilizado para iluminar a parede com um holofote, permitindo que os socorristas acompanhassem a situação do escalador e tivessem uma visão melhor do terreno durante a operação.


O segundo drone recebeu a função de transportar uma linha leve até o escalador. Após o homem conseguir alcançá-la, os socorristas enviaram uma corda de escalada até ele para que ele pudesse fazer o rapel.


A vítima agradecendo após chegar em um ponto seguro na montanha. Imagem: Squamish Search and Rescue


Durante esse procedimento, o primeiro drone continuou acompanhando e orientando o escalador. Os drones também foram utilizados para levar uma jaqueta ao homem, ajudando a mantê-lo aquecido enquanto a operação era preparada.


Uma alternativa ao resgate convencional

Em situações desse tipo, uma equipe de resgate normalmente precisa encontrar uma maneira segura de chegar ao escalador — seja acessando a parte superior da parede, seja estabelecendo um sistema de cordas a partir de outro ponto.


No caso do Stawamus Chief, entretanto, a combinação de escuridão, exposição à queda de pedras e dimensões do terreno representava um desafio adicional. Segundo o próprio Squamish Search and Rescue, o uso dos drones permitiu criar uma alternativa que reduziu a necessidade de colocar socorristas diretamente na parede naquele momento.


A tecnologia não substituiu o trabalho dos profissionais. Os drones foram utilizados como uma ferramenta para transportar equipamentos e criar uma conexão entre os socorristas e o escalador, que realizou a descida por conta própria após receber a corda.


De iluminação a equipamento de resgate

O episódio chama atenção porque amplia uma utilização que já vem ganhando espaço em operações de busca e salvamento. Drones são cada vez mais empregados para localizar pessoas em áreas remotas, especialmente à noite ou em terrenos onde uma equipe terrestre demoraria horas para realizar uma busca. Equipamentos equipados com câmeras térmicas também podem ajudar a identificar pessoas em ambientes de baixa visibilidade.


O caso de Squamish mostra uma possível evolução no emprego de drones em ambientes de escalada e montanha. Mais do que localizar uma vítima, aeronaves não tripuladas podem atuar como uma espécie de ponte aérea entre o resgatista e uma pessoa isolada em um terreno de difícil acesso.


Isso não significa que drones substituam equipes especializadas, helicópteros ou sistemas tradicionais de resgate por cordas. Em situações envolvendo vítimas feridas, por exemplo, pode ser necessário realizar uma evacuação técnica ou transportar o paciente até um local seguro.


No entanto, quando o problema é chegar rapidamente a alguém que está isolado e precisa de equipamento para sair da situação, a experiência canadense demonstra como os drones podem acrescentar uma nova possibilidade ao repertório das equipes de busca e salvamento.


Drones levam corda a escalador preso a 77 metros de altura em resgate no Canadá - AltaMontanha


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Open Cosmos capta 300 milhões e “vai acelerar investimento em Portugal”

 Empresa britânica tem 50 milhões para investir em Portugal, onde pretende duplicar a equipa de 50 para 100 pessoas. Com este novo financiamento, esse plano vai "acelerar". A britânica Open Cosmos fechou uma ronda de 300 milhões de euros para acelerar a ligação a partir do Espaço. Portugal é “uma das quatro localizações core” da empresa, mercado onde tem previsto um investimento de 50 milhões. “Este financiamento vai apenas acelerar este investimento”, diz fonte oficial ao ECO/eRadar. “Portugal é uma das quatro localizações core da Open Cosmos. Tal como anunciámos anteriormente, a equipa em Portugal é constituída por 50 pessoas, e planeamos dobrar a equipa e investir 50 milhões no país”, adianta a mesma fonte. Com quatro fábricas no Reino Unido, Grécia, Espanha e Portugal, com 400 trabalhadores, e capacidade para fabricar um satélite por dia, a empresa tem vindo a lançar uma nova geração de satélites para a OpenConstellation, procurando reduzir o tempo de entrega de produtos ...

Energia nas rochas: será o subsolo a bateria de que precisamos para a transição energética?

Direitos de autor AP Photo/Ross D. Franklin Um estudo de investigadores portugueses analisou diferentes possibilidades de armazenamento de energia com ar comprimido em rochas porosas em profundidade. No melhor cenário, um reservatório poderia armazenar energia suficiente para o consumo de uma pequena cidade. Armazenar energia no subsolo: parece ficção científica mas é uma prática que não é propriamente nova no contexto da investigação geológica. Conhecida desde a década de 70 do século passado com as primeiras experiências em cavernas de sal na Alemanha, o processo representa um mundo de possibilidades no campo da energia renovável e da necessidade de armazenamento que este acarreta. "Um dos problemas que existe com a transição energética é a existência de uma maior disponibilidade de energia de fontes renováveis, que não é possível ser armazenada", explica à Euronews Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisb...