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Bill Gates: Inteligência artificial deve ser "a prioridade número um do mundo"


Bill Gates - EPA/Stefan Jerrevang


 Despedimentos massivos e fortunas trilionárias. As reflexões do fundador da Microsoft sobre o desenvolvimento acelerado da IA, que merece toda a atenção dos líderes mundiais.


Bill Gates, o fundador da Microsoft que se aposentou da respetiva direção em 2020, admitiu estar apreensivo em relação ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA), cujos riscos as big techs recusam admitir, enquanto acumulam fortunas “trilionárias”. A reflexão sobre os riscos da inteligência artificial deve ser “a prioridade número um do mundo”, afirma Gates, que se diz “em estado de choque” pelo que considera ser a pouca atenção que os responsáveis políticos estão, na sua leitura, a dar a este tema.


Depois das notícias sobre a controversa relação com Jeffrey Epstein — que originou uma auditoria no Comité da Casa Branca em junho — o nome de Gates voltou a figurar num título do The New York Times, que entrevistou o empresário para falar sobre a tecnologia em evolução rápida, para a qual contribuiu indiretamente. “Não gosto de dar más notícias às pessoas nem de dizer que a inovação pode ser negativa. Mas é aí que estamos.”


A conversa com o jornal norte-americano foi publicada na sequência de um ensaio que Gates publicou no respetivo website, intitulado “The turbulent AI era is here. The choices we make now are critical” [A era turbulenta da IA está aqui. As escolhas que fazemos agora serão decisivas], no qual admitiu estar apreensivo face a uma tecnologia capaz de “substituir e até exceder a cognição humana” e sugeriu soluções que incluem a aplicação de taxas e proibições.


“Em privado, as pessoas que compreendem o quão bom isto já é e as potencialidades que tem estão muito preocupadas”, disse, acrescentando que são poucos os executivos das tecnológicas capazes de admitir os perigos inerentes ao desenvolvimento descontrolado da IA. “Eles estão cheios de pressa e cultivam a esperança de que os aspetos positivos se sobreponham aos negativos”, acrescentou.


Sem mencionar o nome de empresas particulares, nomeadamente da Microsoft — que desenvolve a ferramenta de inteligência artificial Copilot — acusou os programadores de IA de produzirem uma tecnologia que pode ser responsável por despedimentos em massa. Se, no passado, os avanços tecnológicos aumentaram o número de empregos disponíveis, a era da IA é “absolutamente, completamente e totalmente diferente”, porque incide sobre todas as áreas, impedindo que os trabalhadores afetados transitem para indústrias alternativas.


Entre as propostas do empresário e filantropo — desde 2000 que gere uma ONG destinada a “reduzir a doença e a pobreza e a construir um mundo mais igualitário” — estão a introdução de uma taxa sobre o uso de IA, o impedimento de que alguns trabalhos sejam desempenhados por máquinas e o estabelecimento de acordos internacionais, com vista a monitorizar o desenvolvimento destas tecnologias.


Gates admitiu estar em “estado de choque” perante a falta de urgência que os líderes mundiais destinam a este assunto. “Por favor, pensem mais sobre isto, por favor deem-lhe mais atenção”, concluiu.


Bill Gates. IA deve ser "prioridade número um do mundo" – Observador


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