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Citi e Bank of America são mais dois bancos dos EUA a restringir acesso de IA a contas de clientes



 Nova York e Londres |Financial Times Citigroup e Bank of America tornaram-se os mais recentes bancos dos EUA a restringir o acesso de agentes de IA às contas de clientes, em meio a preocupações expostas pelas instituições aos órgãos reguladores de que esses agentes possam esvaziar depósitos ao movimentar recursos ociosos em busca de rendimentos mais altos.


O Citi afirmou não permitir que "agentes ou assistentes de IA de terceiros acessem a conta de um cliente ou realizem transações diretamente em nossas plataformas bancárias digitais", informando que a medida foi concebida para ajudar a proteger as contas e as informações dos clientes.


Brian Moynihan, do Bank of America, também indicou que o banco passou a restringir o acesso de agentes de IA aos depósitos de pessoas físicas enquanto elabora protocolos para determinar qual entidade seria, em última instância, responsável por pagamentos autorizados por inteligência artificial.


Reflexo de quatro pedestres caminhando em frente à fachada de vidro de um prédio com o logo iluminado do Citibank. Edifícios altos e veículos são visíveis ao fundo na rua.

"Acreditamos firmemente que deve haver uma pessoa envolvida para autorizar a saída de dinheiro da sua conta", declarou Moynihan à emissora de televisão CNBC na quarta-feira (14).


"Estamos trabalhando com os fornecedores de agentes autônomos para dizer: ‘Olha, vocês realmente não vão querer que os consumidores voltem e digam que o dinheiro saiu da minha conta, que eu não sei por quê nem para onde foi, e que foi o agente que fez isso'", comentou. Uma pessoa a par do assunto confirmou que o BofA restringiu o acesso.


As medidas foram adotadas depois que o lançamento, em setembro, do assistente pessoal Muse AI, da Meta, alimentou preocupações de que robôs possam transferir grandes somas de recursos ociosos para fora dos depósitos bancários em nome dos consumidores, na tentativa de maximizar os rendimentos.


Empresas de IA estão correndo para lançar novas ferramentas e chatbots destinados a ajudar os consumidores a administrar suas finanças pessoais.


Um relatório de Torsten Slok, economista-chefe da Apollo, aumentou os temores. Ele alertou que assistentes de IA poderiam transferir automaticamente o dinheiro das famílias para contas com rendimentos de 3,3% a 5%, em vez da média nacional de 0,1% nas contas correntes.


JPMorgan, Bank of America e Wells Fargo detêm US$ 1,6 trilhão (R$ 8,2 trilhões) em depósitos sem remuneração —o equivalente a 16% de seus passivos. Pagar uma taxa de 3% sobre esses recursos lhes custaria US$ 47 bilhões (R$ 238,43) por ano, quase metade de seus lucros anuais somados.


Se os bancos forem obrigados a pagar juros mais altos sobre os depósitos de varejo para impedir que esses recursos busquem taxas melhores em outros lugares, isso poderá reduzir significativamente seus lucros.


"Se todas as famílias usassem agentes de IA para maximizar o rendimento de seus saldos em dinheiro, os bancos poderiam perder uma grande parcela dos depósitos de baixo custo dos quais dependem para conceder empréstimos, o que seria um problema para todo o sistema financeiro", avaliou Slok.


Executivos de Wall Street também entraram em contato com autoridades reguladoras do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) para expor a preocupação com o forte aumento do número de consumidores que usam agentes de IA para realizar transações financeiras em seu nome, segundo uma pessoa a par das conversas. O Fed não quis comentar.

 

Nos bastidores, os reguladores receberam de forma positiva as medidas dos bancos para bloquear o acesso de agentes de IA às contas dos clientes. As autoridades acreditam que pode ser necessário esclarecer juridicamente como os clientes autorizam tecnologias autônomas a realizar transações financeiras em seu nome e quem é responsável caso algo dê errado.


O Citi afirmou que seus clientes ainda podem autorizar determinados provedores de open banking a ter acesso limitado e somente para consulta às informações de suas contas.


Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan Chase, afirmou nesta semana que o banco restringiria o acesso de agentes de IA às contas dos clientes "porque ninguém quer agentes desonestos, e pode haver milhares deles".


"Precisamos garantir que estamos protegendo nossos clientes da maneira correta. Por isso, também estamos desenvolvendo ferramentas para isso", comentou Dimon em uma teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre do banco. "Enquanto isso, não permitiremos que qualquer agente externo simplesmente entre na empresa, porque isso é arriscado demais para os clientes e para o JPMorgan".


Christoph Stegmeier, sócio sênior da consultoria Simon-Kucher, afirmou que os bancos precisarão buscar maneiras de incentivar os clientes a manter suas economias com eles, por meio de iniciativas como a ampliação de programas de fidelidade que influenciem as taxas oferecidas em empréstimos.


"É preciso tornar seus produtos de depósito mais capazes de reter os clientes", analisou.


IA: Bancos dos EUA restringem acesso de robôs a contas - 17/10/2026 - Finanças - C-Level


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