Avançar para o conteúdo principal

Municípios da Área Metropolitana de Lisboa exigem revisão urgente do sistema Volta



 Os municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML) pedem a revisão urgente do Volta, sistema de recolha de garrafas de plástico e de latas, por considerarem que "não está a funcionar" e tem efeitos sociais e ambientais "nefastos". Numa posição unânime, os autarcas argumentam que está a causar impactos ao nível da limpeza urbana e da salubridade que "não podem ser desconsiderados".


Os 18 municípios, que debateram o problema na última reunião do Conselho Metropolitano de Lisboa, realçaram os efeitos sociais do sistema de depósito e reembolso de embalagens Volta, bem como os impactos na conservação dos equipamentos municipais, a cobertura territorial da rede de devolução, a experiência dos consumidores e os encargos operacionais suportados pelas autarquias.


"De uma forma unânime, as autarquias consideram que, nos moldes em que se encontra, o sistema não está a funcionar e que a sua implementação tem acarretado um conjunto de efeitos sociais e ambientais nefastos", lê-se no comunicado da AML, que abrange as autarquias de Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira. O Conselho Metropolitano é presidido por Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, que já tinha apelado ao cancelamento do sistema Volta. Esse pedido foi recusado pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, que afirmou que é "obrigatório a nível europeu" e que recusou que seja responsável pelo "drama social" de pessoas a remexer no lixo para recolher garrafas.


Aprofunda os dramas sociais, diz Moedas

"Os municípios da AML têm sido confrontados com problemas relacionados com as ineficiências do Volta". Os autarcas pela sua proximidade à população e ao território têm testemunhado a "agudização de questões de organização e limpeza do espaço público, bem como o aprofundamento de dramas sociais, que carecem de rápida intervenção dos poderes públicos". O social-democrata insiste que o sistema deve ser "redesenhado", com contributos de quem está no terreno, para que seja "mais funcional, salvaguarde o espaço público e seja economicamente mais justo e socialmente mais responsável".


A AML argumenta que o sucesso do sistema Volta "não pode ser medido exclusivamente pelo número de embalagens devolvidas ou pelas taxas de recolha e reciclagem", defendendo a necessidade de avaliar, também, a capacidade de produzir benefícios ambientais efetivos "sem comprometer a sustentabilidade económica, operacional e territorial dos sistemas existentes".


Nesse sentido, propõem "uma avaliação urgente" do modelo de funcionamento do Volta, em vigor desde 10 de abril, envolvendo o Governo e as autarquias, bem como as entidades responsáveis pela gestão do sistema, os operadores económicos e os representantes dos consumidores, para que se defenda os interesses dos cidadãos, das empresas e dos territórios "junto das instâncias europeias".


AML exige revisão urgente do sistema Volta


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Plataforma pública “Licencia com Inteligência Artificial” vai cortar tempos de espera em “pelo menos 60%”

 O ministro da Reforma do Estado sublinhou que as empresas portuguesas têm uma baixa adoção de IA, o que deixa mais margem para acelerar a produtividade nacional. O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Saraiva Matias, sublinhou que as empresas portuguesas têm uma baixa adoção de inteligência artificial (IA), mas considera que esse atraso pode transformar-se numa oportunidade para acelerar a produtividade e a competitividade da economia, pela margem por explorar que está disponível. “As nossas empresas têm uma baixa adoção de IA. As pequenas e médias empresas correspondem a 99% do tecido empresarial português e a adoção de IA é baixa. É preciso apoiar estas empresas a introduzir IA nos seus modelos de negócio para poderem competir no plano global”, disse o ministro na Conferência “Futuro do trabalho 5.0”, no estúdio do ECO., na qual se discutiu as novas tendências do trabalho e de que forma a tecnologia as está a moldar. Para além das empresas, outras das prioridades ide...

Continente tem câmaras nas prateleiras dos supermercados. Para que servem?

 Uma imagem partilhada no Reddit gerou polémica por dar conta de que há câmaras instaladas nas prateleiras de algumas lojas Continente. A empresa veio a público explicar o que está a acontecer. Em Portugal, a Internet ficou agitada depois de um utilizador do Reddit partilhar uma fotografia alegadamente tirada numa loja Continente, onde se vê uma pequena câmara instalada diretamente numa prateleira do supermercado. A dúvida surgiu, naturalmente: para que serve aquele dispositivo? O autor da publicação levantou a hipótese de se tratar de um mecanismo de leitura de códigos QR para facilitar a atualização de preços nos ecrãs digitais das prateleiras. Contudo, a realidade é um pouco diferente, conforme confirmado pelo Polígrafo junto da empresa. O que diz o Continente? Questionada sobre as câmaras, fonte oficial do Continente esclareceu que a imagem mostra um dispositivo integrado num projeto piloto para a melhoria contínua das operações em algumas lojas. A MC implementou um projeto pil...