Avançar para o conteúdo principal

Governo quer patrões a pagar despesas de teletrabalho, mas não paga aos funcionários públicos



O Ministério da Administração Pública está à espera da regulamentação do teletrabalho para decidir que despesas serão pagas aos funcionários públicos que estão a trabalhar a partir de casa.

O Ministério do Trabalho defende que cabe aos empregadores suportarem as despesas relacionadas com o telefone e a Internet relativamente aos trabalhadores que estejam a exercer as suas funções à distância, mas nem no caso dos funcionários públicos a medida está a ser aplicada, asseguram os sindicatos. Ao ECO, o Ministério da Administração Pública indica que está a aguardar a regulamentação do teletrabalho.

Agora que o teletrabalho voltou a ser obrigatório, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social resolveu desfazer uma das dúvidas que vinham a ser levantadas pelos sindicatos e advogados desde a primavera de 2020: afinal, em teletrabalho, o empregador tem ou não de pagar as despesas de Internet, telefone e até eletricidade ao trabalhador?

Ao Jornal de Negócios (acesso pago), o gabinete de Ana Mendes Godinho explicou, na sexta-feira, que cabe efetivamente aos empregadores suportarem as despesas relacionadas com a Internet e o telefone, não estando abrangidas as despesas da água, eletricidade ou gás. O Ministério do Trabalho não explicou, contudo, como devem ser calculadas as despesas, nem como devem ser reclamadas pelos trabalhadores.

O ECO questionou, então, o Ministério da Administração Pública sobre como está a ser feito o pagamento dessas despesas — já que 45 mil funcionários públicos estão atualmente em teletrabalho –, no Estado, isto é, se através de um subsídio fixo, se com base nas faturas dos trabalhadores.

Em resposta, o gabinete de Alexandra Leitão sublinha que já reuniu com as estruturas sindicais “para fazer um levantamento das questões carecidas de regulamentação e aguarda a apresentação do estudo da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) sobre esta matéria, bem como do livro verde do Ministério do Trabalho (MTSSS)”.

Ou seja, apesar de ser entendimento do Governo que cabe ao empregador pagar as referidas despesas, nem o Estado está a fazê-lo relativamente aos seus funcionários que estão a exercer as suas funções à distância, confirmou o ECO junto de fontes sindicais. Pelo menos, não nas situações de teletrabalho “forçadas” pela pandemia e não resultantes de um acordo. “Independentemente dos regimes excecionais de teletrabalho que têm vindo a aplicar-se desde março passado por força da situação sanitária, quando o teletrabalho decorra por acordo entre a entidade empregadora e o trabalhador, o próprio acordo entre estes regula os termos em que o trabalho é prestado”, sublinha a mesma fonte do Ministério da Administração Pública.

O Ministério da Administração Pública sentou-se à mesa com os sindicatos para discutir as questões do teletrabalho no verão de 2020, mas até agora não foi conhecida qualquer proposta. Isto porque ficou decidido que o trabalho seria feito em conjunto com o Ministério do Trabalho, aguardando-se ainda a publicação do Livro Verde do Futuro do Trabalho, documento do qual devem constar as linhas para a regulamentação adicional do trabalho à distância.


https://eco.sapo.pt/2021/02/09/governo-quer-patroes-a-pagar-despesas-de-teletrabalho-mas-nao-paga-aos-funcionarios-publicos/

Comentários

Notícias mais vistas:

Rússia está a receber "enorme quantidade" de pedidos de energia

A Rússia está a receber "uma enorme quantidade de solicitações" para o fornecimento de energia devido à crise provocada pela guerra israelo-americana contra o Irão, anunciou hoje a presidência russa (Kremlin). Irão: Rússia está a receber "enorme quantidade" de pedidos de energia "Agora que o mundo se encontra imerso numa grave crise económica e energética, cuja magnitude aumenta dia após dia (...), recebemos inúmeras solicitações para adquirir os nossos recursos energéticos de destinos alternativos", afirmou o porta-voz do Kremlin.   Dmitri Peskov disse que aos contactos já conhecidos com a Sérvia e a Hungria se juntaram outros pedidos alternativos para o fornecimento de energia, que não especificou, segundo a agência de notícias espanhola Europa Press (EP). O porta-voz do Presidente Vladimir Putin explicou em conferência de imprensa que Moscovo estava a negociar o fornecimento de hidrocarbonetos para "ajustar o melhor possível" os interesses nac...

Forças da NATO não conseguiram detetar drones ucranianos em exercício militar em Portugal

    Drone Magura V7 da Inteligência Militar da Ucrânia, equipada com mísseis terra-ar, encontra-se num local não revelado na Ucrânia, no sábado, dia 6 de dezembro de 2025.  -    Direitos de autor    AP Photo Direitos de autor AP Photo O exercício experimental militar REPMUS25 aconteceu ao largo da costa portuguesa, no distrito de Setúbal, e pôs a nu algumas fragilidades das forças navais da NATO. Em cenário de guerra drones ucranianos teriam afundado uma fragata. O exercício experimental  REPMUS 25,  em paralelo com o exercício DYMS da NATO e considerado o maior a nível mundial no que diz respeito a sistemas não tripulados em âmbito marítimo, realizou-se entre Tróia e Sesimbra, no distrito de Setúbal, em setembro de 2025. PUBLICIDADE PUBLICIDADE No local estiveram duas equipas opositoras: a força RED ("força inimiga") liderada por militares da Ucrânia, que participou pela primeira vez, e por militares americanos, britânicos e espanhóis; ...

Bruxelas considera que é possível acabar com mudança da hora e vai apresentar estudo

 A Comissão Europeia considera que alcançar um consenso para acabar com a mudança da hora "ainda é possível" e vai apresentar um estudo nesse sentido este ano, com os Estados-membros a manifestarem-se disponíveis para analisá-lo assim que for entregue. Na madrugada do dia 29 deste mês, a hora volta a mudar em toda a União Europeia (UE), para dar início ao horário de verão, o que acontece atualmente devido a uma diretiva europeia que prevê que, todos os anos, os relógios sejam, respetivamente, adiantados e atrasados uma hora no último domingo de março e no último domingo de outubro. Em setembro de 2018, a Comissão Europeia propôs o fim do acerto sazonal, mas o processo tem estado bloqueado desde então, por falta de acordo entre os Estados-membros sobre a matéria. Numa resposta por escrito à agência Lusa, a porta-voz da Comissão Europeia Anna-Kaisa Itkonnen referiu que o executivo decidiu propor o fim da mudança horária em 2018 após ter recebido "pedidos de cidadãos e dos ...