Um tribunal finlandês condenou hoje a penas de prisão o capitão de um navio e um membro da tripulação por sabotarem, em dezembro de 2025, dois cabos submarinos no Mar Báltico, que ligavam a Finlândia à Estónia.
Finlândia condena duas pessoas a prisão por sabotarem cabos submarinos
O capitão do cargueiro 'Fitburg', cidadão russo, foi condenado a três anos e meio de prisão por "danos criminais agravados", e o contramestre, cidadão azeri, a dois anos e 10 meses.
O Tribunal de Helsínquia condenou-os ainda a indemnizarem as empresas proprietárias dos cabos submarinos para cobrir os custos de reparação, assim como o Estado finlandês, pelas despesas incorridas durante as investigações.
A sentença, que pode ser alvo de recurso, é mais severa do que a pena pedida pelo Ministério Público, que defendia pelo menos dois anos e meio de prisão para ambos por sabotagem agravada e interferência agravada nas telecomunicações.
Esta é a primeira vez que um tribunal europeu condena criminalmente membros da tripulação de um navio da frota fantasma russa por sabotagem de infraestruturas críticas no Mar Báltico.
A chamada frota fantasma é uma rede clandestina de centenas de navios petroleiros, geralmente mais antigos e cuja propriedade não é clara, utilizada pela Rússia para exportar petróleo e derivados contornando as sanções internacionais.
O incidente que levou à sentença aconteceu a 31 de dezembro de 2025, quando o navio cargueiro 'Fitburg' rompeu dois cabos de fibra ótica submarinos entre a Finlândia e a Estónia, arrastando a sua âncora pelo fundo do mar por pelo menos 130 quilómetros, até que as autoridades finlandesas conseguiram detê-lo.
O 'Fitburg', que navegava sob a bandeira de São Vicente e Granadinas, foi intercetado pela Guarda Costeira finlandesa logo após a deteção dos danos nos cabos, enquanto transportava aço russo da cidade russa de São Petersburgo para o porto israelita de Haifa.
Agentes da Guarda Costeira e polícias finlandeses entraram no navio, que navegava com a âncora submersa, e rebocaram-no até ao porto de Kantvik (sul da Finlândia), onde foi apreendido pelas autoridades finlandesas até ser autorizado a navegar, 12 dias depois.
Durante a investigação preliminar, os dois membros do navio negaram qualquer irregularidade e argumentaram que os tribunais finlandeses não tinham jurisdição no caso, uma vez que os danos nos cabos ocorreram fora das águas territoriais do país.
No entanto, o Tribunal de Helsínquia decidiu que tinha jurisdição para processar os dois membros do navio ao abrigo do direito marítimo internacional, uma vez que o incidente não foi acidental — como alegaram os arguidos —, mas antes um ato intencional de sabotagem.
Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, a Finlândia tem sofrido vários incidentes em que as infraestruturas submarinas críticas foram danificadas em circunstâncias invulgares, o que Helsínquia atribui a ataques híbridos orquestrados por Moscovo.
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