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Binance: ataque hacker rouba US$ 6,3 bilhões; saiba riscos e o que fazer


 Ataque levou à suspensão temporária de saques e depósitos para investidores de todo o mundo; empresa afirma que vai cobrir as perdas e que os fundos dos clientes estão seguros


A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, foi alvo de um ataque hacker na quinta-feira (29). O incidente teve impacto estimado em US$ 6,3 bilhões, cerca de R$ 34 bilhões na cotação atual. A invasão levou à suspensão temporária de saques e depósitos como medida de segurança, enquanto a plataforma investiga o caso.


Segundo uma apuração inicial da Binance, o ataque pode ter começado pelo comprometimento do notebook de um engenheiro da companhia. A partir do dispositivo, o invasor teria conseguido acessar vários serviços e realizar transações de saque não autorizadas. No entanto, a companhia já identificou outros pontos de invasão, indicando que o ataque foi mais complexo do que se imaginava inicialmente. A Binance afirmou que vai cobrir todas as perdas e garantiu que os fundos dos usuários estão seguros. A seguir, saiba mais detalhes sobre o caso.


1. O que acontece com o dinheiro dos clientes da Binance?

Em comunicado, a Binance afirmou que vai cobrir todas as perdas com recursos do fundo SAFU (Secure Asset Fund for Users), criado para proteger os usuários em situações de emergência, e também com dinheiro da própria empresa. A corretora não informou, até o momento, que contas individuais de clientes tenham sido comprometidas.


Como medida preventiva, a plataforma suspendeu temporariamente depósitos e saques enquanto realizava verificações de segurança. Em atualização publicada nesta sexta-feira (30), a empresa informou que os depósitos já estavam funcionando normalmente, mas os saques continuavam suspensos. A previsão divulgada era de retomar as retiradas em aproximadamente 45 horas.


Para os usuários brasileiros, a orientação é acompanhar os comunicados publicados nos canais oficiais da Binance e evitar links recebidos por mensagens ou redes sociais que prometam liberar saques ou recuperar valores. A empresa também alertou para o risco de golpes que podem se aproveitar do incidente para solicitar senhas, códigos de autenticação ou dados pessoais.


2. Quem está por trás do ataque?

Empresas especializadas em análise de blockchain, como TRM Labs e Chainalysis, apontaram possíveis ligações entre o ataque e o grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte. A hipótese considera semelhanças com outros grandes roubos de criptomoedas atribuídos a hackers ligados ao país.


A suspeita, porém, ainda não representa uma confirmação oficial sobre a identidade dos responsáveis. A Binance informou que trabalha com autoridades policiais e empresas de inteligência em blockchain para rastrear os ativos e investigar a invasão.


O caso chama atenção pelo volume de recursos envolvidos e reacende o debate sobre a segurança das corretoras centralizadas, que armazenam e movimentam criptomoedas em nome de seus clientes. A empresa prometeu divulgar uma análise técnica detalhada depois que a investigação for concluída.


3. Especialistas avaliam os riscos do incidente

O engenheiro sênior de pesquisa de ameaças do Netskope Threat Labs, Vini Egerland e o CTO (diretor de tecnologia) da ASAPTECH, Marco Grecco, afirmam que um equipamento de trabalho comprometido abre caminhos para invasões, funcionando como uma espécie de chave de entrada para os sistemas internos de uma empresa.


Para Egerland, os desenvolvedores estão entre os profissionais mais visados numa organização. Segundo ele, depois de invadir os computadores desses funcionários, os hackers podem encontrar caminhos para acessar outros sistemas da empresa e realizar operações financeiras, como autorizar saques de criptomoedas.


"Quando o acesso de um único laptop permite movimentar US$ 6 bilhões, não é o tamanho da empresa que protege o dinheiro das pessoas. A confiança em uma grande companhia precisa ser conquistada, e esse setor continua pagando o preço por se esquecer disso", comenta o engenheiro.


Marco Grecco orienta que as corretoras devem adotar medidas de segurança, como "autenticação forte em todos os acessos administrativos, separação de privilégios para que nenhuma conta consiga executar operações críticas sozinha e monitoramento contínuo de comportamentos fora do padrão. O objetivo não é apenas tornar a invasão improvável, mas limitar os danos e detectar o problema rapidamente quando um dispositivo for comprometido".


4. Quais são os riscos para quem mantém criptomoedas em corretoras?

Segundo Vini Egerland, dizer que "os fundos estão seguros", significa que a Binance tem reservas financeiras suficientes para cobrir as perdas bilionárias. Ele também destaca que as criptomoedas não contam com a mesma proteção oferecida aos depósitos bancários. Isso significa que, em caso de perdas, os usuários não têm garantia automática de ressarcimento, como ocorre com determinados depósitos cobertos pelo FGC.


"Assim, em uma corretora menor, os clientes provavelmente disputariam seus recursos na justiça, em vez de serem ressarcidos integralmente", esclarece o especialista. Egerland esclarece que o congelamento de aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos demonstra que as criptomoedas podem ser parcialmente rastreáveis e recuperáveis depois de um ataque hacker.


Ainda segundo Egerland, a recuperação depende dos pontos em que é possível fazer o controle. "Os emissores de stablecoins congelaram diretamente a maior parte dos US$ 3 bilhões, e os serviços de custódia podem apreender ativos sinalizados assim que eles são depositados. Ativos como Bitcoin e Ethereum não dispõem desse mecanismo", comenta o especialista.


Com isso, a recuperação acontece quando as autoridades apreendem as chaves usadas pelo hacker para acessar as criptomoedas ou "quando os ativos são depositados em um custodiante, embora invasores sofisticados raramente façam esses depósitos de forma a chamar atenção".


5. Binance detalha medidas após invasão

Segundo a empresa de tecnologia e serviços financeiros, a investigação iniciada por eles sugere que o ataque pode ter começado pelo computador de funcionário da área de DevOps, o que facilitou a invasão feita por um hacker. Com isso, o infrator teve acesso a um sistema interno e fez transações de saques não autorizados.


Ainda de acordo com o posicionamento da Binance, não foram encontradas evidências de vazamentos de chaves privadas das carteiras. A empresa afirma que continua investigando o caso e promete divulgar uma análise técnica quando a apuração for concluída e todos os fatos forem confirmados.


A plataforma diz que cobrirá todas as perdas com recursos do fundo SAFU (fundo de ativos seguros para usuários) e dinheiro próprio. Também garante que os fundos dos usuários estão seguros. Como medida de precaução imediata, a corretora implementou medidas como saques temporariamente suspensos enquanto as investigações não forem concluídas, bloqueou o endereço envolvido no incidente e acionou as autoridades policiais e empresas especializadas em blockchain para rastrear e tentar recuperar os valores roubados.


Segundo Binance, não foram encontradas evidências de vazamentos de chaves privadas das carteiras. — Foto: Reprodução/Unsplash/Kanchanara

Segundo Binance, não foram encontradas evidências de vazamentos de chaves privadas das carteiras. — Foto: Reprodução/Unsplash/Kanchanara

6. Corretora garante segurança dos fundos de brasileiros

Em comunicado voltado para os clientes brasileiros, a BBrasil SPSAV LTDA., entidade da Binance responsável pelo atendimento no país, afirma que os fundos de seus clientes permanecem seguros. Eles esclarecem que, além de seguirem as condições necessárias de segregação estabelecidas pelo Banco Central do Brasil, também são mantidos em carteiras frias (cold wallets) os ativos virtuais, ficando desconectadas da internet.


Segundo a nota, embora os saques virtuais estejam suspensos enquanto é realizada a investigação, os demais serviços da plataforma seguem funcionando normalmente. A empresa, porém, não divulgou uma previsão para a normalização dos saques.


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