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Fitch sobe rating de Portugal para A+ com “outlook” estável



 Depois da S&P ter mantido a notação na categoria "A+", também a Fitch decidiu aumentar a notação para a mesma categoria, destacando que reflete "o fortalecimento das finanças públicas de Portugal".


A agência norte-americana Fitch decidiu esta sexta-feira subir o rating de Portugal, de ‘A’ para ‘A+’. Com a subida, a perspetiva (outlook) desceu de positiva para estável.


A subida de nota reflete “o fortalecimento das finanças públicas de Portugal, incluindo uma trajetória projetada de redução da dívida pública e saldos orçamentais consideravelmente mais fortes do que os dos seus pares, sustentados por um forte compromisso político com a prudência orçamental”, explica a entidade em comunicado.


Na última avaliação, datada de 6 de março, a agência norte-americana havia decidido manter inalterado o rating de Portugal, ao mesmo tempo que melhorara a perspetiva de estável para positiva. A Fitch tinha revisto em alta a notação da dívida soberana, em setembro de 2025, de ‘A-‘ para ‘A’.


A Fitch aumentou esta sexta-feira ainda as previsões para o crescimento do PIB. Em março, estimava que a a economia crescesse 2% este ano e desacelerasse para 1,8% em 2027, com o consumo e o investimento a serem motores e as exportações líquidas um “entrave” devido aos riscos relacionados com as tarifas. Agora aponta para um crescimento de 2,1%, com uma desaceleração para 1,9% em 2027 e 2028.


“As trocas comerciais líquidas deverão continuar a ser um ligeiro entrave, dado o elevado conteúdo de importações no consumo e no investimento. As tempestades no início do ano deverão ter um efeito líquido limitado no crescimento, uma vez que os danos foram geograficamente concentrados e a reconstrução compensará grande parte da perda”, argumenta agora.


Também na previsão do défice existem alterações. Em março, previa um défice de 0,8% do PIB, devido aos “gastos relacionados com as tempestades e a reconstrução”. Agora aponta, a nível de execução orçamental, um excedente de 0,1% do PIB em 2026, face aos 0,7% registados em 2025.


O efeito do apoio de emergência e a reconstrução relacionados com tempestades e de medidas de alívio fiscal e de habitação foram “parcialmente compensadas pelo aumento das contribuições sociais resultante do contínuo crescimento do emprego e pela expressiva distribuição de dividendos por parte da Caixa Geral de Depósitos”.


Prevê-se ainda um défice médio de cerca de 0,4% do PIB em 2027-2028. “Esperamos que o impacto contínuo das reduções de impostos, aliado a maiores despesas com juros, supere o esvanecimento do investimento do PRR e a conclusão dos gastos relacionados com as tempestades”, aponta a Fitch.


Quanto à dívida pública, a agência antecipa um rácio de 87% do PIB em 2026 e 82,9% em 2028, “suportado pela continuação de excedentes primários e por um crescimento nominal moderado”.


Existe ainda um alerta relativo ao crescimento dos preços da habitação. “O rápido crescimento dos preços das habitações ainda não se traduziu em riscos macrofinanceiros materiais a curto prazo, mas pode aumentar as vulnerabilidades do mercado habitacional e está a intensificar as pressões sobre a acessibilidade”, adverte. Os preços residenciais situavam-se cerca de 99% acima do seu nível do quarto trimestre de 2019 no primeiro trimestre de 2026, face a 31% no conjunto da zona euro, aponta a entidade.


A Fitch considera que “padrões de concessão de crédito macroprudenciais mais rigorosos e um setor bancário sólido deverão ajudar a conter os riscos financeiros relacionados com a habitação”.


No final de agosto, a Fitch destacou a evolução de Portugal, Grécia e Chipre no controlo das finanças públicas e na forte redução da dívida desde a crise soberana, considerando ser uma “lição” para outros países europeus.


No mesmo mês, a Standard & Poor’s (S&P) decidiu manter na categoria “A+” a notação atribuída à dívida pública portuguesa, bem como a perspetiva “positiva”, decisão que ia ao encontro do esperado pelos economistas. A entidade reviu em baixa a estimativa de crescimento económico para este ano, de uma subida de 2,2% para 1,7%. Previu ainda que as contas públicas encerrassem o ano com um ligeiro défice de 0,2%, contra uma estimativa de excedente em torno de 0,1% em fevereiro.


Recuando a maio, a DBRS e a a Moody’s mantiveram o rating de Portugal. A agência canadiana volta a avaliar a dívida soberana portuguesa a 13 de novembro e a Moody’s a 20 de novembro, naquela que será a última avaliação do ano pelas principais agências de notação financeira.


Fitch sobe rating de Portugal para A+ com “outlook” estável – ECO


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