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Apple ataca Facebook: “Podem continuar a rastrear os utilizadores, mas terão de pedir primeiro”


Duas das maiores tecnológicas do mundo estão em confronto e o tema da discórdia são os dados pessoais dos utilizadores. Facebook diz que Apple está a colocar em causa o lado gratuito da internet e milhares de pequenas empresas


Volta e meia, os grandes do mundo tecnológico entram em desacordo. Já aconteceu entre a Google e a Microsoft, entre a Google e a Uber, entre a Samsung e a Apple, e agora o confronto de titãs é protagonizado pela Apple e pelo Facebook. Motivo? Os dados pessoais e a privacidade dos utilizadores. E Tim Cook, líder da Apple, não foi de meias palavras.

“Acreditamos que os utilizadores devem ter escolha sobre os dados que são recolhidos a seu respeito e como são usados. O Facebook pode continuar a rastrear os utilizadores em aplicações e websites como já acontecia antes, a Transparência de Rastreamento de Aplicações do iOS 14 apenas vai obrigar a que peçam permissão primeiro”, escreveu o timoneiro da tecnológica de Cupertino no Twitter, nesta quinta-feira.


Tim Cook reagia assim a uma campanha publicitária que o Facebook está a executar em alguns dos maiores jornais norte-americanos. Em anúncios de página inteira, o Facebook acusa a Apple de querer lançar uma atualização no iOS 14 que vai mudar a internet tal como a conhecemos – “para pior”.

“A mudança da Apple vai limitar a capacidade de sites e blogues mostrarem anúncios personalizados”, adianta ainda a rede social num dos anúncios. Segundo a narrativa do Facebook, as vendas de pequenos anunciantes vão cair 60% por cada dólar investido em publicidade digital. E tudo isto terá consequências no modelo de negócio da internet, que passará a depender mais de subscrições e outros apoios diretos, adianta ainda a empresa liderada por Mark Zuckerberg.


A atualização quezilenta

No início de 2021 – ainda sem uma data concreta –, a Apple tenciona lançar no sistema operativo móvel iOS uma funcionalidade chamada Transparência de Rastreamento de Aplicações (App Tracking Transparency, em inglês). Este sistema vai obrigar a que sites e aplicações que queiram fazer rastreamento de alguma tipologia de dados dos utilizadores ou do seu dispositivo, sobretudo em aplicações de outras empresas, tenham de obter autorização expressa para isso.

Na mensagem partilhada por Tim Cook há uma imagem que mostra como vai funcionar. “Permitir que ‘Facebook’ rastreie a tua atividade nas aplicações e sites de outras empresas?” à qual os utilizadores poderão responder “Pedir à aplicação para não rastrear” ou “Permitir”.

A funcionalidade já esteve para ser lançada, mas a Apple decidiu dar mais algum tempo às tecnológicas de publicidade digital para que se possam preparar para as mudanças que aí vêm, daí a chegada apenas no início de 2021.

O Facebook, enquanto empresa cuja esmagadora maioria das receitas provém de publicidade digital, tem-se mostrado inconformado com a alteração que a Apple pretende fazer. Mas a marca da maçã parece irredutível em voltar atrás com a decisão de proteger ainda mais os dados pessoais dos utilizadores: numa carta, em novembro, a tecnológica reforçou o compromisso no lançamento da Transparência de Rastreamento de Aplicações.

Nessa carta, a Apple deixou claro quem poderão ser os grandes perdedores com a chegada da nova funcionalidade – empresas como o Facebook, Google e Amazon –, ainda que não as tenha nomeado diretamente. “A atual corrida armada aos dados beneficia primeiramente os grandes negócios com grandes conjuntos de dados. Redes de anúncios focadas na privacidade eram o standard universal na publicidade antes da prática de recolher dados sem restrições ter começado por volta da última década”. 


https://visao.sapo.pt/exameinformatica/noticias-ei/mercados/2020-12-18-apple-ataca-facebook-podem-continuar-a-rastrear-os-utilizadores-mas-terao-de-pedir-primeiro/

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