Avançar para o conteúdo principal

IVA, contribuições sociais e IRS levam carga fiscal a máximo de 35,8% do PIB


 © Paulo Spranger/Global Imagens


 Dados no INE atestam também subida da receita do IMT a acompanhar o mercado imobiliário. Receitas do IRC e dos automóveis baixaram.


A carga fiscal, designação que inclui impostos e contribuições para a Segurança Social, cresceu cerca de 5 mil milhões de euros (+7,1%) em 2021, em termos nominais, face a um ano antes, tendo totalizado 75,6 mil milhões de euros, montante que equivale a 35,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do ano anterior (35,3% em 2020), "o valor mais elevado da série", segundo divulgou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE). Na comparação com 2019, é um aumento de 1,6 mil milhões de euros.


Para aquele desempenho contribuíram sobretudo as receitas provenientes de três fontes: do IVA, das contribuições sociais e do IRS.


Do lado dos impostos indiretos, destaque para o IVA, ao ter subido 13,4% (quando em 2020 tinha caído) para 2253 milhões de euros. Nota o INE que Portugal é um dos países onde o IVA tem maior peso na receita fiscal (23,9%, sendo a média da União Euroeia, em 2020, 17,3%).


No capítulo dos impostos indiretos, também há a referir o IMT-Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis, que aumentou 37,1%, uma evolução consistente com o crescimento do mercado imobiliário, que voltou a atingir recordes no ano passado. O IMI também subiu, mas menos (2,1%).


E referência ainda para o ISP-Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos, "que representou 10,9% dos impostos indiretos em 2021, tendo subido 13,4% (+252,9 milhões de euros), refletindo sobretudo a retoma no consumo de combustÍveis". Já no Imposto de Selo deu-se um aumento de 10,4%.


Nas contribuições para a Segurança Social, as receitas atingiram 1449 milhões de euros, um aumento de 6,9%.

Em termos de receitas de IRS, estas cresceram 805,8 milhões de euros (+5,7%), "refletindo sobretudo o aumento das retenções na fonte de rendimentos de trabalho dependente (+6,2%)".


O INE associa a evolução positiva das contribuições para a Segurança Social e da receita do IRS ao "crescimento do emprego remunerado e a subida do salário mínimo", a que se somam as "medidas de proteção do emprego, das remunerações e da retoma progressiva de atividade", à semelhança do que tinha ocorrido em 2020.


Empresas e veículos em baixa

Em sentido contrário, concorreu a receita do IRC, imposto sobre o lucro das empresas, que diminuiu 6,6%. Foram menos 345 milhões de euros em receita para o Estado, uma evolução associada ainda ao confinamento do arranque do ano e à demora na retoma de algumas atividades.


No Imposto Sobre Veículos (ISV) houve uma perda de receita na ordem dos 14 milhões de euros. Neste aspeto, o INE assinala ser "o segundo ano consecutivo de diminuição, estando a receita deste imposto cerca de 40% abaixo dos valores pré-pandemia". Houve ainda perda no imposto sobre o tabaco (-0,1%).


Perda de IVA em 2019

O INE dedica ainda um capítulo ao GAP do IVA em 2019, "o ano mais recente com informação detalhada". Está em causa a diferença entre a receita total de IVA efetivamente cobrada pelo Estado e o montante que deveria ter sido cobrado em teoria (que resultaria das taxas legais a aplicar aos bens e serviço suspetíveis deste imposto). Assim, Portugal perdeu 450,4 milhões de euros, tendo ficado por cobrar o equivalente a 2,3% da receita total de IVA.


Entre 2010 a 2019, o GAP médio anual foi estimado pelo INE em 1138 milhões de euros, valor que corresponde a 7,1% do IVA efetivamente cobrado.


Os 450,4 milhões que ficaram por cobrar em IVA, em 2019, comparam com um GAP de 414,6 milhões de euros em 2018. O aumento (de 8,6%) interrompeu uma diminuição consistente que vinha a verificar-se desde 2012, quando se atingiu um valor máximo de 2200 milhões de euros (13,6% do IVA cobrado).


José Varela Rodrigues e Teresa Costa:

IVA, contribuições sociais e IRS levam carga fiscal a máximo de 35,8% do PIB (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Itália vigia navios russos a poucas centenas de km das suas costas: Moscovo reforça-se na Líbia

P-72A - Direitos de autor Aeronautica militare italiana Reforça-se atenção italiana à presença militar russa na Líbia: Tobruk e bases de Moscovo no flanco sul do Mediterrâneo sob maior vigilância Há muito que o flanco oriental da NATO está sob os holofotes devido à presença e às atividades militares russas. Mas, para Itália, há outra frente a acompanhar, muito mais próxima: a meridional, com a Líbia em primeiro plano. A coluna naval russa chegada a Tobruk, no leste do país, depois de atravessar o Mediterrâneo central, reacende a atenção sobre a atividade de Moscovo a poucas centenas de quilómetros das costas italianas. Segundo imagens de satélite (fonte em italiano) analisadas por grupos de inteligência de fonte aberta, as unidades, seguidas durante a travessia pelas forças italianas, transportariam meios blindados e viaturas logísticas. A rota desta coluna naval acrescenta assim mais um elemento à crescente atenção de Roma às atividades militares russas no Mediterrâneo e, sobretudo, a...

Volta: ambientalistas falam em "sistema justo", consumidores queixam-se e municípios alertam para problema nacional

Créditos: Artur Machado (arquivo)  Depois do pedido do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, para o Governo "cancelar de imediato" o sistema de depósito de embalagens Volta, proposta essa já recusada pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, os municípios falam num problema a nível nacional, que não se restringe apenas à capital portuguesa, pelo que vão avançar com um diagnóstico para encontrar soluções para melhorar o programa. Por seu lado, os ambientalistas falam num projeto "justo", mas é preciso garantir que há "um bom sistema de recolha, onde as pessoas podem facilmente entregar as embalagens". Já a Deco adianta que, desde abril, tem recebido várias queixas dos consumidores. Na terça-feira, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, afirmou que o sistema Volta gerou "um drama social sem precedentes". "Este verão trouxe também um novo desafio: o sistema Volta. A política de reciclagem e de reutilização...