Avançar para o conteúdo principal

Peru exige à Rússia informações sobre peruanos recrutados para a guerra


© SERGEY BOBOK/AFP via Getty Images


 O ministro dos Negócios Estrangeiros do Peru indicou na quinta-feira ter exigido ao Governo da Rússia, a entrega de informações sobre o paradeiro dos peruanos recrutados para combater ao lado das forças russas na guerra na Ucrânia.

 

Carlos Espá informou que convocou por duas vezes o embaixador da Rússia no Peru, Alekséi Ushakov, para exigir "respostas concretas sobre a localização dos peruanos na Rússia".


Numa entrevista ao Canal N, o ministro afirmou que "não se pode dizer que se trata de um contrato privado", referindo-se aos acordos assinados pelos peruanos que viajaram para aquele país, uma vez que a legislação estabelece que qualquer peruano que pretenda combater ao serviço de uma força estrangeira necessita de autorização governamental.


Nesse sentido, Espá afirmou exigir explicações ao Governo russo e solicitar ao embaixador que "nos dê explicações e a informação que os peruanos aguardam".


O chefe da diplomacia peruana apelou também à população para que "não continue a cair em redes de tráfico de pessoas", como terá acontecido com mais de 400 peruanos que viajaram para a Rússia com promessas de emprego na área da segurança e acabaram recrutados para combater na frente russa.


Em agosto passado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru reconheceu que pelo menos 459 peruanos foram aliciados pela Rússia para, alegadamente sob falsos pretextos, serem recrutados e enviados para a frente de guerra.


A mesma tutela indicou que pelo menos 11 morreram após terem viajado para a Rússia, enquanto 114 estão desaparecidos e três são prisioneiros nas mãos da Ucrânia.


Na passada terça-feira, um homem identificado como Vidal L. ficou sujeito a prisão preventiva por 14 meses por alegado tráfico de pessoas, por supostamente ter recrutado um homem no distrito limeño de San Martín de Porres para trabalhar na Rússia, onde alegadamente foi enviado para a frente de guerra contra a sua vontade.


De acordo com o Ministério Público, entre março e abril deste ano, o arguido terá recrutado e facilitado a deslocação internacional da vítima para a Rússia, após lhe prometer uma remuneração mensal de 2.600 dólares e garantir que o processo migratório seria gratuito.


A vítima chegou a viajar para a Rússia, onde afirma ter sido submetida a exames médicos para ingressar nas forças armadas russas, assinar um contrato redigido em russo e receber um cartão bancário no qual seriam depositados 26.000 dólares (22.641 euros).


Nessa altura, contactou a família para revelar a sua situação, o que levou a irmã a apresentar uma denúncia junto do Ministério Público e a identificar o alegado recrutador.


O ministro garantiu que, até ao momento, realizou mais de 30 reuniões com famílias afetadas, enviou um delegado especial a Moscovo para procurar informações sobre os peruanos na Rússia e contribuiu para o repatriamento de 28 cidadãos peruanos.


Peru exige à Rússia informações sobre peruanos recrutados para a guerra - Notícias ao Minuto


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

KillSec. Desmantelado grupo internacional de hackers liderado por um jovem de 16 anos. Foi traído pela paixão por motas

 Operação liderada pela Alemanha e coordenada pela Europol levou a três detenções de alegados membros de um grupo responsável por lucrar milhares de euros com dados roubados. Dois erros ditaram o desmantelamento do KillSec, um grupo de hackers que se dedicava a extorquir vítimas de roubo de dados pessoais para que estes não fossem divulgados, o chamado ransomware. Segundo as autoridades, algumas vítimas do KillSec pagaram meio milhão de euros para que os seus dados não fossem divulgados; são-lhes atribuídos cerca de mil ataques pelo mundo inteiro. Eram liderados por um jovem de 16 anos a partir de Alicante, Espanha, acredita a Europol. Foi a Europol que coordenou as operações policiais em nove países europeus e nos EUA que levaram à detenção de três membros do KillSec. Tudo foi possível graças ao cruzamento de informações entre o FBI do território norte-americano de Porto Rico e a Guardia Civil espanhola, que permitiu identificar uma morada e um número de telefone. Esta quarta-feir...

Ex-juíza venezuelana denuncia coação para desqualificar Corina Machado

Corina Machado. © Jesus Vargas/picture alliance via Getty Images  A ex-juíza do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezuela, Bárbara César Siero, revelou esta terça-feira que foi coagida a assinar várias sentenças de inelegibilidade política, entre as quais a de María Corina Machado. Bárbara César Siero relatou num vídeo e numa carta publicados nas redes sociais que, a 15 de dezembro de 2023, Machado interpôs uma ação junto do TSJ para que fosse revista a medida de inelegibilidade que lhe tinha sido imposta pelo Tribunal de Contas venezuelano anos antes, mas a juíza acabou por impedi-la de se candidatar à presidência nas eleições de 2024. "Paralelamente a esse facto, nesse mesmo dia, os meus dois irmãos, o tenente-coronel Guillermo Enrique César Siero, o major Guillermo Henry César Siero, e a minha cunhada, a major Diana Desirée Victoria Justo, foram detidos arbitrariamente por funcionários da Direção-Geral de Contra-Inteligência Militar (DGCIM)", acrescentou. A juíza desc...