O processo abrange dois concursos, um para atribuição de 750 MVA a instalações de armazenamento autónomo e outro para 300 MVA de capacidade destinada a centros eletroprodutores renováveis.
O Governo adiou por algumas semanas o leilão para atribuição de 1.050 megavolt-ampere (MVA) de capacidade de ligação à rede elétrica a projetos com armazenamento, cujo lançamento estava previsto para esta segunda-feira, anunciou a ministra do Ambiente e Energia.
“Tivemos 62 participações, cada uma delas com vários contributos, e, portanto, estamos a incorporar e a analisar cada um desses contributos“, disse hoje à Lusa Maria da Graça Carvalho, justificando o adiamento.
A governante falava aos jornalistas no Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, em Abrantes, distrito de Santarém, no final de uma visita a convite do município, que incluiu uma reunião sobre energia, ambiente e projetos estruturantes para Abrantes e o Médio Tejo.
“Está a demorar um pouco mais, era para sair hoje, mas vai sair nas próximas semanas”, afirmou a ministra, apontando para um prazo de “três, quatro semanas”.
O processo abrange dois concursos, um para atribuição de 750 MVA a instalações de armazenamento autónomo e outro para 300 MVA de capacidade destinada a centros eletroprodutores renováveis associados a armazenamento. Apresentados pelo Governo no final de junho, os procedimentos estiveram em consulta pública, estando inicialmente previsto que as candidaturas abrissem esta segunda-feira.
No caso de Abrantes, Maria da Graça Carvalho anunciou ainda que parte da capacidade disponível no Pego será atribuída à Zona Livre Tecnológica (ZLT), criada no âmbito do processo de transição justa após o encerramento, em 2021, da central termoelétrica a carvão. “Ficou hoje aqui também decidido que haverá uma parte que será atribuída à Zona Livre Tecnológica”, afirmou.
A ministra considerou que Abrantes reúne quatro fatores “escassos” para captar novos investimentos – acesso à rede elétrica, água, terrenos industriais e conhecimento técnico e de engenharia -, defendendo que devem ser aproveitados para criar riqueza e emprego.
O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, disse à Lusa estar “expectante” quanto ao concurso e considerou que a capacidade remanescente do ponto de injeção tem “um potencial incrível de atração”, tanto para produtores como para consumidores de energia.
O autarca defendeu que o território deve aproveitar a disponibilidade de energia, água, terrenos e conhecimento acumulado para captar projetos industriais, centros de dados e novos investimentos em produção energética que criem emprego e dinamizem a economia.
O Pego está em processo de reconversão depois de a Endesa ter vencido, em 2022, o concurso de transição justa lançado na sequência do encerramento da produção a carvão. A energética prevê iniciar em 2027 a construção de um projeto com cerca de 600 megawatts (MW) de capacidade híbrida renovável, combinando energia eólica, solar e armazenamento, num investimento estimado em 600 milhões de euros.
Questionada sobre o ritmo da reconversão, Maria da Graça Carvalho afirmou que o Governo gostaria que o projeto “andasse o mais depressa possível”, reconhecendo limitações técnicas e de licenciamento. “Tudo faremos para ajudar a que o projeto ande o mais depressa possível”, afirmou a ministra, que, questionada sobre a continuidade dos apoios do Fundo Ambiental aos antigos trabalhadores da central, assegurou: “Não vamos deixar as pessoas sem apoio”.
A governante alertou para a necessidade de acelerar os novos investimentos para aproveitar o conhecimento técnico e industrial acumulado na região, antes que os antigos trabalhadores se reformem ou procurem emprego noutros territórios. Classificou esse conhecimento como “concreto, palpável, de engenharia e de fazer” e considerou-o um recurso escasso e um valor acrescentado para a reconversão económica da região.
Na reunião foram ainda abordados a reconversão da central do Pego, novos projetos de energias renováveis e centros de dados, a Zona Livre Tecnológica, a mini-hídrica do açude insuflável e a recuperação das linhas de água afetadas pelos temporais.
Governo adia leilão de capacidade para armazenamento de energia – ECO

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