Os carrinhos de compras equipados com ecrãs e Inteligência Artificial (IA) ainda não são a norma em Portugal, mas já não são apenas ficção científica. Na verdade, um novo estudo concluiu que estão a mudar a forma como enchemos os cestos.
Conduzida pela Bayes Business School, a investigação analisou 12.418 sessões de compras ao longo de um mês numa conhecida cadeia de supermercados alemã.
Destas, cerca de 76% foram feitas com recurso a carrinhos inteligentes, equipados com tablets no guiador que permitem o seguinte:
- Digitalizar listas de compras;
- Receber recomendações personalizadas;
- Navegar pela loja;
- Pagar sem passar pela caixa.
Os números mostram que quem usa estes carrinhos gasta, em média, mais 32% do que quem faz compras à moda antiga. A diferença é ainda mais notória ao fim de semana e durante a tarde, alturas em que os consumidores parecem mais recetivos às sugestões do ecrã.
Em 2022, a Amazon lançou carrinhos de compras inteligentes em algumas lojas da Whole Foods.
Mais tempo na loja e mais artigos no cesto
Além do impacto direto na fatura, os carrinhos inteligentes também alteram o comportamento de compra de outras formas. Os utilizadores compram, em média, 25% mais itens e passam 23% mais tempo dentro da loja, sendo ao final do dia que se registam as sessões mais longas.
Curiosamente, os investigadores notaram também que dias mais quentes tendem a encurtar a duração das compras, independentemente de se usar ou não a tecnologia.
Nem sempre mais interação significa mais lucro
Apesar destes dados, nem tudo é vantajoso para os supermercados. O estudo identificou um grupo de “superutilizadores”, ou seja, pessoas com mais de 20 interações no ecrã durante uma única sessão. Estes clientes compram mais artigos e ficam mais tempo em loja, mas, curiosamente, não gastam mais dinheiro.
Segundo os autores, isto sugere que, a partir de um certo ponto, a interação com o ecrã deixa de estar relacionada com uma necessidade real de compra e passa a ser uma espécie de entretenimento.
Passado esse limiar, o gasto e o tamanho do cesto começam mesmo a diminuir, um sinal de que o excesso de estímulo digital pode distrair em vez de converter.
O que é que isto significa para o retalho
Para Sabrina Gottschalk, principal autora do estudo, os resultados mostram que a digitalização das compras pode trazer ganhos significativos de receita aos retalhistas, por guiar os consumidores para promoções e novos produtos.
Por sua vez, o coautor Yusuf Oc sugere que as marcas podem incentivar o uso destes carrinhos com pontos de fidelização ou prémios, e ajustar as ofertas consoante a hora do dia.
Ambos os investigadores avisam que a dependência excessiva da tecnologia pode ter o efeito contrário ao pretendido, distraindo o consumidor em vez de o converter em compras.
Carrinhos inteligentes já não são ficção científica
Os carrinhos inteligentes já são uma realidade em várias cadeias europeias, como no Reino Unido, onde marcas como Waitrose, Morrisons e Tesco já testam soluções semelhantes.
Em Portugal, contudo, a tecnologia ainda não chegou às grandes cadeias. Ainda assim, o interesse do setor sugere que pode ser apenas uma questão de tempo.
Carrinhos inteligentes são o futuro, mas fazem-nos gastar mais dinheiro no supermercado



Comentários
Enviar um comentário