Avançar para o conteúdo principal

Ainda não há helicópteros para os incêndios de 2018

O Governo disponibilizou 60 milhões de euros para investir em meios aéreos, mas as empresas pediram 130. A 3 meses do verão, o Governo ainda não conseguiu alugar aeronaves para o combate aos fogos em 2018.

O Governo lançou um concurso público para alugar 50 aeronaves para o combate aos incêndios de 2018. Apenas 10 foram alugadas, mas não foi por falta de concorrentes.

De acordo com a TSF, que cita um relatório da Secretaria Geral da Administração Interna, três empresas fizeram questão de apresentar propostas, sabendo de antemão, que iriam perder. Uma atitude que, considera a Proteção Civil, é rara em concursos públicos.

O objetivo era mostrar ao Governo que o preço que propunham – os 60 milhões – estava bastante abaixo dos 130 que as empresas consideravam razoável.


As empresas garantem que quiseram marcar uma posição de força mostrando ao Governo que o preço que este estava a oferecer fica cerca de 40% abaixo do praticado no passado, num negócio onde afirmam que as margens rondam os 10%. Ou seja, teriam prejuízo.

Dos 10 lotes em jogo, em quatro a proposta mais baixa recebida ronda o dobro do máximo pedido pelo Estado, e em duas o quádruplo.

Fazendo as contas, o Governo queria gastar 60 milhões de euros, mas a soma de todas as propostas mais baixas ultrapassa os 130 milhões de euros – e ainda falta um lote que não teve qualquer proposta.

Se o próximo concurso – de caráter urgente, já aprovado pelo Governo -, não tiver sucesso, o Executivo já admitiu recorrer a ajustes diretos. Mas fontes das empresas de aluguer de meios aéreos admitem que este atraso arrisca colocar em causa o plano para enfrentar os fogos em 2018.

A TSF sublinha que a quantidade de aviões e helicópteros pretendida pelo Estado português não existe em território nacional, e as empresas que aqui voam têm de os ir buscar a Alemanha e França.

Portugal vai ser o último a alugar os helicópteros e aviões, encarecendo o preço das aeronaves mas também dos pilotos, sendo que, em certos casos, as máquinas e pilotos pretendidos podem já nem existir nos mercados internacionais.

O que falhou?

Empresários que alugam meios aéreos dizem não se lembrar de um ano com tanto atraso na contratação destes meios. E o principal problema, admitem, foi o preço muito abaixo do praticado no mercado.

O Governo aumentou as obrigações das empresas, exigindo que estivessem mais tempo disponíveis para voar (por exemplo, do nascer ao por do sol e não apenas 12 horas diárias, obrigando à contratação de mais pilotos no estrangeiro) e menos tempo em manutenção, descendo, em paralelo, muito, o preço pago.

Os empresários ouvidos pela TSF garantem que, com os valores propostos no concurso, teriam prejuízos.

No aluguer de aviões existiu um outro problema.

A Agro-Montiar foi a única empresa a apresentar propostas para os lotes 6 e 7 do concurso público (para alugar 6 aviões anfíbios médios) e até apresentou um preço igual ao máximo aceite pelo Estado.

No entanto, o problema surge quando a empresa faz questão de dizer que não conseguia cumprir um critério previsto, pela primeira vez, no concurso deste ano: usar um aditivo na água (conhecido como GEL) pois o produto pedido no caderno de encargo não está homologado para voar.

A Agro-Montiar diz mesmo que o aditivo pedido “nunca foi testado para mistura em voo por nenhum meio aéreo do mundo” e que, em Portugal, só existia num fornecedor, temendo-se que dispare o custo para a empresa e obrigando o Estado a pagar muito mais pelo aluguer dos aviões.

Quanto aos outros meios aéreos deste concurso, um terceiro lote para contratar duas aeronaves complementares ficou vazio, sem qualquer proposta.

Finalmente, um lote para alugar quatro anfíbios pesados teve uma única proposta: o Governo admitia pagar um máximo de 19,8 milhões, mas a única empresa que apareceu pediu 83 milhões, mais do que em todos os meios aéreos que o Estado quer contratar.

https://zap.aeiou.pt/meios-aereos-disparar-fatura-194513

Comentários

Notícias mais vistas:

Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste

 Kiev acusa as autoridades húngaras de terem raptado sete funcionários do Oschadbank da Ucrânia, e terem apreendido uma grande quantidade de dinheiro e ouro. Uma nova escalada numa amarga disputa diplomática entre Orbán e Zelenskyy. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia acusou na quinta-feira a Hungria de fazer sete funcionários de um banco ucraniano reféns em Budapeste, num momento de elevada tensão entre os dois países. "Em Budapeste, as autoridades húngaras fizeram sete cidadãos ucranianos reféns. Os motivos permanecem desconhecidos, assim como o seu estado de saúde atual", escreveu Andriy Sybiga. Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, os detidos são "funcionários do banco estatal Oschadbank que operavam dois veículos do banco em trânsito entre a Áustria e a Ucrânia, transportando dinheiro". "Trata-se de terrorismo e de extorsão patrocinada pelo Estado" perpetrada pela Hungria, denunciou o ministro, afirmando já ter enviado uma nota oficial ...

Filhos de Donald Trump investem em startup de drones que quer usar tecnologia ucraniana

  Foto: Instagram @powerus_ Os filhos do presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump , estão apoiando um novo fabricante de drones chamado Powerus, uma startup que pretende integrar tecnologia desenvolvida na Ucrânia em seus sistemas. A informação foi divulgada pelo  The Wall Street Journal . A empresa, fundada em 2025 em  West Palm Beach , na Flórida, planeja abrir capital na Nasdaq em breve. O movimento deve ocorrer por meio de uma fusão com a holding Aureus Greenway, que possui vários campos de golfe no estado da Flórida. Entre os acionistas da  Aureus Greenway  estão o fundo de investimentos da família Trump, American Ventures, a empresa Unusual Machines — onde Donald Trump Jr. atua como acionista e membro do conselho consultivo — e o banco de investimentos Dominari Securities, também ligado à família Trump. Foto: Instagram @powerus_ Segundo Andrew Fox, CEO da Powerus, a estratégia de fusão reflete a aposta em um setor com forte crescimento global. “O ...

Wall Street começa a chamar a atenção para os "ecos" da pior crise do século

  Para alguns investidores proeminentes, os paralelos com a crise dos subprimes parecem óbvios. Mas não há um consenso claro em Wall Street Nova Iorque -  Durante meses, investidores e analistas têm acompanhado de perto o obscuro setor financeiro conhecido como crédito privado, onde os sinais de alerta têm alimentado receios de uma repetição da crise financeira de 2008. Ainda não é claro se estes alertas representam apenas alguns erros isolados ou uma fragilidade sistémica mais grave no setor de 1,8 mil milhões de dólares. Mas, se esta última hipótese for sequer remotamente possível, vale a pena perceber o que raio se está a passar. Uma breve introdução ao "crédito privado" De uma forma muito simples, o termo refere-se aos investidores que emprestam dinheiro diretamente a empresas privadas, sem passar pelos bancos. Os mutuários — geralmente pequenas empresas que os bancos considerariam demasiado arriscadas ou complexas para um empréstimo tradicional — pagam uma taxa de juro m...