Dezenas de clientes afetados. PJ investiga transferências de milhares de euros. Banco CTT é acusado de não reagir a múltiplos movimentos suspeitos.
Dezenas de clientes do Banco CTT denunciam transferências de milhares de euros das suas contas para destinatários desconhecidos, avança o Correio da Manhã esta quarta-feira.
A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar várias queixas, numa altura em que uma recente decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia obriga os bancos a reembolsar rapidamente os clientes vítimas de operações não autorizadas.
Uma cliente diz ao CM que ficou sem 1200 euros depois de desconhecidos terem conseguido instalar a aplicação bancária num telemóvel que não lhe pertencia.
A cliente apresentou uma reclamação ao Banco de Portugal, na qual acusa o Banco CTT de não ter reagido a uma sucessão de movimentos suspeitos, avança o matutino.
“Existiram cinco movimentos suspeitos, um pedido de crédito suspeito, uma concretização de transferência suspeita, num horário suspeito, e o banco nada fez”, lamenta. Na reclamação, explica que os responsáveis pela fraude solicitaram códigos para instalar a aplicação de homebanking e tentaram realizar cinco transferências para contas bancárias espanholas, de diferentes montantes.
Todas essas transferências acabaram por ser devolvidas, mas a conta não foi bloqueada e os autores da fraude conseguiram transferir depois todo o dinheiro disponível para uma conta associada e, daí, para um IBAN italiano.
A cliente acredita que a sucessão de operações invulgares deveria ter levado o banco a bloquear imediatamente a conta e a contactá-la.
O Banco CTT recusou comentar casos individuais, invocando o sigilo bancário e a proteção de dados. Mas reconheceu ao CM que registou um aumento das campanhas de “phishing e engenharia social” e garantiu estar a reforçar os mecanismos de prevenção e monitorização de fraudes, intensificando os alertas aos clientes, através de SMS, notificações na aplicação e mensagens de correio eletrónico.
Bancos devem devolver montantes
A questão do reembolso ganha particular importância depois de uma recente decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia. Segundo o tribunal, os bancos devem devolver os montantes retirados através de operações não autorizadas imediatamente, ou até ao final do dia útil seguinte àquele em que tomaram conhecimento da fraude, nos termos previstos na legislação europeia.
O facto de um cliente ter sido enganado num esquema de phishing não permite, por si só, ao banco recusar automaticamente o reembolso.
A decisão poderá ter consequências para os processos de fraude bancária em toda a União Europeia.
O Banco CTT, no entanto, não esclareceu ao CM se irá proceder à devolução dos montantes reclamados pelos clientes lesados.
Clientes do Banco CTT vítimas de fraude: milhares de euros retirados de contas - ZAP Notícias

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