Com produção em Palmela, a empresa tem como foco sistemas não tripulados e depois dos drones e sistemas anti-drones está a desenvolver, com parceiros, um veículo terrestre não tripulado de uso dual.
A Autonomous Defense Systems (ADS) fechou um contrato de cerca de 134 mil euros com o Exército Português para o fornecimento de 45 drones para os batalhões de Infantaria estacionados na zona militar da Madeira e dos Açores. Depois dos drones e sistema anti-drones, a empresa de Palmela já está trabalhar na entrada num novo segmento, o dos veículos terrestres não tripulados de uso dual. Com “vocação exportadora”, a companhia tem a Ucrânia e Brasil como mercados prioritários.
A empresa foi a vencedora do concurso lançado em junho pelo Exército Português para a compra de drones para dois Batalhões de Infantaria (BI) da Zona Militar dos Açores (ZMA) e o BI da Zona Militar da Madeira (ZMM), abrindo-se assim a primeira oportunidade para a empresa, constituída em julho do ano passado, trabalhar com o ramo das Forças Armadas.
“A oportunidade surgiu por concurso público lançado pelo Exército Português, ao qual a ADS apresentou proposta e que lhe foi adjudicado. São três tipos de sistemas: 30 drones FPV táticos de 7 polegadas, nove quadricópteros de vigilância e reconhecimento (ISR) e seis drones de treino. Demos-lhes nomes de aves das Regiões Autónomas que vão servir — Fura-bardos, Açor e Garajau — e são projetados e montados com orgulho em Portugal”, adianta Nelson Bensabat, cofundador e diretor-geral da ADS, ao ECO/eRadar.
Além do Exército, temos sido consultados por outras entidades da Defesa e da Segurança nacionais e internacionais, designadamente no domínio da vigilância costeira, e acompanhamos de perto a atividade da Marinha nesta área. São processos em curso, sobre os quais não podemos, nesta fase, adiantar detalhes.
“Neste momento não temos outros contratos em curso ou fechados com este ramo. Contudo, vamos continuar a trabalhar para vencer outros concursos públicos no futuro, contribuindo assim para a capacitação do Exército Português, e simultaneamente estreitar num futuro próximo a relação com este ramo, desenvolvendo parcerias orientadas para tecnologias de duplo uso”, refere o gestor quando questionado sobre eventuais novos concursos com este ramo das Forças Armadas.
Mas Bensabat admite que há processos em curso com outras entidades do setor de defesa nacionais, mas não só. “Além do Exército, temos sido consultados por outras entidades da Defesa e da Segurança nacionais e internacionais, designadamente no domínio da vigilância costeira, e acompanhamos de perto a atividade da Marinha nesta área. São processos em curso, sobre os quais não podemos, nesta fase, adiantar detalhes”, afirma.
O mercado internacional é algo que a empresa tem na sua mira. Afinal, diz, a “vocação” da ADS é exportadora. “É no mercado externo que esperamos vir a ter o maior peso da faturação. Os mercados prioritários são os países da NATO, a Ucrânia e o Brasil”, diz. “Na Ucrânia, a ADS passou o processo de verificação da agência de aquisições de defesa e integra a sua lista de parceiros verificados“, refere ainda.
Para corporizar essa vocação exportadora, a empresa está a “acompanhar concursos em vários países europeus da NATO e a preparar candidaturas a programas europeus de financiamento da Defesa, em consórcio com parceiros de outros Estados-Membros”, revela, embora sem mais detalhes.
“A ADS tem código NCAGE [NATO Commercial and Government Entity, código obrigatório para qualquer empresa que queira participar em concursos públicos, fornecer bens ou prestar serviços à NATO e às forças de defesa dos países aliados] e produtos catalogados no sistema NATO, o que facilita a entrada nesses mercados”, destaca.
Na mira: veículos autónomos terrestres de duplo uso
Desde o seu arranque, o foco da empresa tem sido os sistemas não tripulados. Mas não apenas para vigilância. “A gama vai dos quadricópteros de vigilância e reconhecimento (ISR) e dos FPV táticos, incluindo configurações de ataque, até aeronaves de asa fixa e VTOL de maior alcance e autonomia”, descreve o diretor-geral da ADS.
A companhia tem ainda soluções anti-drone, como é o caso do sistema Sentinel360 — deteção, seguimento, identificação e mitigação —, o comando e controlo e a autonomia e inteligência artificial. “Projetamos e construímos à medida dos requisitos de cada cliente e conseguimos ter um protótipo a voar em quatro a seis semanas”, refere.
Nos veículos terrestres, temos em fase de conceção, com parceiros nacionais, um veículo não tripulado de duplo uso, de classe média e propulsão elétrica, com módulos para logística, evacuação de feridos e reconhecimento.
E, na sua maioria, são equipamentos para uso civil e militar. “As mesmas plataformas que servem as Forças Armadas servem também missões civis, como o combate a incêndios, a proteção civil, a agricultura, o apoio logístico e a evacuação de feridos. É uma vertente que consideramos estratégica, tanto pela dimensão do mercado civil como pelo contributo para a resiliência nacional”, justifica.
Mas a ADS não está apenas focada nos veículos autónomos aéreos. Nelson Bensabat revela quais os próximos projetos em fase de desenvolvimento. “Nos veículos terrestres, temos em fase de conceção, com parceiros nacionais, um veículo não tripulado de duplo uso, de classe média e propulsão elétrica, com módulos para logística, evacuação de feridos e reconhecimento”, adianta.
No domínio marítimo, a atuação passa, para já, por sistemas aéreos de vigilância costeira, sendo que “os veículos de superfície não estão no nosso roteiro imediato”.
Produção em Palmela
Com seis pessoas, dois sócios-gerentes e quatro técnicos — a empresa é ainda “reforçada por parceiros industriais nacionais”, tendo ainda “uma forte componente de I&D, assegurada por recursos internos e por parcerias externas, nomeadamente com a academia” —, a ADS tem a sua produção em Palmela, “em instalações de 400 metros quadrados com áreas de montagem mecânica e eletrónica, impressão 3D, soldadura e I&D, áreas logísticas de receção de matéria-prima e expedição de produto acabado, e uma área de controlo de qualidade com zona de testes finais”, descreve.
“Basta que se concretize uma parte dos pedidos em carteira para termos de expandir a capacidade produtiva, e essa expansão vai acontecer. Falta decidir se será em Palmela ou noutro ponto do país — uma hipótese real —, decisão que tomaremos até ao final do ano, com base na solução que melhor garanta um crescimento sustentado.
“Recorremos ainda a parceiros industriais nacionais para estruturas e subconjuntos mecânicos. Estamos a implementar um sistema de gestão da qualidade ISO 9001, com certificação prevista para o primeiro trimestre de 2027”, acrescenta.
Mas há planos para expandir a capacidade de entrega. “Basta que se concretize uma parte dos pedidos em carteira para termos de expandir a capacidade produtiva, e essa expansão vai acontecer. Falta decidir se será em Palmela ou noutro ponto do país — uma hipótese real —, decisão que tomaremos até ao final do ano, com base na solução que melhor garanta um crescimento sustentado”, adianta Bensabat.
O responsável não adianta no entanto que valor de investimento essa expansão de área de produção poderá implicar. O montante dependerá se a expansão for em Palmela ou noutra zona do país. “É uma dor de crescimento, mas uma boa dor.”
Nelson Bensabat também não revela valores de faturação. “Tratando-se de uma empresa em início de atividade, o valor é naturalmente, ainda um valor modesto, e o contrato com o Exército representa a nossa primeira referência de dimensão relevante”, diz.
Nesta fase, “o fundamental é consolidarmos o nosso crescimento e sermos reconhecidos no mercado como um player de referência, capaz de criar, para os nossos parceiros, soluções que respondam às suas necessidades operacionais”.
Ana Marcela
ADS fecha contrato de drones com Exército e tem na mira veículos terrestres não tripulados – ECO

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