Avançar para o conteúdo principal

Processo histórico contra Trump por lucros pessoais com a Presidência

Donald Trump é suspeito de ter beneficiado da sua função presidencial para realizar ganhos financeiros provenientes do estrangeiro. Esta é a primeira vez que é dado provimento a um caso deste tipo.

Esta quarta-feira, um tribunal do Estado do Maryland decidiu aceitar uma queixa contra Donald Trump, suspeito de ter beneficiado da sua função presidencial para realizar ganhos financeiros provenientes do estrangeiro, em violação da Constituição.

“Conseguimos a primeira vitória! O nosso dossier pode avançar”, escreveu no Twitter o procurador-geral do Maryland, Brian Frosh, que tinha apresentado a queixa em junho de 2017 com o seu homólogo de Washington, Karl Racine.


Brian Frosh

@BrianFrosh
We won the first round! Our case moves forward! Thanks to my colleague @AGKarlRacine and co-counsel @CREWcrew https://twitter.com/crewcrew/status/979040236578721794 …


Em causa está o facto de Trump poder ter recebido dinheiro de governos estrangeiros, através do seu império imobiliário, quando a “cláusula dos emolumentos”, inscrita na Constituição norte-americana interdita a qualquer pessoa que ocupe uma função pública “aceitar presentes, emolumentos, função ou título de qualquer espécie de um rei, príncipe ou Estado estrangeiro” sem acordo do Congresso.

Segundo os queixosos, as delegações estrangeiras privilegiaram as estadias no Trump International Hotel, aberto em 2017 por Trump perto da Casa Branca, o que colocou um problema de concorrência para os outros hotéis de luxo da região – o que pode configurar uma violação da Constituição americana.

“Os queixosos alegaram de maneira suficiente que o Presidente viola as cláusulas sobre os emolumentos da Constituição, estrangeiros e nacionais, devido à sua implicação e à receção dos lucros do Hotel Trump International e das suas dependências em Washington, bem como as operações da Organização Trump [holding dos interesses do multimilionário do imobiliário] neste caso”, escreveu o juiz Peter Messitte, no seu julgamento.

O juiz menciona, inclusivamente, “um prejuízo real, claramente ligado às ações do Presidente, e um prejuízo que pode ser reparado pelo tribunal”.

Ainda assim, refere o Diário de Notícias, esta decisão do tribunal não é uma vitória para os procuradores, que originalmente queriam incluir no processo outros hotéis de Trump. Um deles seria o resort Mar-a-Lago, na Florida, que tem sido palco de vários eventos organizados por embaixadas internacionais.

A queixa vai abrir a porta a um longo combate judicial, durante a qual as coletividades democratas devem exigir as declarações fiscais de Donald Trump, que sempre recusou divulgá-las.

Depois da sua toma de posse, Donald Trump entregou aos filhos o controlo diário dos seus negócios. No entanto, conservou sempre a sua posição na Trump Organization.

https://zap.aeiou.pt/processo-trump-lucros-pessoais-197235

Comentários

Notícias mais vistas:

"Denúncia caluniosa" transformou sete semanas de sonho na vida de um empresário em vários anos de pesadelo

 João abriu uma empresa em Portugal no final de 2019 ligada à compra e venda de bitcoins. Cumpriu todas as regras, mas viu as contas bancárias bloqueadas. Suspeitas de burla e branqueamento deram origem a um processo que só foi arquivado em 2024. O Ministério Público admitiu no despacho final que houve “denúncia caluniosa” e que a empresa tinha procedimentos de segurança além dos exigidos por lei. O que é certo é que a empresa fechou por culpa de uma justiça lenta. A pessoa “é condenada antes de qualquer conclusão”, lamentou à CNN Portugal o empresário Nasceu no Brasil, mas reside na Alemanha há mais de uma década. João (nome fictício) sempre se sentiu atraído pelo mundo do trading e pelas novas tecnologias. Decidiu abrir uma empresa de compra e venda de criptomoedas em Portugal, mas o sonho transformou-se num pesadelo. A empresa apenas funcionou sete semanas, mas esteve quatro anos perdido entre a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP). Os montantes elevados de alguma...

Tekever vai ter drones a detetar incêndios no Canadá (mas não em Portugal)

 Um contrato com a Phoenix Heli-Flight vai permitir à Tekever ter drones seus a detetar incêndios florestais no Canadá. Em Portugal não tem sistemas envolvidos nessa vigilância. O drone da Tekever que vai ser utilizado no Canadá para vigiar florestas. A Tekever foi contratada pela Phoenix Heli-Flight para colocar drones seus a vigiar áreas no Canadá para deteção de incêndios. A empresa portuguesa, que já atingiu o estatuto de unicórnio, anunciou o contrato, mas “por razões de confidencialidade” não revela o número de sistemas envolvidos no contrato nem os detalhes, nomeadamente o seu valor. Ao abrigo deste contrato, “a Phoenix Heli-Flight irá utilizar o AR3”, que a empresa diz ser “altamente adaptável com sensores especializados, para apoiar a deteção, monitorização e o combate a incêndios florestais”, acrescentando que “o objetivo é disponibilizar informação operacional crítica em tempo real às equipas responsáveis pela resposta à emergência, contribuindo para uma deteção mais pre...

Calçada portuguesa mata mais em Lisboa: Carlos Moedas muda de passeios "progressivamente"

 Tese de doutoramento no ISCTE mostra que quedas no passeio estão na origem de muitas mortes por pneumonia Ricardo Antunes, sociólogo e doutorado em Sociologia, investigou as causas remotas de 1935 óbitos hospitalares: 944 em Lisboa e 991 em Beja. “Surpreendentemente, percebi que na capital há mais mortes por pneumonia”, relata à CNN Portugal. Essa constatação deixou-o surpreendido. “Como é que a região mais rica do país, com os hospitais mais diferenciados, os melhores técnicos e a melhor tecnologia de saúde, ainda tem tantos casos fatais de uma infeção respiratória como a pneumonia?”, questionou-se o sociólogo. Ao reconstruir a história clínica dos falecidos, encontrou um padrão. “As informações nos registos de saúde mostram, claramente, que um número significativo dessas vítimas tinha, na sua história recente, um episódio de queda na via pública”, relata o enfermeiro, que se doutorou em Sociologia no ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa. Um dos capítulos da sua tese, sobre d...