Avançar para o conteúdo principal

Carros elétricos não emitem CO2, mas neutralidade carbónica é uma ilusão



Ao não emitirem dióxido de carbono na sua utilização, os carros elétricos são considerados climaticamente neutros pela União Europeia. No entanto, em todo o ciclo de vida, estão longe de anular as emissões.


Na transição energética para fontes mais limpas, na tentativa de preservar o meio ambiente, os carros elétricos são considerados como fundamentais para a neutralidade carbónica.

 

De facto, são contabilizados como neutros de emissões de dióxido de carbono pela União Europeia. Porém, a realidade é que estão longe de o serem. Tudo porque não é tido em conta o ciclo de vida completo.


Um estudo da Universidade Técnica de Munique constata que estão associados a uma redução média de 41 por cento nas emissões de dióxido de carbono em todo o ciclo de vida. Mas não são absolutamente neutros como contabilizados por Bruxelas.


Utilização do carro é só uma parte das emissões

Porquê? Os autores recordam que os automóveis elétricos são considerados neutros porque só são contabilizadas as emissões dos gases de escape. O que fica fora das contas é igualmente muito relevante: desde a obtenção das matérias-primas a todo o processo do fabrico, sem esquecer a geração da eletricidade necessária para o carregamento ou a reciclagem em fim de vida.


Pode ler-se no documento do relatório: "Esta lacuna contábil impede que a regulamentação credite as reduções provenientes de materiais ou fontes de energia mais limpas. Isto é importante, visto que se projeta que, no ritmo de expansão da mobilidade elétrica que a UE tem procurado até ao momento, a meta de reduzir as emissões de CO2 no setor dos veículos de passageiros em 188 milhões de toneladas até 2030, não será atingida por mais de 100 milhões de toneladas - considerando que os veículos de combustão ainda representarão 78 por cento da frota nesse ano".


Já existem fabricantes, como a BMW, que consideram todo o ciclo de vida na sua estratégia - procurando não só apostar em novas fontes de energia, como também em fábricas amigas do ambiente que não recorram a combustíveis fósseis para operar ou no uso de materiais sustentáveis.


O que sugerem os autores do estudo?

Para os especialistas da Universidade Técnica de Munique, a União Europeia deve considerar nos seus regulamentos "um padrão com base no ciclo de vida que credite toda a contribuição verificável para reduzir as emissões fósseis" - e não considerar apenas as emissões de gases de escape.


Johannes Fottner, que está entre os autores do relatório, referiu: "O maior equívoco económico e ambiental reside no facto de a regulamentação da Comissão Europeia se basear exclusivamente nas emissões de CO2 provenientes do escape. Seguindo essa lógica, os veículos puramente elétricos são considerados neutros em carbono. Consequentemente, os esforços da indústria para atingir as metas climáticas - através do aço verde ou de práticas de economia circular - não são recompensados".


Considera, também, que "já há progresso real na construção de cadeias de fornecimento rastreáveis para o aço verde e na recuperação de materiais no fim de vida de um veículo", mas não está a ser abrangido pelas regras impostas: "Regulamentos que não reconheçam isto não dão incentivos à indústria para concretizar este potencial, apesar de já estar preparada para o fazer", defendeu.


Já Thomas F. Hofmann, outro dos académicos, deixou um forte apelo às instituições da UE: "Que aproveitem a revisão em curso do Pacote Automóvel para introduzir o reporte obrigatório e verificado do ciclo de vida. O tempo escasseia e as descobertas científicas devem ser tidas em conta no debate sobre a reforma".


Carros elétricos não emitem CO2, mas neutralidade carbónica é uma ilusão - Notícias ao Minuto


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Portuguesa DeepNeuronic comprada pela Motorola Solutions

Vasco Lopes e Bruno Degardin  Com esta aquisição, a empresa sediada na Covilhã passa a estar integrada na rede da Motorola Solutions. A atual equipa de 17 pessoas transita para a nova fase. A portuguesa DeepNeuronic, tecnológica portuguesa de inteligência artificial (IA) que desenvolve software que converte câmaras comuns em sistemas de análise em tempo real, foi adquirida pela Motorola Solutions. O valor da operação não foi divulgado. Constituída há cinco anos por Vasco Lopes e Bruno Degardin, a startup usa IA para fazer análise de vídeo em tempo real. O software analisa as imagens no momento em que são captadas por câmaras instaladas em infraestruturas, “interpreta o contexto de cada situação e transforma o vídeo em informação operacional imediata, permitindo às organizações agir enquanto o incidente decorre, e não apenas reconstituí-lo mais tarde”, detalha a empresa. Atualmente, a tecnologia da empresa já opera em aeroportos, pontes, autoestradas, postos de combustível, unidades...

Diminuiu o prazo para considerar um pagamento em atraso. Saiba o que muda

Para alinhar a legislação nacional com a comunitária e combater os pagamentos em atraso nas transações comerciais, uma fatura passa a estar em atraso sempre que passem 30 ou 60 dias. O prazo para considerar que um pagamento está em atraso ficou mais curto, de acordo com a alteração da Lei dos Compromissos e dos Pagamentos em Atraso, que entra em vigor na quinta-feira. Até agora, “consideram-se pagamentos em atraso as contas a pagar que permaneçam nessa situação mais de 90 dias posteriormente à data de vencimento acordada ou especificada na fatura, contrato, ou documentos equivalentes”. Agora, para alinhar a legislação nacional com a comunitária e combater os pagamentos em atraso nas transação comercial, uma fatura passa a estar em atraso sempre que passem 30 ou 60 dias. Estes novos prazos aplicam-se da seguinte forma: 30 dias a contar da data em que o devedor tiver recebido a fatura; 30 dias após a data de receção efetiva dos bens ou da prestação dos serviços quando a data de receção d...