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Arábia Saudita corta fornecimento de petróleo à Europa no próximo mês



 Clientes europeus recebem normalmente petróleo da Arábia Saudita através de contratos de longo prazo que garantem volumes regulares todos os meses. É precisamente esse fornecimento que será interrompido em outubro


A crise provocada pelo ataque a um dos principais oleodutos da Arábia Saudita acaba de ganhar uma nova dimensão para a Europa. A Saudi Aramco informou pelo menos dois clientes europeus de que não receberão petróleo bruto saudita em outubro, depois da paralisação da infraestrutura que transporta crude até ao Mar Vermelho.


A informação é avançada pela ‘Bloomberg’, que cita pessoas conhecedoras da decisão. Segundo as mesmas fontes, a interrupção das entregas deverá abranger os compradores europeus da petrolífera saudita. A Aramco não comentou a informação.


Os clientes europeus recebem normalmente petróleo da Arábia Saudita através de contratos de longo prazo que garantem volumes regulares todos os meses. É precisamente esse fornecimento que será interrompido em outubro, de acordo com a ‘Bloomberg’.


A decisão surge depois dos ataques com drones que obrigaram a Arábia Saudita a encerrar o oleoduto Este-Oeste, também conhecido como Petroline, uma infraestrutura com cerca de 1.200 quilómetros que liga os campos petrolíferos no leste do país ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho.


O oleoduto tornou-se ainda mais importante desde que a circulação de petróleo através do Estreito de Ormuz foi fortemente afetada pelo conflito no Médio Oriente. Antes do ataque, transportava entre quatro e cinco milhões de barris por dia, o equivalente a aproximadamente 4% a 5% da oferta mundial de petróleo.


A expectativa é que parte da capacidade possa ser recuperada mais rapidamente, mas fontes da indústria apontam para um período de cinco a seis semanas até à reparação integral dos danos.



Europa já procura petróleo noutros mercados


Os primeiros sinais da perturbação tinham surgido ainda antes da informação agora avançada pela Bloomberg.


Nos últimos dias, algumas cargas destinadas a refinarias europeias foram canceladas ou adiadas, levando compradores a procurar rapidamente alternativas noutros mercados. A polaca Orlen, uma das grandes clientes da Aramco na Europa, comprou 16 cargas adicionais de petróleo provenientes de países como Noruega, Reino Unido, Argélia, Cazaquistão e Azerbaijão, além de fornecedores nas Américas.


A empresa garante que as suas refinarias continuam a receber matéria-prima suficiente para assegurar o funcionamento normal.


A Europa importava em junho cerca de 577 mil barris por dia de petróleo saudita, segundo dados da Agência Internacional de Energia citados pela Bloomberg.


Substituir esses volumes é possível, mas não significa simplesmente comprar a mesma quantidade de petróleo noutro país.


As refinarias são concebidas e ajustadas para processar determinados tipos de crude. Algumas unidades europeias utilizam variedades sauditas médias e mais pesadas, com características que não são necessariamente iguais às do petróleo disponível noutros mercados.


Encontrar alternativas pode, por isso, implicar custos superiores, utilização de diferentes misturas de crude ou alterações na operação das próprias refinarias.



Porque pode chegar aos preços dos combustíveis?


O impacto não se limita ao fornecimento de petróleo bruto.


As refinarias transformam o crude em gasóleo, gasolina, combustível para aviação e outros produtos. Se tiverem de pagar mais pela matéria-prima ou reduzir a produção por falta de petróleo adequado, essa pressão pode chegar ao mercado dos produtos refinados.


O gasóleo merece particular atenção. O mercado europeu já enfrenta uma oferta apertada, num contexto de perturbações simultâneas nas cadeias de abastecimento do Médio Oriente e da Rússia.


A duração da paralisação do oleoduto saudita será, por isso, determinante. Uma recuperação rápida de parte da capacidade poderá aliviar a pressão, enquanto uma interrupção prolongada obrigará as refinarias europeias a continuar à procura de fornecimentos alternativos.


A Arábia Saudita está já a tentar compensar parte da quebra. A Aramco prepara-se para exportar cerca de 60 milhões de barris em setembro e outubro através do porto de Ras Tanura, recorrendo posteriormente a transferências entre navios ao largo de Omã. A estratégia ajudou a aliviar os receios do mercado e o Brent recuou esta sexta-feira para cerca de 104 dólares por barril, depois das fortes subidas dos últimos dias.


Mas a nova informação sobre outubro mostra que o problema ainda não desapareceu. Se as entregas regulares de crude saudita à Europa permanecerem interrompidas, as refinarias terão de continuar a procurar petróleo noutros mercados — numa altura em que cada barril alternativo pode chegar mais longe, demorar mais tempo e custar mais a colocar à porta das refinarias europeias.


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