Empresa britânica tem 50 milhões para investir em Portugal, onde pretende duplicar a equipa de 50 para 100 pessoas. Com este novo financiamento, esse plano vai "acelerar".
A britânica Open Cosmos fechou uma ronda de 300 milhões de euros para acelerar a ligação a partir do Espaço. Portugal é “uma das quatro localizações core” da empresa, mercado onde tem previsto um investimento de 50 milhões. “Este financiamento vai apenas acelerar este investimento”, diz fonte oficial ao ECO/eRadar.
“Portugal é uma das quatro localizações core da Open Cosmos. Tal como anunciámos anteriormente, a equipa em Portugal é constituída por 50 pessoas, e planeamos dobrar a equipa e investir 50 milhões no país”, adianta a mesma fonte.
Com quatro fábricas no Reino Unido, Grécia, Espanha e Portugal, com 400 trabalhadores, e capacidade para fabricar um satélite por dia, a empresa tem vindo a lançar uma nova geração de satélites para a OpenConstellation, procurando reduzir o tempo de entrega de produtos de observação da Terra de até 48 horas para apenas 30 minutos, ao mesmo tempo que viabiliza o processamento de inteligência artificial (IA) a bordo e a comunicação entre satélites para serviços de informação em tempo real.
Portugal é uma das quatro localizações core da Open Cosmos. Tal como anunciámos anteriormente, a equipa em Portugal é constituída por 50 pessoas, e planeamos dobrar a equipa e investir 50 milhões no país. Este financiamento vai apenas acelerar este investimento.
A empresa tem entre os seus clientes governos europeus, agências espaciais, grandes empresas de energia e infraestruturas. Está também envolvida, do lado espanhol, no desenvolvimento dos satélites da Constelação Atlântico.
O novo capital foi angariado junto da Lightrock, ETF Partners, Institut Català de Finances (ICF), Entrepreneurs First, Santander Alternative Investments, A&G Global Investors, Trill Impact, Phoenix Court, National Security Strategic Investment Fund (NSSIF), Endeavor Catalyst Fund, Convex Group, Sankara, Ireon Ventures, Sustainable Forward Capital (SFC), Claret Capital Partners e dois dois grandes fundos de pensões internacionais. Entre os participantes estão ainda os investidores portugueses Iberis Capital, Shilling VC e Amena Ventures.
“A Open Cosmos está a desenvolver capacidades significativas em Portugal, combinando tecnologia e talentos locais com uma plataforma europeia mais ampla. É com satisfação que apoiamos uma líder regional, reforçando a autonomia estratégica e a resiliência europeias, em áreas tão críticas quanto a aeroespacial, defesa e conectividade IoT. Orgulhamo-nos de ver essa ambição ganhar raízes em Portugal, ajudando a consolidar o país como um polo do setor espacial”, destaca João Henriques, partner da Iberis Capital, citado em comunicado.
A ligação da empresa a Portugal — mercado onde no ano passado comprou a Connected — foi igualmente destacada pela Shilling. “A Open Cosmos demonstra que uma empresa de tecnologia europeia com excecional talento português pode escalar rapidamente e, ao mesmo tempo, manter uma execução excecional. Estamos entusiasmados por apoiar o Rafel [Jorda Siquier, fundador e CEO da Open Cosmos] e toda a equipa no desenvolvimento da próxima geração de inteligência e conectividade espacial a partir da Europa”, refere Pedro Carlos, partner do braço de capital de risco da Draycott, citado em comunicado.
“Portugal definiu como prioridade a construção de capacidade industrial própria em áreas críticas da economia espacial, num momento em que a Europa procura reduzir dependências externas em comunicações, observação da Terra e informação operacional. A Open Cosmos é hoje um dos exemplos mais claros desse percurso, com uma presença industrial em Coimbra que integra satélites para missões europeias e que se articula com a Coimbra Supernova, iniciativa que pretende consolidar a região como polo de referência na cadeia de valor espacial. O reforço de investimento em empresas com esta capacidade de execução confirma que Portugal reúne condições de talento, infraestrutura e enquadramento para acolher atores globais do setor, e que essa presença gera valor muito além de cada empresa, qualificando fornecedores, atraindo investimento e criando emprego altamente especializado”, destaca Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, citado em comunicado.
Com esta injeção de capital, eleva-se para 352 milhões o capital já levantado pela empresa.
Momento de crescimento do setor espacial
A empresa reúne a OpenOrbit (conceção, construção e operação de satélites); a OpenConstellation (que permite a partilha de infraestruturas de satélites); a ConnectedCosmos (que liga os satélites à Terra, através de comunicações soberanas de banda larga e IoT) e a DataCosmos. Esta última transforma imagens e dados de sensores em informação operacional em tempo real, descrevem. Capacidades que querem reforçar com esta injeção de capital.
O reforço de capital surge num momento em que o setor do Espaço tem vindo a registar um aumento da procura.
“A infraestrutura espacial está a tornar-se tão crítica como a energia, as redes digitais e os transportes. Governos e empresas precisam cada vez mais de comunicações seguras e dados operacionais disponibilizados por sistemas resilientes. No entanto, a infraestrutura não é suficiente por si só. O verdadeiro valor reside na informação que permite saber o que acontece na Terra em tempo real e na conectividade global segura necessária para viabilizar esta entrega”, aponta Rafel Jorda Siquier, fundador e CEO da Open Cosmos, citado em comunicado.
“Ao integrar satélites, comunicações seguras e serviços de dados baseados em IA, estamos a criar um sistema que transforma informações provenientes de órbita em dados acionáveis para governos e empresas. Este investimento permite-nos acelerar esta visão, atendendo aos pedidos de satélites — feitos por governos e grandes empresas — com os nossos equipamentos fiáveis e de elevado desempenho, para fornecer serviços soberanos de que o mundo precisa”, diz ainda.
O tema da soberania espacial está na ordem do dia, com a Europa a anunciar vários projetos e investimento no setor, visando ganhar autonomia e capacidades. E o investimento do capital de risco do setor tem acompanhado esse interesse. Nos primeiros seis meses deste ano, globalmente, as empresas desta área já captaram 11,3 mil milhões de dólares de investimento, num total de 244 operações, valor que supera os 10,1 mil milhões de dólares investidos em 433 negócios em todo o ano passado. EUA ainda dominam, mas as empresas europeias viram subir a sua fatia para mais de 20%, apontam os dados do “Vertical Snapshot: Space Tech”, da Pitchbook.
“A Lightrock tem o prazer de liderar a ronda de financiamento da Open Cosmos e de a apoiar, como líder europeu, numa nova fase de crescimento no setor espacial. O trabalho desenvolvido pela Open Cosmos, bem como pelo setor das infraestruturas espaciais de forma mais ampla, é fundamental para áreas como a energia, as comunicações, a segurança e a sustentabilidade a nível global”, diz Ashish Puri, partner da Lightrock, citado em comunicado.
“A Europa tem neste momento as condições necessárias para a criação de empresas do setor espacial com liderança à escala mundial”, disse Patrick Sheehan. “A Open Cosmos é uma empresa excecional e acreditamos que tem potencial para se tornar numa das empresas de infraestruturas de referência da Europa”, referiu o managing partner da ETF Partners.
Open Cosmos capta 300 milhões e “vai acelerar investimento em Portugal” – ECO


Comentários
Enviar um comentário